Zezé di Camargo, criador Nelore, investe na raça Senepol

Zezé di Camargo, criador Nelore, investe na raça Senepol

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Imagem: Ag.News

Nascem, agora em março, as primeiras crias Senepol de propriedade de Zezé di Camargo, grande criador Nelore aposta na franquia da raça.

Nascem em março as primeiras crias da Fábrica de Touros, a primeira franquia do setor de pecuária. O negócio tem parceria do cantor Zezé di Camargo, que deve fazer o papel de garoto-propaganda. Os touros são da raça Senepol, conhecida pela resistência e capacidade de reprodução.

A franquia é resultado da parceria entre o maior e mais experiente criador de Senepol do país, Ricardo Arantes, e José Carlos Semenzato, que tem 27 anos de experiência em franquias nas áreas de restaurante, idiomas, beleza e saúde.

Ricardo Arantes, dono da agropecuária Nova Vida, é herdeiro do pecuarista João Arantes Júnior, que trouxe do Caribe para o Brasil em 2000 as primeiras 56 vacas Senepol, formadas pelo cruzamento das raças n’dama, do Senegal, e a inglesa red poll. “Meu pai previa na época que o Senepol iria revolucionar a pecuária brasileira, mas seria necessário focar na reprodução de touros.”

Cobre 45 vacas e resiste a parasitas

O pecuarista afirmou que os grandes atrativos da raça são a capacidade de sobreviver em ambientes hostis, daí a adaptabilidade ao clima tropical brasileiro, a precocidade, fertilidade e qualidade da carne.

Um touro Senepol é capaz de cobrir 45 vacas no campo. O nelore, por exemplo, tem uma capacidade de montar 25 vacas no prazo teste de uma hora. O Senepol resiste ao calor e tem maior tolerância aos parasitas, como carrapatos. Além disso, o abate é antecipado em seis a oito meses.

O Senepol foi beneficiado pelo boom de ressurgimento do cruzamento industrial (união de duas raças com características complementares para produzir animais meio-sangue com qualidade superior) a partir de 2015.

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Foto: Divulgação

Carne certificada em supermercados

O país tem cerca de 1.000 criatórios de Senepol e mais de 100 mil animais puros registrados na Associação Brasileira do Senepol. Fundador da entidade e atual diretor de marketing, Ricardo Arantes disse que o projeto é ter já em 2020 carne certificada Senepol nas gôndulas, com pagamento de bônus de 10% a 15% aos produtores pelos frigoríficos.

Semenzato, da SMTZO Holding de Franquias, disse que a Fábrica de Touros pretende alcançar, em cinco anos, a produção de 15 mil touros por ano. O modelo de negócio é voltado para pequenos e médios produtores com área de 100 a 200 hectares.

Investimento mínimo de R$ 80 mil

O investimento mínimo varia de R$ 80 mil a R$ 120 mil e depende da quantidade de vacas barriga de aluguel que o pecuarista dispõe. Além da transferência dos embriões, a empresa se encarrega do nascimento e manejo do tourinho que será vendido para reprodução.

Lançado em setembro do ano passado, em Uberlândia (MG), com a presença de Zezé di Camargo, o negócio tem atualmente oito franqueados, a maioria em São Paulo. O pecuarista e médico veterinário Flavius Antonio Bueno Rubira, de São Paulo, é o dono das primeiras crias da franquia.

“Minha família cria gado há mais de 30 anos. O Senepol me convenceu porque tem genética boa e volume para atender grandes pecuaristas. É um animal que se adapta a locais extremamente quentes e com pouca água como o Tocantins e é capaz de cobrir muitas vacas sob sol intenso, sem suplementação alimentar e sem perder muito peso”, afirmou.

Nem todos se destacam como reprodutores

Rafael Telles, administrador da Fazenda Senepol da Barra, em Rifaina (SP), criatório que vende touros, doadoras, sêmen e embriões há quatro anos, alerta que mesmo no modelo de franquias o criador de Senepol precisa seguir as regras do programa de melhoramento genético.

“Não são todos os animais que são cabeceira, ou seja, aptos para serem vendidos como reprodutores. É preciso descartar aqueles com menos qualidade.” A Nova Vida, com plantel de 5.000 animais, diz que descarta 20% a cada ano. Segundo Telles, a taxa média de prenhez do Senepol com embrião no Brasil é de 33%. Na fazenda em Rifaina, chega a 68%. Na Nova Vida, a conversão é de cerca de 80%. 

Fonte UOL

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