Advogado morre após ser pisoteado por boi durante manejo de gado em Goiás

Advogado de 56 anos morreu após cair e ser atingido por um bovino durante atividade em uma propriedade rural de Serranópolis, no sudoeste goiano; tragédia reacende o alerta sobre os riscos do manejo de gado.

O que deveria ser uma atividade rotineira em uma propriedade rural terminou em tragédia no sudoeste de Goiás. O advogado Jarbas Rodrigues Ferreira, de 56 anos, morreu na manhã de sexta-feira (16 de outubro), após ser pisoteado por um boi enquanto participava do manejo de gado em uma fazenda no município de Serranópolis, a aproximadamente cinco quilômetros da área urbana. Segundo informações preliminares, ele teria perdido o equilíbrio, caído no pasto e sido atingido pelo animal.

O acidente aconteceu na presença de familiares, que acionaram atendimento médico assim que perceberam a gravidade da situação. Uma equipe do Hospital Municipal de Serranópolis foi deslocada até a propriedade, mas o médico constatou a morte de Jarbas ainda no local. O caso foi registrado inicialmente como morte acidental e segue sob investigação da Polícia Civil, com exames periciais destinados a esclarecer a sequência dos acontecimentos.

De acordo com os relatos iniciais, Jarbas estava no pasto realizando atividades relacionadas ao manejo do rebanho quando sofreu uma queda. Na sequência, um dos bovinos teria pisoteado sua cabeça, provocando ferimentos fatais.

A dinâmica exata do episódio, entretanto, ainda depende de confirmação técnica. Até as informações divulgadas, não havia esclarecimento definitivo sobre o que provocou a queda, qual era a movimentação dos animais naquele momento ou se houve algum outro fator que contribuiu para o acidente.

A Polícia Civil informou que a ocorrência está sob responsabilidade da Subdelegacia de Serranópolis. A Polícia Científica realizou procedimentos periciais para determinar as circunstâncias da morte.

Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como morte acidental, a conclusão sobre sua dinâmica depende dos laudos oficiais. Não há elementos públicos suficientes para atribuir o episódio a falhas de manejo, problemas estruturais ou comportamento específico do animal.

Morte de advogado provoca comoção em Goiás

A morte de Jarbas Rodrigues Ferreira repercutiu entre familiares, amigos, moradores de Serranópolis e integrantes da advocacia goiana.

Inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás (OAB-GO), sob o número 15.784, Jarbas teve sua trajetória profissional reconhecida publicamente pela entidade, que divulgou uma manifestação de pesar.

Em nota, a OAB-GO lamentou a morte do advogado e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.

O velório ocorreu na noite de sexta-feira (16), na Casa de Velório João Afonso Peres, em Serranópolis.

Tragédia chama atenção para os riscos do manejo de bovinos

Além da comoção provocada pela morte, o episódio evidencia um risco conhecido por quem trabalha diretamente com a pecuária: mesmo bovinos aparentemente tranquilos podem provocar acidentes graves quando há contato próximo, movimentação inesperada ou queda de uma pessoa dentro da área ocupada pelo rebanho.

O manejo de bovinos exige atenção permanente porque envolve animais de grande porte, capazes de produzir impactos consideráveis mesmo sem apresentar comportamento deliberadamente agressivo.

Um movimento de fuga, uma mudança brusca de direção ou a tentativa de acompanhar outros animais pode colocar trabalhadores em situações perigosas.

No caso de Jarbas, ainda não há informações suficientes para determinar o comportamento do boi antes do acidente. A análise dos riscos, portanto, é preventiva e não representa uma conclusão sobre o que ocorreu na propriedade.

O que pode aumentar o risco de acidentes no campo

Na rotina das fazendas, alguns fatores merecem atenção especial:

  • Contato excessivamente próximo: trabalhar sem espaço para afastamento pode aumentar a exposição a pisoteamentos.
  • Piso irregular ou escorregadio: buracos, lama e obstáculos favorecem quedas durante a movimentação do rebanho.
  • Animais assustados ou agitados: ruídos, pressão excessiva e movimentação desordenada podem provocar reações repentinas.
  • Ausência de rotas de fuga: instalações sem pontos seguros de proteção dificultam a reação diante de uma emergência.
  • Manejo sem planejamento: falta de comunicação entre os participantes e movimentações improvisadas ampliam a possibilidade de incidentes.

A adoção de técnicas de manejo racional, com atenção ao comportamento natural dos bovinos, ajuda a reduzir situações de estresse e a melhorar a segurança das operações.

Manejo racional é também uma questão de segurança humana

Na pecuária moderna, o manejo racional costuma ser associado ao bem-estar animal, à redução de contusões e à preservação da qualidade da carne. Entretanto, seus benefícios vão além dos indicadores produtivos.

Um sistema de manejo bem planejado também protege as pessoas que trabalham na propriedade, reduzindo a necessidade de intervenções físicas e de contato direto com animais em movimentação.

Instalações adequadas, corredores dimensionados corretamente, porteiras funcionais, pisos com boa aderência e equipes treinadas são elementos importantes dessa prevenção.

Outro ponto fundamental é reconhecer os limites do contato humano com bovinos. Mesmo animais habituados à presença de pessoas mantêm capacidade de reagir rapidamente a estímulos externos.

A segurança também depende de avaliar as condições do terreno e o posicionamento das pessoas antes de iniciar qualquer movimentação do rebanho.

Em uma emergência envolvendo um bovino, a prioridade deve ser interromper a exposição ao animal, garantir a segurança de quem presta auxílio e acionar atendimento médico, evitando novas vítimas.

Segurança no campo precisa fazer parte da rotina das fazendas

O acidente em Serranópolis reforça a importância de tratar a prevenção como parte integrante da gestão pecuária, e não apenas como uma preocupação eventual.

A Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), que estabelece diretrizes de segurança e saúde no trabalho rural, representa uma das principais referências para a prevenção de acidentes em atividades agropecuárias.

Assim como investimentos em genética, nutrição, sanidade e infraestrutura, o treinamento das equipes e a organização dos procedimentos de manejo são fundamentais para a sustentabilidade das propriedades rurais.

A experiência no campo é valiosa, mas não elimina os riscos associados ao trabalho com animais de grande porte. Por isso, protocolos de segurança precisam ser observados tanto por trabalhadores experientes quanto por pessoas que participam ocasionalmente das atividades.

Enquanto as autoridades aguardam a conclusão dos exames periciais, a morte de Jarbas Rodrigues Ferreira deixa familiares, amigos e colegas de profissão enlutados. A tragédia também reforça a necessidade de ampliar a cultura de prevenção de acidentes nas propriedades rurais brasileiras.

O esclarecimento das circunstâncias específicas do acidente caberá à investigação policial e à perícia científica.

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