Levantamento mostra diferença numérica de 1,1 ponto entre os candidatos no confronto direto; resultado permanece dentro da margem de erro e configura empate técnico.
A quarta rodada da pesquisa DataTempo sobre a eleição presidencial em Minas Gerais registrou Flávio Bolsonaro (PL) com 43% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41,9% em uma eventual disputa de segundo turno. É a primeira pesquisa da série do instituto em 2026 na qual Flávio aparece numericamente acima de Lula nesse confronto. A diferença, porém, não representa uma liderança estatisticamente definida.
O levantamento ouviu 1.000 eleitores entre os dias 9 e 12 de setembro, em entrevistas domiciliares. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa, contratada pela Sempre Editora, está identificada pelos registros MG-00468/2026 e BR-02329/2026.
Diferença no segundo turno permanece dentro da margem de erro
A distância de 1,1 ponto entre Flávio e Lula é menor que a margem de erro estabelecida pelo levantamento. Por esse motivo, a DataTempo considera que os dois candidatos estão tecnicamente empatados no confronto direto entre os eleitores mineiros.
O resultado deve ser interpretado como um retrato das respostas coletadas no período da pesquisa, e não como previsão do resultado eleitoral. A margem de erro representa a variação estatística esperada em levantamentos realizados por amostragem.
A comparação também precisa levar em conta o recorte territorial: os dados dizem respeito exclusivamente a Minas Gerais. Assim, não podem ser extrapolados diretamente para o conjunto do eleitorado brasileiro.
Lula registra 35,6% e Flávio 31,2% no primeiro turno
No cenário estimulado de primeiro turno, quando os entrevistados recebem uma lista com os nomes dos candidatos, Lula aparece numericamente à frente, com 35,6%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31,2%. Mesmo nesse caso, a DataTempo considera que existe empate técnico entre os dois diante dos intervalos da pesquisa.
Na rodada realizada em agosto, Lula tinha 36% e Flávio, 28%. A distância numérica, portanto, passou de oito pontos para 4,4 pontos percentuais. Essa variação mostra uma mudança nos percentuais registrados entre as duas pesquisas, mas não permite, por si só, determinar a causa do movimento.
A analista sênior da DataTempo Mariela Rocha apontou a maior exposição das candidaturas durante a campanha como uma possível explicação para as mudanças. A própria pesquisadora ressalvou, entretanto, que o levantamento não perguntou aos entrevistados quais fatores determinaram suas escolhas. Dessa maneira, não é possível estabelecer relação causal entre acontecimentos específicos da campanha e a variação observada.
Cury cresce numericamente e Zema recua na rodada
A pesquisa também registra mudanças entre outros candidatos testados. Augusto Cury (Avante) aparece com 6,8% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Romeu Zema (Novo) soma 3,9%.
Na rodada de agosto, Zema aparecia com 9,8% e Cury com 0,9%. A análise da DataTempo, porém, recomenda cautela ao comparar diretamente os resultados, porque os intervalos estatísticos das duas pesquisas apresentam sobreposição.
Cenário espontâneo apresenta quadro diferente
Quando nenhum nome é apresentado previamente ao eleitor, Lula recebe 30,5% das menções, enquanto Flávio Bolsonaro registra 24,4%. Os intervalos dos dois candidatos apresentam pequena sobreposição quando considerada a margem de erro. Augusto Cury é citado por 3,8%.
Outro dado relevante é o percentual de entrevistados que não indicaram espontaneamente um candidato: 25,6%. Esse grupo corresponde a aproximadamente um quarto da amostra pesquisada.
A pesquisa espontânea e a estimulada medem situações diferentes. Na primeira, o eleitor responde sem receber nomes; na segunda, escolhe entre alternativas apresentadas pelo instituto. Por isso, os percentuais das duas modalidades não devem ser comparados como se representassem exatamente a mesma medida.
Eleições também colocam políticas para o campo em debate
A pesquisa DataTempo não apresenta, na publicação consultada, um recorte específico de produtores rurais ou de pessoas diretamente ligadas ao agronegócio. Portanto, não é possível utilizar esses números para afirmar qual candidato teria maior preferência entre produtores mineiros.
A relação da disputa presidencial com o setor rural está nas propostas apresentadas pelas candidaturas. Entre os temas presentes nos planos registrados para a eleição de 2026 estão crédito e seguro rural, endividamento, fertilizantes, infraestrutura logística, regularização fundiária e abertura de mercados.
Uma análise dos programas apresentados pelos principais presidenciáveis mostra diferenças nas estratégias propostas para esses temas, incluindo o papel do crédito público, do mercado privado, do seguro rural e das políticas de infraestrutura.
Flávio Bolsonaro também participou, no início de setembro, de uma agenda com representantes de entidades do agronegócio durante a Expointer, em Esteio (RS). A reunião contou com representantes de organizações como Farsul, Ocergs e Gadolando.
Essas informações ajudam a contextualizar a presença da pauta rural na campanha, mas não substituem pesquisas específicas sobre o comportamento eleitoral dos produtores.
TSE confirma 12 candidaturas à Presidência
O Tribunal Superior Eleitoral informou em 11 de setembro que 12 chapas permanecem na disputa pela Presidência da República. Entre elas estão Lula e Geraldo Alckmin (PSB), pelo PT, e Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, pelo PL.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato obtenha os votos necessários para definir a eleição presidencial nessa etapa, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. As datas constam no calendário oficial aprovado pelo TSE.
Até a votação, novas pesquisas poderão registrar mudanças nas preferências declaradas pelos eleitores. Para comparar os levantamentos, é necessário observar população pesquisada, período das entrevistas, metodologia, tamanho da amostra e margem de erro.
Na rodada atual da DataTempo, o dado central é que Flávio Bolsonaro registra 43% e Lula 41,9% em eventual segundo turno entre eleitores de Minas Gerais, enquanto a margem de erro mantém os dois candidatos em situação de empate técnico.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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