Veja qual a chave do sucesso do consórcio entre milho e leguminosas

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Pesquisa apontou o plantio consorciado com o feijão guandu anão como a melhor alternativa de manejo.
Pesquisa apontou o plantio consorciado com o feijão guandu anão como a melhor alternativa de manejo / Foto: Arquivo de Anastacia Fontanetti

Produtividade e qualidade da silagem de planta de milho em consórcio com leguminosas; prática de cultivo é comum entre os pequenos produtores

Vários autores* – A prática de cultivo de duas ou mais culturas no mesmo espaço e tempo é comum entre os pequenos produtores. Esta comum combinação em sistemas de consorciação envolve principalmente gramíneas e leguminosas, sendo que a escolha da combinação de culturas é a chave para o sucesso do consórcio. Fatores de incompatibilidade, tais como densidade de plantio, sistema radicular e competição por nutrientes precisam ser considerados.

Os sistemas de consórcio de milho com leguminosas são considerados as melhores combinações. Esta combinação pode garantir economia de nitrogênio e aumento da produção do milho, assim como maior produtividade por área e tempo e maiores retornos líquidos do sistema consorciado sobre a monocultura. Da mesma forma, elevam a produtividade por variedade, enquanto que cereais de monocultivo requerem uma área maior para atingir o mesmo rendimento que os cereais em um sistema consorciado.

O consórcio de cereais com leguminosas é importante devido a alguns potenciais benefícios, incluindo a melhoria da qualidade da forragem. É reportado que as leguminosas apresentam efeito significativo na altura das plantas, produção de folhas frescas e secas, de caule fresco, massa verde, e no conteúdo de proteína. Diante disso, é comum notar aumento no crescimento do milho em consórcio com leguminosas, resultante do maior aporte de nitrogênio no solo, efeitos que levam a aumentar a divisão e expansão celular, permitindo aumentar o tamanho de todas as partes morfológicas da planta de milho.

Um dos objetivos no consórcio de gramíneas com leguminosas é o aumento do teor de proteína da silagem produzida. O feijão guandu (Cajanus cajan) é uma das principais espécies capazes de aumentar a qualidade nutricional da forragem e a diversidade biológica no sistema de produção. Ferreira et al. (2015), avaliando o consórcio de milho com feijão guandu e Urochloa brizantha, demonstraram que a leguminosa não afetou a produtividade do milho porém aumentou a proteína da silagem.

Ligoski et al. (2020) trabalhando com silagem da planta de milho consorciada com feijão guandu e Urochloa brizantha relataram maior teor de proteína, fibra em detergente ácido, e lignina na silagem consorciada quando comparada com a silagem exclusiva de milho. Os autores ainda disseram que ambas as espécies consorciadas podem contribuir para o aumento do teor de proteína da silagem, especialmente o feijão guandu, pois pode atingir valores de até 27% de proteína. Portanto, a consorciação com leguminosas permite alterar a relação concentrado/volumoso da dieta, reduzindo os custos da dieta pela menor adição de suplementos proteicos.

Em adição, a produção de silagens consorciadas pode promover vários benefícios agronômicos na área cultivada. Tais como a redução da infestação de pragas, melhoria no ciclismo de nutrientes no solo, e consequente redução dos custos de produção. Além disso, a profundidade do sistema radicular juntamente com a fixação biológica de nitrogênio, faz com que o consórcio com leguminosas forneça quantidades significativas de nitrogênio ao sistema solo-planta.

A consorciação demonstra um alto potencial técnico de interação entre as culturas para a produção de alimentos para animais de melhor qualidade e em maior quantidade, bem como uma boa sustentabilidade ambiental, como a melhoria da fertilidade dos solos.

AutoresFelipe Pereira Cunha, Cristiele Dayane Cardoso dos Santos, Daisa Mirelle Borges Dias, Chrystiaine Helena Campos de Matos, José Ricardo Gouveia Capanema, Sabrina Ferreira Gonçalves, Charllys Richellyher da Silva, Kátia Cylene Guimarães, Marco Antônio Pereira da Silva

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