Até 1.113 terminais estão previstos para atender locais sem conexão convencional; tecnologia da Starlink, de Elon Musk, levará dados de comunidades isoladas à Justiça Eleitoral
A infraestrutura de satélites da Starlink será utilizada para transmitir resultados de urnas eletrônicas em locais remotos nas Eleições 2026. O planejamento prevê até 1.113 terminais, com atendimento em 13 estados, para superar a falta de conexão convencional em pontos de votação de difícil acesso. A operação será viabilizada pela Hughes Telecomunicações do Brasil, vencedora da licitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas e localidades isoladas, a medida busca acelerar o envio dos arquivos eleitorais. A conexão será utilizada depois do encerramento da votação, por meio do sistema JE-Connect. Os tribunais regionais eleitorais definirão os locais contemplados conforme as necessidades de cada região.
Como a Starlink será utilizada nas eleições
A Hughes fornecerá o serviço de comunicação empregando a infraestrutura Starlink. A função dessa conexão é permitir que equipes eleitorais encaminhem os arquivos produzidos pelas urnas à rede da Justiça Eleitoral, inclusive onde as redes convencionais não estão disponíveis. O fornecimento da conectividade não transfere à empresa a responsabilidade pela apuração ou pela totalização.
Em Mato Grosso, técnicos responsáveis pela transmissão via satélite passaram por treinamento para operar em locais sem internet ou com acesso mais lento. Segundo o TRE-MT, as equipes utilizarão o JE-Connect, e a tecnologia Starlink permite estabelecer a conexão em aproximadamente cinco minutos.
As urnas continuam funcionando sem internet
A urna eletrônica utilizada para votar permanece sem conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth. Ao término da votação, o equipamento imprime o Boletim de Urna e grava os dados do resultado em uma mídia. A transmissão dos arquivos ocorre em uma etapa posterior.
O Boletim de Urna registra a apuração daquela seção e permite comparar os números impressos com os resultados posteriormente divulgados pelo TSE. Essa conferência pode ser feita por mesários, fiscais partidários e eleitores.
Conforme esclarecimento da Justiça Eleitoral, o envio utiliza criptografia e assinatura digital, com verificações dos arquivos recebidos. A operadora de telecomunicações fornece o transporte dos dados, enquanto o processamento eleitoral permanece sob controle dos sistemas da instituição.
Quais estados receberão os terminais
A distribuição informada pelo TSE à CNN Brasil contempla os seguintes quantitativos:
| Estado ou unidade | Terminais previstos |
|---|---|
| Amazonas | 350 |
| Pará | 350 |
| Mato Grosso | 117 |
| Acre | 91 |
| Maranhão | 60 |
| Roraima | 60 |
| Amapá | 53 |
| Mato Grosso do Sul | 9 |
| Goiás | 5 |
| Piauí | 5 |
| Bahia | 4 |
| Paraná | 4 |
| São Paulo | 3 |
| Sede do TSE | 2 |
| Total | 1.113 |
Amazonas e Pará concentram 700 terminais, aproximadamente 63% do total da distribuição apresentada. Além dos equipamentos destinados aos 13 estados, a relação inclui duas unidades para a sede do TSE.
Tecnologia atende o desafio das comunidades isoladas
No Acre, o tribunal regional recebeu 91 antenas Starlink Mini para ampliar a conectividade em locais de difícil acesso. A solução utiliza satélites de baixa órbita e substituirá equipamentos BGAN no envio dos arquivos eleitorais nessas localidades.
No Amazonas, o planejamento regional prevê equipamentos em 420 locais de votação de difícil acesso, principalmente comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas. Esse número corresponde a locais atendidos no planejamento estadual e deve ser distinguido da quantidade de terminais apresentada na distribuição nacional.
Para o público do campo, a iniciativa evidencia um desafio conhecido: a distância e a ausência de infraestrutura de comunicação dificultam serviços que dependem do envio de informações. Nesta operação eleitoral, a conexão via satélite será empregada para reduzir esse obstáculo logístico e agilizar a chegada dos resultados de áreas remotas.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.