Entre as décadas de 1990 e 2000, o nome Bandido cruzou fronteiras e se firmou entre os grandes rivais dos peões nas arenas de rodeio.
O touro se tornou praticamente imbatível nas competições e conquistou um lugar na história do rodeio brasileiro.
Goiano de nascença, o touro veio ao mundo em 1994 e teve como primeiro proprietário um cigano, autor do apelido que carregaria até o fim.
Em 2001, o animal passou às mãos do tropeiro Paulo Emílio Marques, dono da Cia de Rodeios Paulo Emílio, em uma negociação de R$ 10 mil.
Segundo cálculos de leiloeiros do setor, caso fosse negociado hoje, o touro passaria facilmente da marca de R$ 1 milhão.
Bandido, o touro lendário das arenas brasileiras
Quando entrava em ação, o Bandido executava movimentos que impressionavam o público. Antes de cada montaria, arrastava uma das patas no chão e encarava as arquibancadas.
Ao longo de sua carreira, o animal derrubou mais de 200 peões, incluindo o tricampeão mundial Adriano Moraes.
Apenas Carlos de Jesus Boaventura, conhecido como Carlinhos Boaventura, conquistou a façanha de permanecer oito segundos no animal durante o Rodeio de Jaguariúna, em São Paulo, no ano de 2001.
Treinamento e cuidados atléticos
Para manter a forma, o animal recebia manejo diferenciado na fazenda Santa Martha, em Icém (SP), propriedade de Paulo Emílio Marques.
A rotina incluía caminhadas regulares, sessões de natação e exercícios de pulo em pista privada, além de acompanhamento veterinário contínuo e alimentação balanceada.
No pico da forma, o animal atingiu 1,1 tonelada, acima da média de 700 a 800 quilos dos touros de rodeio convencionais.
Para viajar aos eventos, usava uma carreta exclusiva e climatizada, com água fresca e alimentação apropriada para a jornada, e durante o transporte, permanecia isolado.
O fim da carreira e seu legado genético
Em setembro de 2008, o Bandido encerrou a carreira competitiva depois que exames detectaram um câncer de pele maligno próximo ao olho esquerdo.
Mesmo com a quimioterapia, a doença avançou para a cabeça, os pulmões e a garganta.
O Bandido morreu em 4 de janeiro de 2009, na fazenda de Icém. Centenas de admiradores compareceram à cerimônia realizada no Parque do Peão, em Barretos (SP).
No local, também foi erguido um monumento em sua memória, que se tornou ponto de visitação durante o evento tradicional da cidade.
Antes de morrer, o animal deixou cerca de 70 descendentes e duas mil doses de sêmen congelado para a pecuária esportiva.
Seu material genético permitiu a criação de quatro clones em laboratórios nacionais. Entre os clones estavam Zangão, Matador e Carrancudo, e zangão é o que mais se assemelha ao pai.
Já em 2019, o cruzamento genético com o touro Agressivo, viabilizado por fertilização in vitro, resultou no nascimento de um novo bezerro.
Descendentes mantêm história viva
Mais de uma década após sua morte, o touro continua lembrado por sua trajetória nas arenas, pela dificuldade que impunha aos competidores e pela influência genética deixada para as gerações seguintes.
Bandido deixou de ser apenas um animal de competição e passou a ocupar um lugar particular na memória do rodeio brasileiro, como símbolo de força, desempenho e de uma era em que alguns touros se transformaram em verdadeiras celebridades das arenas.













