Uma equipe do Centro de Pesquisa Agrícola de Aichi, no Japão, chegou a um resultado inusitado: pintar listras sobre o pelo escuro das vacas diminui bastante a quantidade de moscas picadoras que se aproximam dos animais.
Publicado na revista científica PLOS ONE, o achado dá sustentação a uma hipótese já discutida por cientistas: a de que o padrão listrado das zebras funciona como defesa natural contra insetos.
Em observações de meia hora, os animais sem qualquer pintura acumularam por volta de 120 picadas.
Já os bovinos que receberam as listras no corpo tiveram menos de 60 picadas no mesmo período.
Isso representa uma queda de 50% nos ataques do inseto, mostrando que o efeito visual funciona como repelente.
Método do experimento com moscas e padrões listrados
Os cientistas testaram seis vacas prenhes da raça Japanese Black divididas em três grupos: um com listras brancas e pretas. Outro apenas com listras pretas e um terceiro sem nenhuma tinta.
As listras foram pintadas à mão com tinta à base de água. Para medir o efeito, a equipe registrou imagens dos animais em intervalos de 30 minutos e contou quantos insetos pousavam sobre eles.
Como as vacas sem pintura e as pintadas somente de preto apresentaram números parecidos de picadas, ficou claro que o odor da tinta não explicava a diferença observada.
Mas unicamente o padrão visual criado pelo contraste entre as cores.
Por que as listras funcionam
O contraste entre branco e preto interfere na capacidade visual das moscas de calcular velocidade e distância.
A luz polarizada refletida pelas faixas confunde o inseto, impossibilitando que ele desacelere corretamente para pousar na pele do animal.
Sinais de irritação dos animais, entre eles o movimento da cabeça, das orelhas e da cauda, também apresentaram queda de cerca de 20% entre as vacas com listras.
Para a pecuária, essa descoberta abre caminho para reduzir a dependência de inseticidas químicos.
E minimizar perdas econômicas causadas pelo estresse e por doenças transmitidas pelas moscas ao rebanho.
A técnica simples e de baixo custo pode se tornar uma ferramenta prática nas fazendas.













