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Projeto faz levantamento dos maiores vendedores de touros de raças taurinas do Brasil, edição do levantamento revela a demanda aquecida pelas raças sintéticas.

O Top 100 é um projeto único no Brasil, pois é uma das poucas estatísticas disponíveis do mercado de touros, que, antes da iniciativa, praticamente inexistia. Para as associações promocionais, o Top 100 é uma oportunidade ímpar de mostrar ao mercado que suas raças e seus reprodutores têm demanda aquecida, e, para o criatório, independentemente da posição que figura, oferece a chance de estar entre os maiores vendedores de touros do País.

“As associações são informadas do levantamento a cada ano, e a divulgação do trabalho vem sendo ampliada a cada edição. O objetivo do Top 100 é auxiliar o mercado de reprodutores, mapeando e informando quais são os maiores vendedores de touros de raças europeias, britânicas e sintéticas. Pois, o principal insumo que o levantamento irá dispor ao mercado é informação”, explica o médico-veterinário Fernando Furtado Velloso, um dos organizadores do projeto.

Top 100 “Os Maiores Vendedores de Touros do Brasil” Edição 2019

A média do número de touros vendidos pelos participantes ficou em 137 animais em 2018, partindo de 45 animais e chegando a 699, a forma de venda adotada ficou dividida entre venda na fazenda e leilões. Aproximadamente 53% dos touros foram comercializados diretamente na propriedade, e 47% dos touros foram negociados em remates (próprios ou de terceiros).

Apenas três fazendas participantes do Top 100 informaram não participar de nenhum programa de melhoramento genético. A raça Brangus lidera o levantamento em 2019 com 1.527 touros vendidos de um total de 5.620 entre todas as raças taurinas e sintéticas, representando 27% do total. Já a raça Angus é a segunda mais representativa, com a venda de 1.376 touros, equivalente a 24,5% do total, enquanto a raça Braford é a terceira mais citada, com a comercialização de 1.153 touros, equivalente a 20,5% do total.

O grupo Angus/Brangus totalizou 2.903 animais, representando 51,6% do todo; o grupo Hereford/Braford totalizou 1.430 touros, representando 25,5% de tudo; os dois grupos somados representam 77,1% dos animais vendidos pelos participantes do levantamento, demonstrando a grande importância dessas raças no mercado de taurinos e por que não dizer para a pecuária nacional.

“O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de vendedores no Top 100 – Taurinos, com 26 das 41 fazendas participantes (63%). No número total de touros, a proporção é quase a mesma, 65% ou 3.663 reprodutores. São Paulo é o segundo estado mais representativo, com o comércio de 773 touros, representando 13,75% da amostragem total. Não esquecendo os estados de PR, SC, MS e GO, que também participam do levantamento”, frisa Velloso.

TOP 10 – Maiores vendedores de taurinos

top 10 maiores vendedores de taurinos no brasil
Fonte: Revista AG

1º Lugar – GAP Genética

A tetracampeã consecutiva do Top 100 – Taurinos, a Gap Genética, do selecionador Eduardo Macedo Linhares, de Uruguaiana/ RS, fomentou o mercado, em 2018, com 699 touros das raças Angus, Braford e Brangus. De 2015 a 2018, o criatório gaúcho informou a negociação de 2.878 reprodutores taurinos.

“Estamos festejando esta conquista junto à nossa equipe, verdadeira responsável pela manutenção desta liderança. Nos manter no topo será, daqui em diante, uma cobrança interna saudável, porque vem na direção do nosso verdadeiro propósito de produzir com qualidade, que é satisfazer o nosso cliente, contribuindo para o crescimento da pecuária e respeitando sempre o meio ambiente. Somos cientes do nosso papel nesta cadeia, que tem na produção de alimentos saudáveis uma tarefa árdua, porém nobre”, diz o diretor comercial da Gap Genética, João Paulo Schneider da Silva – o Kaju.

No balanço das médias de touros vendidos, o criatório considera duas situações: nos leilões, eles reservam a melhor genética para esses eventos, onde, além de receberem muitos clientes, os promovem transmitindo a todo o Brasil. “Nesse caso, o valor flutua entre R$ 9 e R$ 10 mil; contudo, precisamos considerar os descontos por fidelidade, que chegam a 10%. Nas vendas diretas, os preços médios ficam entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, dependendo do volume negociado. Não nos interessa afugentar clientes por preços. Nossa missão prevê a satisfação plena dos pecuaristas, e a relação custo-benefício se enquadra nesse objetivo”, afirma o diretor comercial da Gap Genética.

2º Lugar – Grupo Pintagueira

Também consolidado na segunda colocação geral do Top 100, mas imbatível nas ofertas de reprodutores da raça Braford, o criador do Grupo Pitangueira, Pedro Monteiro Lopes, já vendeu, nessas quatro edições, 2.003 exemplares de raçadores cara branca. Entretanto, no ano passado, o criatório de Itaqui/RS sentiu os efeitos da crise econômica brasileira, tanto que, em 2017, a fazenda comercializou 500 reprodutores Braford, e, na última safra, fechou as vendas com 366 animais, uma queda de 27%.

“Neste ano, achei que perderíamos a liderança na comercialização de touros Braford, dado que a crise econômica nos atingiu em cheio. Assim, foi necessário vender uma fazenda e enxugar o plantel. O lado bom de tudo isso é que estamos com as contas em dia e já adquirimos outra propriedade no Rio Grande do Sul. Logo, a previsão de produção de reprodutores para a safra 2019 supera 450 exemplares no RS e cerca de 200 no Brasil Central. Nossa meta ainda é de disponibilizar ao mercado mil animais nos próximos anos”, calcula o proprietário do Grupo Pitangueira.

3º Lugar – Cia Azul Agropecuária

Em terceiro lugar na lista, a Cia Azul Agropecuária, de Reynaldo Titoff Salvador, abasteceu a pecuária nacional com 334 reprodutores das raças Angus (195), Braford (92) e Brangus (47). “O grande segredo nosso para ampliar as vendas de touros das raças Angus, Brangus e Braford, em 2018, foi a facilitação das condições de pagamento e também o valor médio dos animais, que baixou em torno de 5%, em relação a 2017. Nós sentimos que o setor continua ávido por bovinos avaliados, com dados de DEPs, de produtividade, e as raças sintéticas continuam com muita liquidez. Já o Angus foi um pouco mais devagar”, avalia Salvador.

Segundo ele, o grande desafio ainda é levar animais europeus aos trópicos. Isso só é possível em locais onde as pessoas estejam acostumadas a manejar o taurino britânico. “Um estado que vem surpreendendo muito em termos de crescimento é Minas Gerais, com muitos dos nossos clientes adquirindo animais e genética Angus.

Para ter acesso à matéria completa, clique aqui.

Publicado na Revista AG (Junho, 2019)

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