Grandes empresas de alimentos estão aumentando os investimentos em agricultura regenerativa como estratégia para transformar suas cadeias de produção. McCain, PepsiCo e Nestlé já financiam projetos que envolvem produtores em diferentes países, enquanto companhias buscam reduzir riscos associados ao clima, preservar recursos naturais e tornar o fornecimento de matérias-primas mais resistente a crises.
Na prática, o movimento significa colocar dinheiro na transição de propriedades convencionais para sistemas que priorizam a conservação do solo, da água e da biodiversidade. O desafio agora é fazer com que essas práticas avancem em escala e permaneçam economicamente viáveis para os agricultores.
Investimentos em agricultura regenerativa no mundo
McCain
- Criou a terceira Fazenda do Futuro, em uma propriedade de 200 hectares em North Yorkshire, no Reino Unido.
- Já possui unidades no Canadá e na África do Sul.
- Meta para 2030 é que toda a batata utilizada nos produtos seja cultivada de forma sustentável.
- Destinou mais de 35 milhões de libras para apoiar produtores britânicos na transição.
PepsiCo
- Ampliou o programa VivaOliva em maio.
- Incluiu mais 35 pequenos produtores de azeite na Espanha.
- Os agricultores passaram a adotar práticas de agricultura regenerativa.
Nestlé
- Firmou uma parceria de quatro anos com a consultoria Soil Capital.
- O projeto envolve 230 propriedades rurais.
- Abrange França, Bélgica e Reino Unido.
- A iniciativa contempla aproximadamente 13 mil hectares.
Por que as empresas estão investindo
O interesse não está apenas relacionado à imagem ambiental. Empresas dependentes de grandes volumes de matérias-primas agrícolas enfrentam riscos provocados por secas, chuvas extremas, degradação do solo e instabilidade geopolítica.
Ao financiar mudanças nas propriedades fornecedoras, as companhias tentam proteger a própria cadeia de abastecimento. Práticas que aumentam a retenção de água no solo, melhoram sua qualidade e diversificam os sistemas produtivos podem ajudar as fazendas a enfrentar períodos de estresse climático.
Segundo estimativa da consultoria Precedence Research, o mercado global de agricultura regenerativa deve movimentar US$ 1,76 bilhão em 2026 e chegar a aproximadamente US$ 5,77 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 15,97%.
Os obstáculos reais à adoção
Apesar dos investimentos, a adoção de práticas regenerativas pode exigir equipamentos, capacitação e mudanças no manejo, além de gerar riscos financeiros. Outro desafio é definir quem financia a transição e como os produtores serão remunerados pelos resultados.
A falta de uma definição única para agricultura regenerativa também dificulta comparar projetos e medir resultados. O avanço do modelo dependerá de conciliar benefícios ambientais e viabilidade financeira para os produtores.













