No Norte do Paraná, produtores estão substituindo parte das áreas tradicionalmente ocupadas por laranja e café pelo avocado hass, variedade de abacate valorizada no comércio internacional. A mudança ganhou força nos últimos anos, impulsionada por problemas nos pomares de citros, pela necessidade de diversificar a produção e pela possibilidade de acessar mercados externos.
A aposta ocorre em um momento de expansão do comércio internacional da fruta. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de frutas somaram 632,85 mil toneladas, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Entre as principais frutas exportadas, o abacate teve o maior crescimento destacado pela Conab, com avanço de 93% nos embarques na comparação anual.
O mercado externo também ganhou um novo destino em 2026. Em abril, o Brasil obteve autorização para exportar abacate para a Arábia Saudita, ampliando a lista de compradores internacionais disponíveis para a fruta brasileira. O país saudita importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025.
Laranja e café dão lugar ao avocado
A mudança é particularmente visível no Norte do Paraná, principal região produtora de abacate do Estado. Produtores passaram a testar o avocado hass como alternativa à laranja de mesa depois que o greening comprometeu pomares e aumentou os custos e riscos da citricultura.
Edson Gudi, de Cornélio Procópio, está entre os agricultores que fizeram essa transição. Ele cultivava laranja desde 2000, mas perdeu parte dos pomares para o greening e decidiu investir no avocado. Os primeiros hectares foram plantados em 2020.
A mesma estratégia foi adotada por Cláudio Koguissi, de Assaí. O produtor implantou o avocado em uma área de cinco hectares anteriormente ocupada por laranja e café. A queda na remuneração do café também contribuiu para a decisão de diversificar a propriedade.
A conversão não ocorre de uma só vez. Como o abacateiro demora alguns anos para entrar em produção, os agricultores precisam manter outras atividades enquanto os novos pomares se desenvolvem.
Exigências e produção
- Padrão de exportação: o avocado hass tem casca mais espessa e escura e frutos menores, características valorizadas no mercado internacional.
- Qualidade: tamanho, aparência, conservação e controle fitossanitário são critérios importantes para acessar compradores externos.
- Assistência técnica: o IDR-Paraná orienta os produtores desde a implantação dos pomares até o manejo e a colheita.
- Resíduos: a produção para exportação exige controle rigoroso de defensivos e de danos físicos nos frutos.
- Entrada em produção: o pomar leva cerca de três anos para começar a produzir comercialmente, exigindo planejamento durante a formação.
- Produtividade: áreas acompanhadas pelo IDR-Paraná chegam a aproximadamente 15 toneladas por hectare a partir do quarto ano, conforme manejo e condições de cultivo.
- Rentabilidade: produtores do Norte paranaense relataram, em 2024, preços do avocado superiores aos do abacate tropical, principalmente para frutos destinados à exportação.
Por que o avocado atrai compradores externos
O mercado internacional concentra-se no avocado hass por causa de suas características físicas distintas. A casca é grossa e verde escura, e o peso varia entre 200 e 350 gramas — menor que o abacate tropical convencional.
Para atender aos padrões europeus, a produção exige frutas visualmente perfeitas e absolutamente livres de resíduos de agrotóxico. A partir de determinada fase do cultivo, recomenda-se o uso de produtos biológicos para atender aos padrões de qualidade exigidos.













