Vacas leiteiras expostas a calor excessivo no curral produzem menos leite e ficam mais vulneráveis a doenças.
Isso ocorre porque o calor produzido pelo metabolismo corporal, somado ao calor absorvido do ambiente, desvia recursos que poderiam ser usados na produção de leite.
Pequenos ajustes no ambiente onde os animais ficam podem aumentar diretamente a quantidade e a qualidade do leite entregue pelo rebanho.
Sistemas como o free-stall e o compost barn são soluções práticas para esse problema.
A escolha entre esses modelos deve ser feita com o médico-veterinário responsável pelo rebanho, que avaliará o mais adequado para cada propriedade.
Um manejo bem planejado no curral já reduz o impacto do calor sobre o gado.
Impacto do calor sobre as vacas leiteiras
Quando a temperatura sobe, o gado leiteiro passa a salivar mais e a respirar com dificuldade, num esforço para dissipar o calor acumulado no corpo.
Esse desconforto faz o animal preferir ficar em pé e reduz o tempo de descanso deitado.
A vaca produz a maior parte do leite quando descansa o suficiente. As condições térmicas desfavoráveis ao bem-estar também reduzem a fertilidade do rebanho.
O apetite despenca com a temperatura
O calor também reduz o consumo de alimento e compromete o metabolismo basal e a manutenção da temperatura corporal.
Quanto maior o desconforto térmico, maior a queda no apetite.
A 32 °C, a alimentação de vacas holandesas em lactação já cai 20%. A 40 °C, o consumo de vacas holandesas em lactação pode chegar a zero, um cenário que compromete toda a cadeia produtiva.
Frio também traz riscos aos mais jovens
Enquanto o calor prejudica principalmente o gado adulto, o frio se torna um problema para os animais mais novos.
A explicação está na dificuldade desses bichos em gerar calor interno de forma eficiente.
Nas vacas adultas, esse calor interno vem da fermentação que ocorre no rúmen, um dos quatro compartimentos do estômago bovino.
Animais muito jovens ainda produzem pouco calor interno, o que os deixa mais expostos ao frio.
Os sistemas free-stall e compost barn
Duas alternativas protegem o gado contra variações de temperatura no curral: o free-stall e o compost barn. Ambos ajudam a reduzir a necessidade de medicação e aumentam a produção de leite do rebanho.
Esses sistemas também reduzem o descarte de leite e evitam doenças, sobretudo as que afetam o casco e a glândula mamária dos animais.
Diminuem ainda a incidência de moscas e carrapatos e permitem maior controle da nutrição do rebanho.
Origem e funcionamento do free-stall e compost barn
O free-stall surgiu nos Estados Unidos, com galpão fechado e ventilação eficiente. O sistema oferece pista de alimentação, bebedouro com fluxo contínuo e área externa para exercício.
As camas individuais são forradas com borracha, serragem ou areia. A areia é o material mais eficiente para dissipar o calor.
O compost barn também foi desenvolvido nos Estados Unidos e oferece conforto térmico por meio de ventilação eficiente.
Nesse sistema, os animais permanecem em um galpão com cama coletiva e livre circulação. A ventilação elimina o calor gerado pela compostagem.
As camas do compost barn são feitas de maravalha ou serragem, e os dejetos são incorporados por meio do reviramento diário.
O galpão tem pista de alimentação de concreto e bebedouros afastados da cama, o que evita umidade excessiva.
O objetivo dos dois sistemas é reduzir o estresse térmico e oferecer ao gado leiteiro condições para aumentar a produção de leite e reduzir doenças.
Molhar os animais em estado crítico e manter a ventilação ligada a partir de 16 graus ajudam. Os aspersores devem funcionar a partir de 18 graus.
A vaca deve permanecer molhada por 40 segundos a um minuto e, depois, receber quatro minutos de vento.
A velocidade do vento deve ser de 3 metros por segundo na cama e de 4 metros por segundo em áreas de resfriamento, como a pista de alimentação e a sala de espera.
Sistemas como aspersores de baixa pressão, nebulizadores de alta pressão e placas de resfriamento evaporativo funcionam pela evaporação da água, que transforma a água líquida em vapor.
Ajustar o curral com sombra, ventilação e um bom sistema de descanso já representa um avanço real.













