A recuperação da oferta de café no Vietnã e na Índia começa a aliviar a disponibilidade no mercado internacional, mas também cria uma janela de oportunidade para o Brasil. A maior oferta asiática tende a limitar altas mais fortes do conilon no curto prazo. Ao mesmo tempo, o risco de novas perdas de produção provocadas pelo El Niño pode voltar a apertar o mercado e favorecer os exportadores brasileiros.
O cenário ganha importância porque o Brasil inicia o novo ano-safra com produção elevada e potencial para ampliar os embarques. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 66,7 milhões de sacas de 60 kg para a safra 2026, enquanto as condições climáticas podem alterar as perspectivas para os próximos ciclos.
- Tipos de café: o arábica respondeu por 14,987 milhões de sacas, ou 71,7% dos embarques, enquanto a canéfora somou 3,387 milhões, alta de 73,5%. O café solúvel alcançou 2,486 milhões de sacas.
- Principais destinos: os Estados Unidos lideraram as compras, com 2,590 milhões de sacas, apesar da queda de 30,5%. Alemanha, Itália, Bélgica e Japão vieram na sequência.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), espera recuperação dos embarques a partir da segunda quinzena de agosto.
Mercado internacional de café sob pressão da oferta asiática
O Vietnã registrou exportações de 25,6 milhões de sacas entre outubro de 2025 e julho de 2026. O volume cresceu 20,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, encerrando quatro anos de queda e recuperando a safra local.
A Índia embarcou 5,7 milhões de sacas, com alta de 11,6%, enquanto a Indonésia recuou 26,8% no período por causa da escassez de estoques. A recuperação vietnamita, especialmente da variedade conilon ou robusta, dificulta altas acentuadas nas cotações dessa variedade no curto prazo.
O fortalecimento do El Niño pode prejudicar a irrigação no Vietnã e as monções na Índia e na Indonésia a partir de 2026/27. Esse cenário deixaria o Brasil como o único fornecedor com capacidade de cobrir o déficit global.
Nesse cenário, as cotações do café tenderiam a disparar nos portos. A retirada de tarifas dos Estados Unidos sobre cafés brasileiros foi obtida após articulação do Cecafé com a Abic, Abics e National Coffee Association.













