Um rio na Reserva Dimbangombe, no Zimbábue, perto das Cataratas Vitória, enfrentava degradação em sua bacia hidrográfica.
Entre 1998 e 1999, teve início um experimento inesperado: a introdução de rebanhos de gado em um sistema de pastoreio planejado para reverter os danos ambientais acumulados ao longo dos anos.
A reserva, que funciona desde 1992 como um dos principais locais de aplicação do manejo holístico de gado, ocupa 3.200 hectares em sua área de demonstração.
O conceito, desenvolvido pelo ecologista zimbabuense Allan Savory, propõe usar o gado como ferramenta de recuperação ambiental, concentrando os animais em períodos curtos seguidos de repouso prolongado do terreno, reproduzindo o padrão natural das grandes manadas selvagens africanas.
Reversão da degradação do rio com o pastoreio planejado
O sistema funciona porque as vacas não permanecem continuamente no mesmo lugar.
O pisoteio das vacas, o esterco e os resíduos vegetais cobrem e enriquecem o solo, o que melhora a infiltração da água da chuva e reduz a erosão.
Com mais vegetação e menos solo nu, o terreno retém a umidade por mais tempo. Os números mostram essa transformação ao longo de uma década.
O solo descoberto diminuiu 31%, enquanto a cobertura de serapilheira e material vegetal aumentou 56%.
As plantas perenes cresceram 12%, as gramíneas anuais indesejáveis caíram 21% e o movimento do solo foi reduzido em 17%.
Recuperação visível do ecossistema
Quando Savory adquiriu a propriedade, havia cerca de 100 vacas e o terreno estava deteriorado, com queimas frequentes.
O rebanho foi ampliado: 70 cabeças foram reintroduzidas em 1998 e 1999, chegando a 300 em 2009.
Cabras foram incorporadas em 2006 e ovelhas em 2009. O rio Dimbangombe mostrou sinais claros de recuperação: começou a manter água por mais tempo na estação seca, mesmo em anos de precipitação média, e passou a ter mais poças permanentes.
O monitoramento realizado em nove locais da reserva documentou essa transformação na paisagem.













