Agrotech conquista gigantes da pecuária do Brasil, projeta receita recorde e tem Nelore como destaque

Especializada em genética bovina, erural projeta receita líquida acima de R$ 20 milhões e avança com soluções financeiras, marketplace e logística integrada

A tecnologia está transformando a comercialização de animais no Brasil — e uma empresa baiana começa a ganhar protagonismo nesse movimento. Especializada em genética bovina, a erural ultrapassou R$ 200 milhões em Volume Bruto de Mercadorias (GMV) negociado em seu ecossistema e projeta encerrar 2026 com receita líquida superior a R$ 20 milhões.

Fundada em 2013, inicialmente como um portal de classificados gratuitos, a agrotech ampliou sua atuação e passou a oferecer uma estrutura integrada para compra, venda, pagamento e transporte de animais. Atualmente, o ecossistema reúne o marketplace da empresa, o aplicativo financeiro eruralpay e a solução logística eruralway.

A companhia já esteve presente em 96 dos 100 maiores vendedores de genética bovina do Brasil, segundo informações da própria empresa, e busca consolidar-se como uma camada de infraestrutura tecnológica para a pecuária nacional.

Entre 2019 e 2024, quando ainda operava principalmente como uma assessoria tradicional, a erural realizou mais de 2 mil leilões, movimentou R$ 145 milhões e atendeu mais de 2.100 compradores diferentes. Nesse período, a empresa trabalhava com uma taxa média de aproximadamente 3% sobre as operações.

A partir de 2024, o modelo começou a mudar. Em vez de participar apenas da comercialização, a startup passou a acompanhar diferentes etapas da jornada, incluindo organização dos pagamentos, gestão de recebíveis, crédito, assistência técnica e transporte dos animais.

Ecossistema foi ampliado pelo crescimento do digital

A pandemia acelerou uma transformação que já começava a ganhar espaço na pecuária brasileira: a migração dos leilões de animais para o ambiente digital. Com as restrições aos eventos presenciais, criadores, compradores e empresas tiveram de adotar transmissões on-line e ferramentas digitais para manter as negociações.

O formato conquistou o produtor pela praticidade, pelo alcance nacional e pela possibilidade de acompanhar e comprar animais sem precisar deixar a fazenda. Mesmo depois da retomada dos eventos presenciais, os leilões on-line permaneceram fortes e passaram a funcionar de maneira complementar aos encontros tradicionais.

Foi dentro dessa mudança de comportamento que a erural ampliou sua atuação. A empresa deixou de participar apenas da realização dos leilões e passou a acompanhar diferentes etapas da negociação, reunindo em um único ecossistema a oferta dos animais, a orientação técnica, a organização dos pagamentos, a gestão de recebíveis e o transporte até a propriedade.

“Mais do que realizar leilões ou oferecer soluções digitais, nós organizamos um mercado. Reunindo oferta, demanda, relacionamento, inteligência comercial e tecnologia em um único lugar, reduzimos a complexidade da comercialização e criamos um ambiente onde o pecuarista encontra oportunidades com confiança”, afirma Iago Vieira, sócio-fundador e COO da erural.

O avanço acontece dentro de um dos maiores mercados agropecuários do mundo. Conforme dados citados pela companhia, com base no Cepea/Esalq-USP e na CNA, o Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro está estimado em R$ 3,13 trilhões em 2026, sendo R$ 1,25 trilhão relacionado ao mercado agropecuário.

Já o Valor Bruto da Produção da bovinocultura deve ficar próximo de R$ 250 bilhões, segundo projeções atribuídas ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

arroba do boi gordo - confinamento - gado nelore confinado
Foto: Fazenda Dona Amélia

Leilões de Nelore movimentam R$ 400 milhões

O aquecimento do mercado de genética também aparece no Relatório Prime referente ao segundo trimestre de 2026, divulgado pela erural. De acordo com o levantamento, os leilões de animais da raça Nelore P.O. movimentaram cerca de R$ 400 milhões no período.

O preço mediano foi de aproximadamente R$ 18 mil por animal, enquanto Goiás, Minas Gerais e Bahia apareceram como os principais destinos das negociações.

Além do marketplace, a empresa aposta no crescimento do eruralpay, apresentado como uma espécie de “banco do pecuarista”. A plataforma já soma mais de R$ 190 milhões em recebíveis sob gestão e atende mais de 220 fazendas parceiras.

A solução organiza contratos, boletos e parcelas digitalmente, além de permitir a antecipação de recebíveis aos vendedores. Para o comprador, a proposta é ampliar a segurança da negociação e facilitar o acompanhamento dos compromissos financeiros.

Genética pode chegar a produtores de novas regiões

Um dos objetivos da tecnologia é reduzir as barreiras enfrentadas por pecuaristas distantes dos principais polos de comercialização de genética. Pela plataforma, o comprador pode avaliar os animais, receber orientação de zootecnistas e médicos-veterinários, organizar o pagamento e acompanhar o transporte até a fazenda.

“Para o produtor rural, especialmente fora do eixo Sul e Centro-Oeste, o acesso à genética de qualidade sempre foi um grande desafio. Nosso ecossistema resolve isso ao conectar criatórios do Brasil inteiro a uma compra consultiva”, explica Iago Vieira.

Segundo o executivo, a integração entre assistência técnica, pagamentos e logística procura oferecer mais segurança ao produtor durante todo o processo.

“Unimos essa assessoria técnica à segurança do eruralpay, que funciona como uma instituição de pagamento para organizar contratos, boletos e parcelas de forma digital. Por fim, garantimos uma logística simples e transparente para que o produtor acompanhe o transporte e receba o animal diretamente em sua fazenda”, acrescenta.

Plano prevê crédito e aquisições

Comandada por Matheus Ladeia, CEO, e Iago Vieira, que ocupa os cargos de COO e CPO, a erural conta com o apoio de investidores como SP Ventures, Domo Invest, Prana Investments, Light House e Novigo.

Para 2026, a empresa pretende consolidar sua atuação no mercado de genética, expandir o eruralpay, oferecer crédito ao comprador com capital próprio e avançar em aquisições estratégicas.

Em 2027, o plano é levar a infraestrutura desenvolvida para outros segmentos, entre eles pecuária de leite, cavalos e gado de corte. A partir de 2028, a agrotech também pretende entrar no mercado de insumos.

Ao integrar genética, serviços financeiros e logística, a erural aposta que o futuro da pecuária brasileira não dependerá apenas da digitalização dos leilões, mas da construção de uma infraestrutura capaz de acompanhar toda a negociação — da escolha do animal à chegada dele à propriedade.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM