Wagyu: Dia de Campo em São Paulo apresenta a raça

Wagyu: Dia de Campo em São Paulo apresenta a raça

No Japão, Wagyu recebe massagem, toma cerveja e ouve música clássica
No Japão, Wagyu recebe massagem, toma cerveja e ouve música clássica Foto: Divulgação/Assessoria

Carne de gado japonês conquista paladar da alta gastronomia e oferece chances para o pecuarista driblar a crise. Evento também sedia a Exposição Nacional da raça

O ano de 2017 tem sido desafiador à pecuária brasileira. Margens de lucro mais estreitas desafiam a criatividade do pecuarista e premia aqueles mais ousados e criativos.

Um bom exemplo é o criador Daniel Steinbruch. O jovem empreendedor rural descobriu em um gado japonês a fórmula para desenvolver um negócio próspero, mesmo em tempos de crise. A raça bovina em questão é o Wagyu.

É aquela mesmo que toma cerveja, tem massagem, come arroz e ouve música clássica no Japão. Mas, no Brasil, o manejo é diferente. Em vez de cerveja, arroz e os luxos, capim e ração da mais alta qualidade. Sua carne tornou-se uma iguaria em todo mundo, inclusive por aqui.

Um quilo de carne Wagyu no varejo pode chegar facilmente a R$ 300 nos melhores supermercados brasileiros, que, por sua vez, remuneram à altura por uma matéria-prima com qualidade. Diferente dos outros bovinos, 60% da gordura corporal do animal é composta por ácidos graxos monoinsaturados, o bom colesterol (HDL).

A receita de sucesso desse negócio é justamente o que Steinbruch vai mostrar a quem participar do 4º Dia de Campo da Fazenda Angélica e 6º Leilão Kobe Premium, em Americana, no interior de São Paulo, dia 16 de setembro, às 8h.

Ele é um dos poucos pecuaristas do País a verticalizar a cadeia produtiva da carne bovina. Conceito sonhado por uma boa gama de produtores, o termo significa produzir pecuária do “pasto ao prato”.

Para tanto, Steinbruch conclui até o final do ano a construção de um frigorífico, também em Americana, para fazer a desossa e o porcionamento correto da carcaça. Os cortes de Wagyu vão um pouco além daqueles dos açougues.

Desta forma, o jovem pecuarista toma para si as margens de lucro que ficariam com a indústria e o varejo, entretanto, assumindo o desafio da distribuição. No momento, isso não é problema para a Fazenda Angélica. A propriedade de Steinbruch fornece bois para o Programa Kobe Premium.

Diferente de outras dezenas de marcas de carne existentes, ela abate apenas animais puros. Se viu um quilo de carne de Wagyu a R$ 70,00, duvide, pois, o mais provável é que seja proveniente de um animal cruzado com Nelore ou qualquer outra raça.

A pureza racial das linhas Kobe Premium é certificada pela Associação Brasileira dos Criadores de Wagyu, responsável pelos registros do bovino nipônico no território nacional. O rebanho brasileiro é estimado em 3 mil animais vivos.

Com a genética reprodutora, o frigorífico e a distribuição sob controle, falta apenas escala de produção. Daniel Steinbruch abate uma média de 150 animais por ano, ainda pouco perto do objetivo.“Estamos fazendo fertilização in vitro para aumentar o volume, porém, o embrião feito hoje demora quatro anos para ser abatido”, explica o criador. A solução foi criar um programa de fomento do qual qualquer pecuarista interessado que atenda as exigências possa ingressar.

Nesta iniciativa, os parceiros já recebiam preços acima do teto do boi gordo antes mesmo da crise deflagrada no mercado de carne bovina pela Operação Carne Fraca e a delação premiada dos irmãos Batista. “O fornecedor recebe uma remuneração que não seria obtida da forma convencional”, garante Steinbruch.

Ele paga de 1,4 a 2,2 vezes a cotação da arroba do boi gordo por animal. O prêmio varia conforme o grau de marmorização da carne (a gordura formada entre as fibras). Um boi puro Wagyu para corte pode ser adquirido por um valor acima de R$ 7 mil.

Carne de Wagyu se destaca pelo marmoreio elevado
Carne de Wagyu se destaca pelo marmoreio elevado
Foto: Divulgação/Assessoria

Começando a criação

Steinbruch já cria Wagyu há 11 anos e sabe da importância de municiar os parceiros com bons animais. Por este motivo, durante o 4º Dia de Campo da Fazenda Angélica realizará o 6º Leilão Kobe Premium para ofertar matrizes tiradas da reserva genética da propriedade.“Em raças com pouca oferta de animais qualquer novilha é considerada doadora e todo garrote é comercializado como touro. Não é isso que buscamos para o Wagyu. Queremos o melhor para nosso cliente”, relata.

Segundo explica, ele chegou ao ponto de abrir mão de uma vaca em 2012 que viria a ser mãe de uma novilha campeã nacional da raça, também vendida em 2015, desfazendo-se da linhagem vencedora.

Em Americana, a Steinbruch oferta no 6º Leilão Kobe Premium 25 novilhas. Elas fazem parte das 15% melhores que ficam no plantel de seleção e seguem com assistência técnica total no Programa Kobe Premium para que os pecuaristas parceiros adequem-se às diretrizes de fornecimento, ao menor custo de produção possível.

Se o negócio é promissor? “A demanda por carne Wagyu é muito superior à oferta. Isso porque atuamos em um mercado que busca qualidade e procedência da carne e que muito produtor insiste não enxergar. Em restaurantes da capital paulista um prato do cardápio Wagyu pode custar até R$ 200”, responde o proprietário da Fazenda Angélica.

Com um produto cobiçado no Brasil, base genética formada, uso de tecnologia de ponta, parceiros fiéis ao programa e o entreposto de desossa, Steinbruch escreve um história de sucesso na pecuária brasileira.

O 4º Dia de Campo da Fazenda Angélica receberá ainda criadores de Norte a Sul do Brasil para a Exposição Nacional da Raça Wagyu. Esta é a segunda edição realizada dentro da Fazenda Angélica. São aguardados cerca de 50 animais. Os visitantes do evento também participarão de um farm tour pela região.

Fonte: Assessoria Agropecuária

PARTILHAR

21 anos, Jales/SP.
Estudante de Jornalismo, fotógrafa e estagiaria em Assessoria de Imprensa.
Contato: jornalismo@comprerural.com