Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) simulam o ambiente espacial em laboratório para entender como as plantas reagem à microgravidade.
O projeto reúne especialistas do Brasil, da Itália e de Angola em busca de soluções para ajudar a agricultura terrestre a enfrentar as mudanças climáticas.
Sementes de grão-de-bico, estacas de batata-doce e estacas de cará integram os testes sobre o crescimento vegetal em condições especiais.
O clinorrotador mantém os materiais em rotação para simular a sensação de ausência de peso do ambiente espacial.
Como funciona o experimento de agricultura espacial em microgravidade
Um equipamento especial mantém as sementes em rotação constante para simular o ambiente de microgravidade.
Os pesquisadores estão na segunda repetição dos testes de germinação de grão-de-bico e já preparam os meios de cultivo que receberão estacas de batata-doce e cará nas fases seguintes.
O meio de cultura MS básico, desenvolvido pelo pesquisador angolano Adérito Tomás Pais da Cunha, recebe estacas assépticas da cultivar de batata-doce Anambé, da Embrapa, e de uma cultivar de cará da própria Esalq.
Na próxima etapa, os materiais vegetais serão instalados em um sistema CubeSat 2U para observação sob diferentes espectros de luz LED.
Por que pesquisar agricultura no espaço
Os pesquisadores buscam compreender como a ausência de peso interfere nos estágios iniciais do desenvolvimento vegetal.
A comparação entre plantas em microgravidade simulada e condições normais abrirá caminho para novas técnicas agrícolas aplicáveis na Terra diante das mudanças climáticas.
Cooperação internacional para a segurança alimentar
O professor Paulo Hercilio Viegas Rodrigues, do departamento de Produção Vegetal da Esalq, atua em colaboração com o Instituto Superior Politécnico da Cuanza Sul, em Angola.
A iniciativa de cooperação triangular “Agricultura Espacial como Motor Estratégico de Inovação para Gerar Soluções Aplicáveis à Agricultura Terrestre Diante das Mudanças Climáticas” é promovida pela Organização Ítalo-Latino-Americana Internacional (IILA) e conta com financiamento do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália.
Por meio dessa parceria, a pesquisa fortalece a troca de conhecimentos entre Europa, América Latina e África e incentiva a formação de novas capacidades científicas e tecnológicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.













