Uma semente de tâmara de 2 mil anos germinou em laboratório décadas depois de ser descoberta.
O experimento, realizado no Instituto Arava para Estudos Ambientais, resgata uma espécie extinta, a tâmara da Judeia Antiga, e ajuda a investigar técnicas ancestrais de cultivo e a possível relevância dessas práticas para a agronomia moderna.
Em agosto de 2021, uma das árvores ressuscitadas, chamada Hannah, produziu quase 700 tâmaras. No ano anterior, o mesmo exemplar havia produzido 111 tâmaras.
O sabor das tâmaras é semelhante ao Medjool, com textura semisseca e notas de mel.
Tâmara extinta ressurge após dois mil anos enterrada
Tudo começou em meados de 1960, quando escavações arqueológicas em Masada revelaram sementes de tâmara Phoenix dactylifera enterradas sob entulhos do Palácio Norte.
As sementes permaneceram armazenadas por mais de 40 anos, até que um projeto liderado pela Dra. Sarah Sallon, diretora do Centro de Medicina Natural Louis L.
Borick do Hospital Hadassah, buscou germiná-las para reintroduzir plantas extintas na região.
Em 2005, a Dra. Elaine Solowey, diretora do Centro para Agricultura Sustentável do Instituto Arava, germinou uma dessas sementes milenares, em um feito inicialmente considerado botanicamente impossível.
A árvore resultante recebeu o nome Methuselah, tornando-se a semente mais antiga cultivada com sucesso e atraindo atenção internacional.
Do laboratório para o campo
Após o sucesso inicial, Solowey e Sallon expandiram o experimento. Selecionaram 32 sementes intactas adicionais, das quais 6 conseguiram brotar.
O processo de germinação envolvia aquecimento e hidratação lentos e graduais das sementes, seguidos da aplicação de ácido giberélico, um hormônio vegetal promotor do crescimento, e fertilizante enzimático.
Em 2019, três das seis árvores germinadas, Adam, Jonah e Hannah, foram transferidas de suas estufas para plantio ao ar livre no Parque de Pesquisa e Visitação Daniel Fischel & Sylvia Neil do Instituto Arava.
Methuselah foi identificado como macho, enquanto testes de DNA revelaram que duas das árvores subsequentes são fêmeas, permitindo a polinização cruzada e a produção de frutos.
Hannah, uma das fêmeas, produziu sua primeira colheita de 111 tâmaras no início de setembro de 2020. Em 2021, depois de ser polinizada por Methuselah, Adam e Jonah, Hannah produziu quase 700 tâmaras.
Por que ressuscitar uma espécie extinta
O projeto busca redescobrir as origens da histórica população de tâmaras da Judeia Antiga e confirmar a resistência de longo prazo das sementes ao armazenamento.
Também investiga as técnicas ancestrais que permitiam cultivar esse fruto e sua possível relevância para a agronomia moderna de tâmaras.
As tâmaras colhidas em 2021 foram armazenadas sob refrigeração, e no outono daquele ano, o Instituto Arava planejava vender uma quantidade limitada na pousada do Kibbutz Ketura.
Algumas tâmaras também foram encaminhadas para pesquisas adicionais sobre as propriedades dessa variedade ancestral.
Um legado vivo para o futuro
Os nomes dados às árvores, Adam, Jonah, Hannah, além do original Methuselah, refletem o caráter sagrado e histórico do projeto.
Cada exemplar representa a recuperação de um conhecimento agrícola perdido e a possibilidade de restaurar espécies vegetais desaparecidas há milênios.
O trabalho de Solowey e Sallon mostra como a ciência conecta passado e presente ao trazer de volta sementes e investigar as histórias e técnicas agrícolas associadas a elas.













