Orange, no Centro-Oeste de Nova Gales do Sul, tornou-se uma alternativa para vinícolas do Vale do Hunter por causa das mudanças climáticas e da preferência por vinhos leves. Seus vinhedos, em altitudes entre 600 e 1.390 metros acima do nível do mar, têm um clima naturalmente mais fresco.
Esse clima favorece estilos de vinho que ficam cada vez mais difíceis de produzir nas regiões quentes. A tendência acompanha uma mudança na indústria vinícola australiana: o aquecimento global leva grandes produtores a buscar uvas em locais mais frios.
Ross McDonald, proprietário da Macquariedale Organic Wines, deixou o Vale do Hunter em 2020 após duas décadas produzindo vinhos orgânicos lá — e encontrou em Orange tudo o que precisava para prosperar.
Por que o clima fresco importa agora
Vinhos mais leves exigem condições específicas de cultivo. Regiões como o Vale do Hunter, Barossa Valley e Margaret River, historicamente quentes, enfrentam desafios crescentes para manter a qualidade desses estilos com a elevação das temperaturas. Orange, classificada como região de clima fresco devido à sua altitude, oferece naturalmente as condições que os produtores de vinho buscam.
Os viticultores do Vale do Hunter reconhecem essa realidade e passaram a adquirir uvas de Orange e de outras encostas mais altas para complementar sua produção. Ross McDonald estimou que aproximadamente 50 por cento das uvas processadas no Vale do Hunter já não são cultivadas na região, e orange representa uma parcela significativa dessa mudança.
Uvas também vêm de regiões ainda mais distantes, inclusive de áreas próximas aos Snowy Mountains.

A regulação permite flexibilidade, mas com limites
As regras de rotulagem da Wine Australia exigem que pelo menos 85 por cento das uvas de um vinho provenham de uma região para que ela seja nomeada no rótulo. Isso significa que uma adega do Vale do Hunter pode vender vinho produzido principalmente com uvas de Orange, desde que não o identifique como “Vale do Hunter” no rótulo.
Não existem restrições sobre onde o vinho pode ser comercializado, apenas sobre como pode ser nomeado. Essa flexibilidade permitiu que os viticultores se adaptassem rapidamente, e a Associação de Vinho e Turismo do Vale do Hunter diz que a variabilidade climática — com chuvas mais intensas.
Períodos de calor prolongado e mudanças sazonais — tornou necessário buscar uvas em outras regiões. Quando as colheitas locais caem ou sofrem perdas, as vinícolas mantêm o abastecimento recorrendo a fornecedores de regiões mais frescas.
A história de uma mudança geracional
Orange começou a ser cultivada com maçãs, cerejas e frutas de caroço na década de 1860, mas só se tornou uma região vinícola a partir dos anos 1980. Quando os primeiros vinhedos foram estabelecidos, a maior parte das uvas era destinada a vinícolas do Vale do Hunter, segundo Lisa De Diana, secretária da Associação de Viticultores da Região de Orange.
Hoje, porém, a maioria dos viticultores de Orange prefere produzir seus próprios vinhos, também segundo De Diana.
As encostas vulcânicas da região oferecem solos ricos em nutrientes e um microclima único. Essas características atraem viticultores e investidores atentos às mudanças climáticas. Para McDonald, a decisão de se mudar foi clara: Orange oferecia estabilidade em um setor cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas globais.

Orange começou como região de frutas, não de vinho
A história de Orange como região agrícola remonta aos anos 1860, quando produtores plantavam maçãs, cerejas e frutas de caroço. O vinho só entrou na atividade local a partir dos anos 1980, quando Orange começou a ser reconhecida como região vinícola. No início, as uvas produzidas lá eram vendidas a vinícolas de outras regiões, especialmente do Vale do Hunter.
A região passou de fornecedora a produtora independente à medida que o vinho de clima fresco ganhou espaço no mercado.
Se Orange cresce uvas boas, por que o Hunter Valley não perde importância?
O Vale do Hunter não perde importância porque ainda produz excelentes vinhos. A mudança é uma adaptação às temperaturas mais altas, não uma perda de qualidade. A região é famosa há décadas por seus shiraz e semillon. Agora, para manter certos estilos, especialmente os mais leves, os produtores buscam uvas de lugares mais frios, como Orange.
Em vez de abandonar o Vale do Hunter, as vinícolas complementam sua produção com uvas de outras regiões para atender à demanda por vinhos mais frescos e delicados.













