Após multiplicar a produção em 500% nas últimas três décadas, o agronegócio no país volta o foco para eficiência, disponibilidade operacional e melhor aproveitamento dos ativos já existentes
Expansão da produção de grãos amplia a importância de sistemas elétricos monitorados, manutenção preventiva e tecnologias capazes de reduzir interrupções em silos, cooperativas e agroindústrias.
A perspectiva de uma produção histórica de grãos está colocando a inteligência elétrica entre os temas estratégicos para a infraestrutura do agronegócio brasileiro. Com milhões de toneladas passando por silos, unidades de secagem, cooperativas e indústrias, falhas no fornecimento interno de energia podem interromper processos essenciais justamente nos períodos de maior demanda.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil alcance 360,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume 2,4% superior ao registrado no ciclo anterior. A projeção considera aproximadamente 83,5 milhões de hectares cultivados e produtividade média de 4.322 quilos por hectare.
O crescimento da produção aumenta também a pressão sobre as estruturas responsáveis por receber, conservar e processar os produtos agrícolas.
Inteligência elétrica ganha espaço na infraestrutura do agro
O desafio não termina quando os grãos deixam a lavoura.
Depois da colheita, equipamentos como elevadores, ventiladores, secadores, transportadores e motores elétricos entram em funcionamento para garantir que a produção seja movimentada e armazenada adequadamente.
Em períodos de pico, muitos desses sistemas permanecem operando por longos intervalos. Nesse ambiente, problemas elétricos podem provocar desde atrasos logísticos até paralisações de processos industriais.
Por isso, tecnologias capazes de acompanhar as condições dos componentes elétricos vêm ganhando importância em projetos de modernização do setor.
A proposta é substituir uma atuação exclusivamente reativa por um modelo no qual sinais de desgaste ou comportamento anormal sejam identificados antes de uma interrupção.
Paradas inesperadas podem gerar prejuízos elevados
Ainda não há um levantamento nacional abrangente que determine o custo médio das interrupções elétricas especificamente na agroindústria brasileira.
Uma pesquisa internacional encomendada pela Fluke Corporation, porém, ajuda a dimensionar o impacto potencial desse tipo de ocorrência em ambientes industriais.
O levantamento, realizado com mais de 600 profissionais nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, estimou em US$ 1,7 milhão o custo médio de uma hora de parada não planejada entre as empresas analisadas.
Em situações mais severas, as perdas associadas a um único episódio chegaram a dezenas de milhões de dólares.
Os resultados não podem ser automaticamente transferidos para a realidade brasileira, já que envolvem países, setores e estruturas produtivas diferentes. Mesmo assim, evidenciam como a indisponibilidade de equipamentos pode afetar financeiramente operações que dependem de funcionamento contínuo.
Monitoramento transforma manutenção em estratégia
Entre as principais mudanças provocadas pela inteligência elétrica está a possibilidade de acompanhar equipamentos em tempo real.
Sensores instalados em sistemas de distribuição conseguem registrar informações relacionadas a temperatura, condições ambientais e funcionamento de componentes críticos. Quando esses dados indicam alteração fora do padrão, equipes de manutenção podem investigar o problema antes que ele evolua.
Na avaliação do engenheiro eletricista Fábio Amaral, CEO da Engerey Painéis Elétricos, a modernização da agroindústria passou inicialmente por automação e aumento de produtividade, mas agora também incorpora uma preocupação maior com confiabilidade e disponibilidade operacional.
Essa mudança favorece a chamada manutenção preditiva, baseada na condição real do equipamento.
Em vez de aguardar uma falha ou realizar substituições apenas com base em intervalos fixos, a empresa passa a utilizar informações coletadas durante a operação para determinar quando uma intervenção é necessária.
Painéis inteligentes ampliam visibilidade da rede
Um exemplo dessa evolução são os painéis de média tensão conectados utilizados em instalações industriais.
O modelo SM6-24, desenvolvido pela Schneider Electric, foi projetado para sistemas de distribuição de energia de até 24 kV e pode incorporar recursos digitais para acompanhamento remoto das condições da instalação.
A tecnologia permite observar parâmetros relacionados ao funcionamento dos equipamentos e detectar variações que mereçam atenção.
Em estruturas de armazenagem de grãos, esse acompanhamento pode ser especialmente relevante porque diversos processos precisam funcionar simultaneamente durante a safra.
Uma ocorrência elétrica em sistemas de secagem ou movimentação, por exemplo, pode comprometer o fluxo de recebimento da produção e exigir intervenções emergenciais.
Inteligência elétrica reduz exposição a falhas
A digitalização das instalações elétricas oferece benefícios que vão além da simples coleta de dados.
A identificação antecipada de alterações térmicas ou operacionais pode ajudar a reduzir a probabilidade de falhas mais graves. Ao mesmo tempo, informações centralizadas permitem que gestores priorizem inspeções e direcionem equipes para os equipamentos que apresentam maior risco.
Outro ponto relevante está na segurança.
Sistemas modernos de distribuição são projetados para proteger tanto os equipamentos quanto os profissionais responsáveis pela operação e manutenção das instalações.
Além disso, soluções modulares podem facilitar futuras ampliações da infraestrutura, característica importante para unidades que precisam aumentar sua capacidade conforme cresce o volume processado.
Segurança acompanha digitalização do sistema elétrico
Os equipamentos utilizados em redes industriais também precisam atender requisitos técnicos específicos.
O SM6-24 comercializado pela Schneider Electric segue os critérios da ABNT IEC 62271-200, norma voltada aos conjuntos de manobra e controle em invólucro metálico utilizados em sistemas de alta tensão acima de 1 kV e até 52 kV.
A conformidade estabelece parâmetros relacionados ao projeto, desempenho e segurança desses sistemas.
Para instalações agroindustriais, a combinação entre monitoramento digital e padrões técnicos de proteção cria uma infraestrutura mais preparada para operações de alta demanda.
Safra maior exige infraestrutura mais confiável
O avanço da produção agrícola brasileira amplia a necessidade de investimentos não apenas dentro das propriedades rurais, mas também nas estruturas que recebem tudo o que sai do campo.
Com 360,8 milhões de toneladas de grãos previstas para a safra 2025/26, a capacidade de transportar, armazenar e processar essa produção passa a depender cada vez mais da confiabilidade dos equipamentos industriais.
Nesse contexto, a inteligência elétrica deixa de ser apenas uma inovação aplicada aos painéis e passa a integrar a estratégia de gestão dos ativos.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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