Mato Grosso libera o plantio da soja 2026/27 a partir de 6 de setembro, quando acaba o período de vazio sanitário no Estado.
Isso não significa, no entanto, que o plantio deva começar imediatamente: o produtor tende a esperar as chuvas se firmarem antes de colocar a semente no solo.
Cleiton Gauer, que dirige o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), defende que só é seguro iniciar a semeadura depois de checar se o solo tem umidade e chuva suficientes.
Esse cuidado reduz o risco de gastos extras com replantio e favorece uma lavoura bem estabelecida desde o início. Para esta safra, o Imea projeta uma produção de 48,88 milhões de toneladas no Estado.
A projeção considera as perspectivas climáticas, o histórico de produtividade e o nível tecnológico adotado.
Por que não correr após o fim do vazio sanitário
A regularização das chuvas antes da semeadura deixa no solo a umidade necessária para uma germinação adequada e evita replantios.
Segundo Henrique Eggers, analista de inteligência de mercado do Imea, mais importante do que as primeiras precipitações é confirmar volumes suficientes e regulares para garantir o estabelecimento das lavouras.
Semear com o solo seco concentra o risco de perda desde a fase inicial, quando a planta é mais vulnerável.
Na safra 2023/24, o El Niño causou irregularidade nas chuvas. Mato Grosso colheu 38,70 milhões de toneladas, a menor produtividade média dos últimos dez anos.
Veranicos durante a floração e a formação das vagens prejudicaram o estabelecimento das lavouras e o desempenho final.
Clima variável exige planejamento cuidadoso
A possibilidade de maior instabilidade climática no início desta safra, novamente sob influência do El Niño, exige planejamento.
Os produtores devem monitorar as primeiras chuvas e confirmar volumes suficientes e regulares antes de intensificar a semeadura, especialmente na segunda quinzena de setembro.
Nesse período, a expectativa é que os produtores repitam o padrão de safras anteriores, segurando o plantio até que as chuvas se estabilizem.
Excesso de chuva também representa risco
Se a falta de precipitação preocupa no início da safra, o excesso de chuva também pode provocar problemas em outras etapas da produção.
Temperaturas elevadas aumentam a perda de água do solo e podem intensificar o estresse térmico das plantas.
Já durante a colheita, volumes excessivos de chuva podem provocar encharcamento, dificultar a entrada das máquinas nas lavouras e comprometer a qualidade dos grãos.
Dessa forma, o desafio para os produtores mato-grossenses será encontrar o momento adequado para iniciar a semeadura e acompanhar o comportamento do clima ao longo de todo o ciclo.













