Hambúrguer vegetal não é solução, afirma professor da USP

Hambúrguer vegetal não é solução, afirma professor da USP

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Foto: Divulgação

Hambúrguer vegetal não é saída para diminuição do consumo de carne, defende professor da USP, Carlos Monteiro, Integrante da OMS sobre Dieta e Saúde.

Doutor em Saúde Pública e membro do Comitê de Especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre Dieta e Saúde, Carlos Monteiro defendeu em palestra no evento “Fruto: Diálogos do Alimento”, em São Paulo (SP), que os alimentos ultraprocessados não são a melhor e mais saudável alternativa para reduzir o consumo de carne.

Na visão de Monteiro, que é professor da Universidade de São Paulo (USP), os hambúrgueres vegetais são ultraprocessados que não têm a matriz alimentar. “Uma coisa é você comer o feijão, outra coisa é você comer a proteína do feijão. O bife ultraprocessado não é uma solução, pelo menos do ponto de visto da saúde. Os ultraprocessados são alimentos inventados. É a possibilidade de inventar infinitos produtos diferentes combinando macronutrientes, gordura, carboidrato, amido, entre outros”, explica.

Felipe Ribenboim (esq.) e Alex Atala (dir.), criadores do evento “Fruto: Diálogos do Alimento” (Foto: Ricardo Dangelo)

Ele reconhece que o novo alimento é um forte argumento para diminuir o consumo de carne e que tal movimento é necessário por questões ambientais. Porém, no quesito nutricional, Monteiro sugere outra saída.

“A ideia de comer menos carne é totalmente válida, não dá pra não pensar nisso, por essa questão de aquecimento global. Em algumas sociedades, a carne virou o prato principal e isso é insustentável. A solução é voltar como era antes, consumir menos carne, substituir o excesso por fruta, legume, hortaliça, leguminosa”, aponta.

O chef de cozinha e organizador do evento ‘Fruto’, Alex Atala, também acredita que o brasileiro pode diversificar as fontes de alimento. “Quero acreditar que as pessoas estão ligadas ao alimento original, porque somos o país da biodiversidade. Quando a gente prova a biodiversidade, isso tem valor. Um exemplo é o vinho. Há 15 anos, nós bebíamos poucos vinhos, de poucos lugares. Hoje, bebemos vinhos do mundo inteiro, de diferentes microclimas, diferentes variedades de uva”, exemplifica.

Também criador do evento, o produtor cultural Felipe Ribenboim defende uma alimentação balanceada. “Eu, particularmente, entendo que você tem que ter um equilíbrio de tudo. Para mim, hambúrguer que não é de carne é puro marketing. Mas esse [o evento] é um espaço de debate para pensarmos o alimento e convidarmos as pessoas a pensarem essa relação também”, afirma.

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