Pesquisadores americanos treinaram quatro porcos para manipular um joystick e controlar um cursor em um monitor. Publicado na revista Frontiers in Psychology, o estudo sugere que esses animais conseguem aprender e responder a tarefas muito além do que se imaginava, indicando que suas capacidades cognitivas foram subestimadas.
A equipe da Purdue University usou petiscos como recompensa para ensinar os porcos a mover os joysticks com o focinho enquanto observavam a tela do computador.
Os animais então enfrentaram um videogame em que precisavam manobrar o cursor até fazê-lo colidir com uma de quatro estruturas semelhantes a paredes na tela. Quando acertavam uma delas, o jogo emitia um som, e os porcos recebiam um petisco.
O desempenho dos porcos no jogo
Hamlet e Omelette, porcos Yorkshire machos de três meses, tiveram desempenho melhor que o esperado pelo acaso quando havia duas ou uma parede na tela.
Com três paredes, porém, não superaram o acaso, e após 12 semanas de treinamento, os pesquisadores os removeram do experimento porque ficaram grandes demais para realizar as sessões.
Ebony e Ivory, porcos Panepinto micro machos de dois anos com 15 meses de treinamento, tiveram resultados variados.
Ambos tiveram desempenho melhor que o acaso com três ou uma parede, enquanto apenas Ivory superou o esperado pelo acaso na condição de duas paredes.
Os pesquisadores analisaram os últimos 50 testes de cada porco nos cenários com três, duas. E uma parede, avaliando com que frequência o animal acertava uma parede alvo no primeiro movimento do cursor.
Compreensão conceitual além do acaso
Os pesquisadores destacaram que os porcos alcançaram sucesso em uma tarefa tão distante de seu comportamento natural, o que indicava grande flexibilidade comportamental e cognitiva.
Como o desempenho no videogame foi significativamente melhor que o de movimentos aleatórios, eles sugeriram que os animais compreendiam a conexão entre seu próprio movimento, o joystick e o efeito na tela.
Os pesquisadores observaram que o incentivo social e verbal do treinador pareceu ser tão importante quanto as recompensas de comida para manter os animais motivados.
Quando o desafio ficava progressivamente mais fácil, com o número de paredes diminuindo à medida que o porco melhorava, esse encorajamento se mostrou particularmente relevante para a continuidade da aprendizagem.
Limitações e potencial futuro
Os porcos não se saíram tão bem no videogame quanto primatas não-humanos, como macacos rhesus, em tarefas semelhantes.
Os pesquisadores sugeriram que isso pode estar relacionado a diferenças na capacidade de compreender o conceito do jogo, mas outros fatores também influenciaram: os porcos tinham hipermetropia e destreza limitada.
E precisavam olhar repetidamente para cima e para baixo durante a tarefa, já que movimentavam o joystick com o focinho.
A professora Candace Croney, da Purdue University, afirmou que talvez os porcos sejam capazes de aprender, entender e responder a muito mais do que se considerava anteriormente.
A equipe sugere que telas sensíveis ao toque, em vez de joysticks, poderiam ser ferramentas valiosas para investigar.
Ainda mais as capacidades cognitivas dos porcos, permitindo uma exploração mais profunda da inteligência desses animais.
Pesquisa cognitiva em evolução
A pesquisadora sênior Emily Bethell, da Liverpool John Moores University, que estuda cognição social, comportamento e bem-estar de primatas, concordou que é necessário adaptar os experimentos aos animais envolvidos.
Bethell observou que o estudo reforçava o que muitos especialistas já sabem: porcos são inteligentes.
A pesquisa também amplia a compreensão sobre as capacidades cognitivas desses animais, que são capazes de muito mais do que se considerava anteriormente.













