Uma fazenda de mirtilos no Oregon, nos Estados Unidos, encontrou nos lasers uma alternativa para reduzir os prejuízos causados por aves durante a colheita.
Na safra anterior, tordos e estorninhos consumiram cerca de um quarto da produção de uma propriedade de 68 hectares, no pior ataque de pássaros já registrado no local.
Diante do prejuízo, a fazenda abandonou parte das estratégias convencionais de afugentamento e instalou seis unidades do Agrilaser Autonomics.
Os equipamentos, montados sobre pedestais, projetam continuamente um feixe de luz verde que percorre a plantação em movimentos de vaivém.
A tecnologia funciona com base na reação das aves ao laser. O movimento da luz é interpretado pelos animais como a aproximação de um predador, fazendo com que deixem a área antes de pousar sobre as plantas.
Segundo a estimativa da propriedade, o sistema ajudou a preservar cerca de 262,5 mil quilos de mirtilos, avaliados em US$ 99.733.
Como o laser verde confunde os pássaros
Segundo a empresa, clientes que instalam o Agrilaser Autonomics costumam registrar quedas na população de aves entre 70% e 99%, o que torna o caso do Oregon um dos melhores já observados.
Quatro anos de testes com cores, comprimentos de onda e larguras de feixe levaram a equipe a escolher o verde como padrão final, aplicando filtros que cortam a radiação infravermelha nociva.
A empresa escolheu o verde porque essa cor envia a maior quantidade de sinais dos olhos das aves para o cérebro, sendo percebida como mais intensa, aproximadamente oito vezes mais eficaz do que o vermelho.
Padrão de varredura é personalizado por local
Além da tonalidade escolhida, o desempenho do sistema depende bastante do trajeto que a luz percorre ao se deslocar pela lavoura.
A empresa, hoje com 30 funcionários, testou diferentes padrões de varredura e percebeu que alguns afugentam as aves com mais consistência do que outros.
Por isso, programou cada instalação de forma personalizada.
Fazendas ao redor do mundo já adotam a tecnologia, e entre elas está uma unidade de pesquisa de mirtilo orgânico ligada à Universidade Estadual do Oregon.
Os mesmos lasers também afastam gansos de aeroportos, afugentam gaivotas de plataformas de petróleo e evitam que aves pousem em fábricas de processamento de alimentos e em barcos de pesca, um total de mais de 6.000 instalações em todo o mundo.
Custo e rotina de uso dos equipamentos
Cada canhão movido a energia solar custa cerca de US$ 10.000, e a maioria das propriedades precisa de mais de uma unidade para cobrir toda a área.
Na maioria das fazendas, o acionamento segue uma programação fixa, concentrada no início da manhã e no fim da tarde, quando as aves costumam se alimentar.
Já em embarcações de pesca, os equipamentos podem permanecer ativos ininterruptamente.
Limitações da tecnologia atual
Os equipamentos ainda funcionam de forma programada, sem capacidade de identificar um pássaro específico ou reagir automaticamente à aproximação de uma ave.
A Universidade Purdue também acompanha o uso de lasers agrícolas como alternativa aos métodos tradicionais de manejo de aves em plantações.
Enquanto a tecnologia não ganha capacidade de mira automática, o modelo programado por horário continua sendo a principal ferramenta contra prejuízos como o registrado na fazenda de mirtilos do Oregon.













