Veja quanto custa colocar o boi no confinamento

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

A seca tarda mais não falha, e o momento de levar o boi para o cocho está próximo; Veja como calcular quanto custa colocar o boi no confinamento!

O número de animais confinados vem crescendo a cada ano, sendo esperado um número superior a 6 milhões de cabeças neste ano de 2021. A intensificação de tornou fundamental para que o produtor alcance, cada vez mais, uma maior produtividade em menor tempo e utilização de espaço físico. Mas é preciso se atentar aos custos e, por isso, veja como calcular quanto custa colocar o boi no confinamento!

O custo de produção de um bovino no sistema de confinamento oscila de acordo com uma serie de variáveis, entre elas, o preço do próprio animal, o preço dos ingredientes da ração, como milho e farelo de soja, e o preço dos custos fixos do confinamento. De um modo geral, e de acordo com dados do CEPEA / ESALQ – USP, 2017, o custo operacional efetivo – COE de um boi confinado no Brasil pode ser dividido conforme a imagem abaixo!

Antes de mais nada, é preciso destacar as variações que podem ocorrer entre as regiões, sendo o mais recomendado, que cada confinador estabeleça o seu próprio custo de produção, ponderando as variáveis internas e externas ao seu confinamento.

Na imagem abaixo é possível verificar a grande influência do fator “animal”, ou reposição, dentro do COE no planejamento financeiro do confinamento. Em alguns casos, a depender da região/sistema, é possível que esse número seja ainda maior.

Para lhe ajudar, vamos detalhar um pouco mais cada um desses importantes pontos para se conseguir calcular quanto custa colocar o boi no confinamento.

Custo de aquisição dos animais

Os estudos recentes, em parceria com o Cepea, apontam que os custos com aquisição dos animais variam de 63 a 81% do custo operacional efetivo. Sendo assim, o impacto da compra efetivada vai impactar diretamente na maior parte da margem de lucro desse sistema.

Esta variação pode ser explicada em função do tipo de animal, raça, sexo e localização geográfica, onde, de um modo geral, observou-se que animais machos inteiros de raças de origem europeia, como Angus e Senepol, apresentaram maiores custos de aquisição frente às outras raças. Mas, no geral possuem bonificações que favorecem os preços elevados.

Vale ressaltar, neste ponto, que a propriedade que realiza ciclo completo tem maior competitividade e, consequentemente, possibilidade de melhor margem de lucro na operação.

Custos com as diárias (Alimentação)

A utilização de uma metodologia que leva em conta apenas o custo da diária, ou seja, alimentação é comumente e erroneamente utilizada por muitos pecuaristas. Neste planejamento o produtor não leva em conta o custo dos animais, o que pode mascarar suas margens no final do processo, trazendo uma “depreciação” do seu patrimônio.

Este custo depende muito do balanceamento da ração e deve levar em conta o preço e a disponibilidade regional de cada ingrediente. Procure uma orientação para lhe auxiliar na hora da escolha dos ingredientes de acordo com sua realidade.

Já o impacto dos custos fixos sobre os custos totais do confinamento pode variar de acordo com o número de animais, número de funcionários, tipo de instalações e tamanho e quantidade de maquinário utilizado, como misturadores, tratores, balanças, etc.. É sugerido que cada confinador calcule o custo fixo do seu próprio confinamento para por fim estabelecer uma analise financeira mais precisa.

Quanto custa colocar o boi no confinamento

Para efeito de calculo, observe o exemplo abaixo que tem como referencia o custo médio da diária de um bovino Nelore de 12@ confinado no estado de Goiás – GO no ano de 2021:

Nota-se que a alimentação representa um custo significativo sobre o custo total da diária de um bovino confinado, da ordem de 90%, considerando-se a realidade de um confinamento no Brasil Central.

NOTA

(*) Custo operacional: inclui todos os custos operacionais, como luz, água, óleo diesel, mão de obra e também os custos fixos, como depreciação. O custo fixo não varia em função da produção, logo, se nada for produzido, o custo fixo não se altera. São exemplos de custo fixo de um confinamento a depreciação das maquinas e das instalações.

Na simulação expressa estima-se um Ganho de peso Diário – GPD da ordem de 1,72 Kg / bovino / dia que associado a um rendimento de carcaça – RC de 56%, determina uma produção de 7,35@ no confinamento em 90 dias.

Custo da arroba produzida

Logo, tem-se o custo da @ produzida no confinamento como sendo de R$ 246,12. Este valor também é conhecido como ponto de equilíbrio, ou seja, valores da @ do boi gordo abaixo deste ponto determina prejuízo no confinamento e acima, lucro.

Custo da @ produzida = custo total no período / @ produzidas
Custo da @ produzida = R$ 1.809,00 / 7,35 @ = R$ 246,12

Viabilidade econômica

Considerando-se o valor da arroba na venda do animal como sendo de R$ 290 (com base no estado de Goiás – GO, 2021) tem-se uma receita com a venda das 7,35 arrobas produzidas no confinamento de R$ 2.135,50.

Logo, tem-se a seguinte situação:

Lucro = receita – custo

Lucro = R$ 2.135,50 – R$ 1.809,00

Lucro = R$ 322,50 por cabeça confinada por 90 dias.

Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Ressalvas

Este lucro citado acima de R$ 322,50/cab, refere-se apenas ao lucro direto gerado dentro do confinamento por um período de cocho. Não entramos no mérito de outros benefícios zootécnicos e econômicos indiretos que o sistema de confinado proporciona, como:

  • antecipação da idade de abate,
  • antecipação da entrada de capital,
  • produção de carcaças de melhor qualidade e
  • liberação de pastagens para outras categorias animais.

Isso que permite ao produtor rural produzir mais arrobas em menor área e menor espaço de tempo, aumentando assim o giro do seu capital.

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Sócio-Diretor do Compre Rural. (62) 996441746 thiagorp100@gmail.com