Nem sempre as melancias tinham o sabor característico atual. Pesquisadores sequenciaram o DNA de sementes de cerca de 6 mil anos atrás e descobriram a evolução das melancias.
Pesquisadores sequenciaram o DNA de uma dessas sementes e descobriram que a melancia da época possuía polpa amarga e desagradável, bem diferente das frutas doces que comemos hoje. Os achados, publicados no periódico Molecular Biology and Evolution, mostram que os antigos saharani já consumiam as sementes antes da polpa.
Como as sementes revelam dietas antigas
Quando arqueólogos escavaram Uan Muhuggiag, no Saara, no século 20, encontraram sementes, ossos e artefatos enterrados juntos. Radiografias de alta resolução revelaram marcas características de mordidas humanas nas sementes.
Essas marcas sugerem que os pastores as consumiam diretamente e provavelmente não cuspiam o núcleo. A decodificação do DNA dessa semente abriu caminho para entender como a melancia passou de uma planta selvagem amarga a uma colheita doce e domesticada.
Arqueólogos e geneticistas usam métodos diferentes para investigar essa evolução. Os pesquisadores compararam o DNA de espécies vivas de melancia e construíram árvores evolutivas para mostrar como a melancia domesticada se relaciona com parentes selvagens e outras plantas da família das cucurbitáceas, grupo que inclui abóbora, pepino e melão.
Também analisaram folhas de 47 espécimes de melancia, colhidas entre 1892 e 1927 em cinco continentes e preservadas no herbário de Kew, e a análise ampliou o escopo da pesquisa genética. Com esses dados, cientistas cruzaram melancias domesticadas com parentes evolutivos para desenvolver variedades mais resistentes a doenças e pragas.
Do alimento selvagem à plantação domesticada
Restos de plantas, como sementes de melancia, ajudam arqueólogos a entender as dietas e os modos de vida de sociedades antigas. Em várias partes do mundo, ao longo dos séculos, coletores ajudaram plantas selvagens úteis a se proliferar ao espalhar sementes e eliminar espécies concorrentes.
Esse processo lento transformou espécies selvagens em colheitas domesticadas que já não conseguem sobreviver ou se reproduzir sem cuidados humanos. A história da melancia mostra a passagem do consumo de sementes para o consumo da polpa doce.













