Agricultura de precisão e suas ferramentas para identificar e gerir as diferenças

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Foto: Divulgação

Com tecnologias como sensoriamento remoto por drones e sensores embarcados em máquinas agrícolas, produtor pode aplicar dose exata de insumo em cada talhão.

Agricultura de precisão é uma estratégia de gestão que considera a variabilidade temporal e espacial das lavouras para melhorar a sustentabilidade da produção agrícola. Assim, seus grandes objetivos são a otimização da produtividade das culturas e racionalização do uso de insumos, o que leva ao aumento da rentabilidade da atividade agrícola, ao mesmo tempo que reduz impactos ao ambiente.

A ideia de que as lavouras não são uniformes em sua extensão e que, por isso, devem ser geridas levando em conta tais desuniformidades já é discutida desde o século passado. Porém, foi no início dos anos 2000 que começaram a aparecer ferramentas que permitiam a investigação dessas diferenças em grandes áreas.

A agricultura de precisão ganhou força no Brasil por meio da aplicação de adubos e corretivos em doses variadas ao longo da lavoura. Isso é feito majoritariamente com base em amostragens georreferenciadas, geralmente coletadas em grade regular. Assim, é possível mapear a fertilidade do solo e, por consequência, racionalizar o uso de fertilizantes, aplicando apenas a dose necessária e no local demandado.

No entanto, não é apenas a camada mais superficial do solo que domina e limita a produtividade agrícola. Diversos outros fatores relacionados ao solo também impactam na produtividade, como questões relacionados à drenagem e acúmulo de água, compactação, impedimento químicos e físicos ao longo do perfil, etc.

Similarmente, inúmeros outros agentes causam variação espacial na produtividade, como ataque de pragas, doenças e plantas daninhas. Ainda, um fator que não pode ser desconsiderado é relacionado a problemas operacionais durante as operações agrícolas, o que pode refletir em intensa variabilidade nas áreas.

Pensando nisso, hoje temos ferramentas para a investigação dos diversos fatores de produção, o que permite estabelecer relações de causa e efeito. Desse modo, é possível definir os fatores que limitam a produtividade em cada pedaço da lavoura e, assim, a gestão localizada se torna possível, o que pode trazer excelentes ganhos aos agricultores.

Nesse sentido, temos à nossa disposição desde sensores a bordo de satélites até sensores embarcados nas máquinas agrícolas ou mesmo na palma da mão do agricultor, como diversos aplicativos de celular que auxiliam na sua tomada de decisão.

As imagens de satélite estão cada vez mais acessíveis e adaptadas às necessidades do meio rural, inclusive com opções gratuitas que disponibilizam imagens a cada cinco dias com resolução de 10 metros. Nessa mesma linha de sensoriamento remoto é necessário dar destaque também aos drones (VANTs ou ARPs), os quais apresentam elevada flexibilidade de uso e podem ser alternativa às imagens de satélite em variadas situações, ou mesmo serem utilizados de forma complementar a elas. Há também câmeras e sensores embarcados em máquinas agrícolas.

“Todas essas informações, quando integradas de forma adequada, permitem que o agricultor obtenha conhecimento detalhado sobre sua lavoura” Lucas Rios do Amaral

No âmbito do solo, há cada vez mais alternativas para incrementar a investigação por amostragens georreferenciadas, trazendo mais informação e menor dependência ao número de amostras coletadas em campo.

Nesse sentido, se destacam as imagens de sensoriamento remoto e os sensores de condutividade elétrica do solo e similares. A topografia do terreno também pode ser levantada gratuitamente por meio de imagens de satélite, como as iniciativas SRTM e Alos Palsar, assim por imagens sobrepostas tiradas por drones.

Todas essas informações, quando integradas de forma adequada, permitem que o agricultor obtenha conhecimento detalhado sobre sua lavoura.

Desse modo, é possível planejar questões como a semeadura em população variável ao longo da área, aplicação de produtos fitossanitários e fertilizantes em doses variadas e com padrões distintos, preparado localizado do solo e colheita seletiva, dentre tantas outras possibilidades. Sendo assim, a gestão localizada baseada na variabilidade espacial da lavoura se torna cada vez mais acertada e rentável.

Fonte: Revista Globo Rural

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