Alimentos ultraprocessados causam grande malefício na saúde humana

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Arte: Simone Gomes

Especialistas de diversas áreas elaboraram documento mostrando os malefícios dos alimentos ultraprocessados na saúde humana e planetária e urgência do tema ser incluído na pauta da ONU

Mais de 80 cientistas, representantes de governo e da sociedade civil, produziram documento em que sintetizam evidências científicas sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados à saúde humana e planetária. A proposta, que será encaminhada à Cúpula de Sistemas Alimentares, da Organização das Nações Unidas (ONU), pleiteia que o tema seja tratado com a devida relevância e que seja incluído nas discussões do evento, que acontecerá em setembro de 2021, quando se discutirá pontos críticos de sistemas alimentares, com foco em alcançar os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O encontro que gerou o documento foi organizado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) e pela Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis, ambos da FSP. Contou com a presença de cientistas como Carlos Monteiro (coordenador do Nupens), Tereza Campello (ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e atual professora titular da Cátedra) e José Graziano da Silva (ex-diretor geral da FAO, atual diretor do Instituto Fome Zero).

Impactos para a saúde humana e agricultura

Dividido em seis tópicos, o documento explora evidências científicas sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde humana e por quais mecanismos esses produtos elevam o risco de desenvolvimento de doenças. O texto mostra, ainda, como a produção e o consumo desses alimentos afetam o Planeta. Traz de forma detalhada três soluções globais necessárias para o enfrentamento do problema: a elaboração de guias alimentares que abordem os malefícios dos ultraprocessados, a produção de uma rotulagem de alimentos clara para o consumidor e a regulação de ambientes alimentares (onde ocorrem compra e venda de produtos alimentícios).

É cada vez mais clara a relação entre alimentos ultraprocessados e um maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas como obesidade, diabete e doenças cardiovasculares”, diz Carlos Monteiro. Segundo o pesquisador, é imprescindível que o tema seja debatido na Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU. “A produção de alimentos ultraprocessados demanda um número reduzido de cultivos (soja, milho, trigo e cana-de-açúcar), contribuindo para a redução da agrobiodiversidade, além de envolver grande consumo de água, combustíveis fósseis, fertilizantes e defensivos agrícolas, diz.

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