Três árvores plantadas há mais de um século em uma propriedade rural nos Tablelands do sul de NSW guardavam segredo sobre a maçã Rymer, variedade inglesa considerada extinta antes de 1995.
O exame de DNA confirmou que aquelas plantas eram da variedade Rymer, uma maçã inglesa considerada extinta antes de 1995.
Com a descoberta, a Austrália se tornou o quarto país do mundo onde ela ainda existe.
Rudi Stachow cresceu comendo os frutos que seu pai propagara no quintal da fazenda da família.
Aos 76 anos, nunca havia conhecido aquela variedade por outro nome: para ele, sempre foram Rymers.
Durante a infância de Stachow na região, o fruto, doce e ligeiramente ácido, crescia em três árvores de cores vivas.
Maçã Rymer extinta reencontrada na Austrália após século
Gary Sully, produtor de sidra de Braidwood que se autodenomina “nerd de maçãs”, visitou a propriedade de Stachow em 2008 e reconheceu algo familiar naquelas plantas.
Ele gostou de encontrar aquelas árvores, plantou mudas para si mesmo e, em 2023, entrou em contato com a Marcher Apple Network, organização britânica especializada em variedades perdidas.
Foi com a Marcher Apple Network que a ideia de confirmar a identidade ganhou força.
Durante 20 anos, a organização havia descoberto outros exemplares da variedade: seis em Gales, um na Índia e outro nos Estados Unidos.
O último exemplar antes desta confirmação havia sido encontrado em 2005. Ainsleigh Rice, membro da organização, foi contatado para ajudar na verificação.
A Rymer é uma maçã inglesa de cozinha, de grande tamanho, pele lisa e polpa amarelada.
DNA prova a identidade histórica
Para confirmar que a Austrália abrigava árvores da variedade Rymer, era necessário um teste de DNA.
Sully e Stachow coletaram folhas das árvores em Majors Creek, propriedade a cerca de 300 quilômetros a sudoeste de Sydney.
Eles armazenaram as folhas em sacos de chá com gel de sílica e enviaram as amostras para o exterior.
Enquanto isso, Stachow rastreou registros históricos da origem daquelas plantas.
O trabalho revelou uma linha clara até o século 19: as árvores foram plantadas por volta de 1895 por Fredrick Routley e seu pai Richard Routley, colonizadores da região.
No final de 2023, o resultado positivo confirmou a identidade das árvores que Stachow havia preservado na memória.
A confirmação tocou Stachow, último guardião vivo daquele conhecimento.
Preservação em andamento
As três árvores Rymer originais plantadas pelo pai de Stachow permanecem, mas seus troncos estão apodrecendo.
Para preservar a variedade, Sully tem cultivado dezenas de novas mudas em seu próprio quintal.
Para Sully, entre todas as variedades em que a rede havia acreditado, esta foi a mais inegavelmente confirmada e envolveu o maior número de pessoas ao longo do período mais extenso.
Stachow viajou ao Reino Unido para celebrar o reconhecimento oficial daquelas três árvores esquecidas. O fruto que comeu na infância voltava ao mapa mundial das variedades vivas.
Sandra Rayner, que comprou a propriedade em 2015, disse estar feliz por fornecer frutos frescos a Sully sempre que necessário.
Para ela, a descoberta foi impactante: durante anos, ela e o marido, Craig, haviam comido as maçãs Rymer sem conhecer sua raridade.













