A automação do manejo do gado já permite que equipamentos programados acionem a abertura de cercas elétricas e emitam sinais sonoros para indicar aos animais o momento de mudar de piquete.
A tecnologia não surgiu apenas em 2026, mas ganhou espaço mais recentemente dentro de um movimento maior de digitalização das fazendas, que combina automação, sensores, conectividade e inteligência artificial para reduzir tarefas repetitivas e tornar o uso das pastagens mais preciso.
A tecnologia não substituiu o peão — o transformou em gestor de dados. Liberada para estratégia de pastagem e cuidado individualizado, a equipe agora concentra tempo nessas demandas, enquanto sensores cuidam do monitoramento rotineiro.
O gado aprende a seguir o sinal
Um exemplo é a chamada “vela automática”, dispositivo programado para levantar o fio da cerca elétrica e emitir um aviso sonoro. O gado aprende a associar o som à abertura da passagem e pode seguir para o novo piquete sem a presença constante do peão.
A tecnologia aproveita a capacidade de aprendizagem dos bovinos, já observada em estudos de cercamento virtual:
- Sinal sonoro: indica a abertura de uma nova área.
- Cerca levantada: libera a passagem para o próximo piquete.
- Rotina previsível: facilita a adaptação do rebanho ao manejo automatizado.
Pesquisas da CSIRO mostram que novilhas aprenderam uma nova linha de cerca em cerca de 48 horas e permaneceram nas áreas determinadas em pelo menos 96,7% do tempo. Em testes comerciais mais recentes na Austrália, 95% das interações com a fronteira ocorreram apenas após o sinal sonoro, sem necessidade de estímulo elétrico.
A automação vai além das cercas. Na Austrália, pesquisadores desenvolvem robôs capazes de percorrer pastagens, identificar animais, analisar a vegetação e auxiliar na condução do rebanho. O SwagBot, da Universidade de Sydney, evoluiu de um protótipo para uma plataforma equipada com sensores e inteligência artificial, usada no monitoramento de animais e pastagens.
Em projetos apoiados pela Meat & Livestock Australia, o robô também foi empregado para:
- medir a biomassa das pastagens;
- rastrear animais;
- identificar plantas invasoras;
- percorrer terrenos acidentados e detectar obstáculos.
Com esses dados, o manejo pode deixar de seguir apenas horários fixos e considerar a quantidade e a qualidade da forragem para definir quando e onde deslocar o gado, reduzindo o uso excessivo de uma mesma área.
Água monitorada em tempo real
A automação também chegou aos bebedouros. Sensores conectados monitoram níveis de água, fluxo e funcionamento de reservatórios e enviam os dados para plataformas digitais. Projetos australianos utilizam redes LoRaWAN, que consomem pouca energia e permitem transmitir informações a longas distâncias, mesmo onde o sinal de celular é limitado.
Além de indicar se há água disponível, sensores de fluxo podem detectar vazamentos, falhas em boias e problemas nas tubulações, permitindo que a equipe seja acionada antes de uma ronda presencial. Em 2026, testes apoiados pela Meat & Livestock Australia também avançaram no uso de conectividade via satélite de baixo consumo para sensores de IoT, ampliando o monitoramento em propriedades sem cobertura terrestre.













