A Enel Distribuição São Paulo encontrou uma forma de transformar áreas que possuem restrições de ocupação em espaços produtivos.
Sob linhas de transmissão, terrenos antes sem uso convencional passaram a abrigar hortas urbanas que produzem cerca de 3 toneladas de alimentos por mês e ajudam a gerar renda para aproximadamente 80 pequenos agricultores.
A iniciativa faz parte do programa Hortas em Rede, criado em 2018. Atualmente, o projeto conta com 51 contratos de comodato ativos e alcança comunidades em municípios da área de atuação da distribuidora.
A proposta combina produção de alimentos, geração de renda e aproveitamento sustentável de áreas urbanas que, pelas características técnicas, não poderiam receber construções convencionais.
Produção e geração de renda para famílias
Quem cultiva nas hortas comercializa os produtos diretamente em feiras e circuitos locais, mantendo a renda dentro da comunidade.
O contrato de comodato oferece segurança jurídica ao agricultor e à empresa. Também inclui orientação técnica, capacitação e assistência para acessar programas de apoio público.
O suporte varia conforme cada espaço, e infraestrutura, irrigação, insumos e orientação de cultivo são adaptados às características do terreno e às parcerias locais.
O programa também evita ocupações irregulares e o descarte inadequado de resíduos, além de fortalecer a relação entre a distribuidora, as administrações municipais e os moradores das regiões onde as hortas funcionam.
Benefícios para o clima e o ar das cidades
Áreas verdes em ambientes urbanos absorvem a água da chuva, reduzem enchentes e baixam a temperatura das ruas. Esses efeitos ganham importância conforme as cidades lidam com extremos climáticos.
O solo permeável das hortas facilita a infiltração da água e reduz alagamentos, enquanto a vegetação melhora a qualidade do ar e alimenta a fauna local.
A produção próxima dos consumidores reduz as distâncias de transporte e as emissões. O programa também promove economia circular: a compostagem transforma resíduos orgânicos e podas em adubo, reduzindo o desperdício.
O Relato de Impacto do Hortas em Rede registra que a iniciativa reforça a capacidade de adaptação das cidades a eventos climáticos cada vez mais intensos.
Função socioambiental em terrenos com restrição de uso
Terrenos sob linhas de alta tensão normalmente não podem ser ocupados de forma convencional por causa de restrições técnicas.
Essa restrição cria espaços ociosos nas cidades, e a agricultura urbana dá função ambiental e social a essas áreas sob fios e faixas de servidão.
O programa atende 24 municípios na área de cobertura da Enel Distribuição São Paulo.
Hortas ajudam no enfrentamento do calor
Os benefícios do projeto não estão restritos à produção de alimentos. A presença de vegetação e de solo permeável também pode contribuir para o funcionamento ambiental das áreas urbanas.
Nas hortas, o solo permite maior infiltração da água da chuva, ajudando a reduzir o escoamento superficial e, consequentemente, a pressão sobre os sistemas de drenagem durante períodos de precipitação intensa.
A vegetação também contribui para amenizar as temperaturas locais, melhorar as condições do ar e criar espaços que podem servir de abrigo ou fonte de alimento para animais.
Produção próxima reduz deslocamentos
Outro efeito associado à agricultura urbana é a proximidade entre o local de produção e os consumidores.
Quando os alimentos são comercializados em feiras e circuitos próximos às áreas onde são cultivados, há potencial para reduzir as distâncias percorridas pelos produtos.
O modelo também incorpora práticas de economia circular. Resíduos orgânicos e restos de poda podem passar por compostagem e retornar às hortas na forma de adubo, diminuindo o volume de materiais descartados.
Segundo o Relato de Impacto do Hortas em Rede, a combinação dessas práticas contribui para aumentar a capacidade de adaptação das comunidades diante de eventos climáticos.













