Arauco investe R$ 23 bilhões em megafábrica de celulose e obras chegam a 81% em MS

Projeto Sucuriú, em Inocência, terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano; início das operações segue previsto para o fim de 2027, aponta Arauco

Um investimento de US$ 4,6 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 23 bilhões na conversão apresentada pelo Valor Econômico, está ganhando forma em Mato Grosso do Sul. A chilena Arauco informou que as obras de sua primeira fábrica de celulose no Brasil alcançaram 81% de conclusão, mantendo a previsão de entrada em operação no último trimestre de 2027 e de funcionamento pleno em 2028.

Instalado em Inocência, o Projeto Sucuriú combina produção industrial, base florestal e infraestrutura para exportação. A capacidade prevista é de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, dimensão que ajuda a explicar por que o empreendimento tem potencial para movimentar negócios muito além dos limites da fábrica — do cultivo de eucalipto ao transporte, passando pela manutenção de máquinas e pelos serviços especializados.

Obras avançam e companhia mantém prazo de operação

A atualização foi apresentada pelo diretor de sustentabilidade da Arauco, Theófilo Militão, durante o Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, em 6 de outubro.

Segundo reportagem do Valor Econômico, o executivo afirmou que o andamento da construção está acima do cronograma previsto e reforçou a manutenção do prazo de partida da unidade.

“Isso também traz confiança de que a data que a companhia tem prevista se mantém”, declarou Militão.

O percentual de execução representa o avanço da construção. A chegada à capacidade plena dependerá também das etapas de testes, partida dos equipamentos e estabilização dos processos industriais.

Um projeto de escala mundial no interior brasileiro

A Arauco apresenta o Sucuriú como a maior fábrica de celulose do mundo construída em uma única etapa. A definição se refere à escala de implantação do empreendimento, que concentrará uma capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas em um único projeto. A fornecedora de tecnologia Valmet também utiliza essa classificação.

A unidade produzirá celulose kraft branqueada de fibra curta, apoiada em plantações de eucalipto. O BID Invest, uma das instituições envolvidas no financiamento, descreve uma base de aproximadamente 400 mil hectares de plantações vinculada ao projeto.

Para o agronegócio, essa integração é fundamental: uma indústria desse porte precisa de abastecimento contínuo de madeira, planejamento de colheita e transporte eficiente. O desempenho da fábrica começa, portanto, na produtividade e na organização da cadeia florestal.

Ferrovia de R$ 2,4 bilhões conectará produção à exportação

O projeto também contempla um investimento previsto de R$ 2,4 bilhões em infraestrutura ferroviária, incluindo locomotivas e vagões, conforme informação divulgada pelo Ministério do Planejamento. O ramal atenderá exclusivamente à unidade da Arauco.

De acordo com o material do Valor Econômico, a ligação terá cerca de 45 quilômetros, conectará a fábrica à Malha Norte da Rumo e permitirá o escoamento até o Porto de Santos. A previsão informada pelo executivo é concluir o ramal no primeiro semestre de 2027.

A conexão ferroviária tem peso econômico porque o custo de movimentar a celulose até o porto interfere diretamente na competitividade das exportações. Para um empreendimento de grande volume, a logística precisa acompanhar a escala industrial.

Empregos vão além do canteiro de obras

A projeção divulgada pela Arauco é de aproximadamente 14 mil trabalhadores no pico da construção e cerca de 6 mil pessoas nas áreas industrial, florestal e logística após o início das operações. Esses números representam estimativas do projeto, e não um anúncio de vagas atualmente abertas.

Na prática, o empreendimento tende a ampliar a demanda regional por transporte, alimentação, hospedagem, manutenção e qualificação profissional. São oportunidades que se distribuem entre o canteiro, as operações florestais e os serviços necessários para sustentar a atividade industrial.

O crescimento também exige planejamento urbano. A Arauco anunciou R$ 85 milhões para o Plano Estratégico Socioambiental, elaborado em articulação com os governos municipal e estadual, com ações em áreas como saúde, educação, habitação, saneamento e ordenamento territorial.

Tecnologia e energia integram a estratégia da fábrica

A Valmet será responsável pelas principais áreas de processamento e pela automação industrial. Segundo a fornecedora, o projeto prevê controles digitais integrados para melhorar a estabilidade da produção e a eficiência no uso de recursos. Também está prevista a utilização de biomassa gaseificada nos fornos de cal, substituindo combustível fóssil nessa etapa.

A unidade terá capacidade de geração elétrica superior a 400 megawatts, com aproximadamente 200 MW destinados ao consumo interno, conforme a descrição atual do projeto. O excedente deverá ser disponibilizado ao sistema elétrico nacional.

Essas características fazem parte da busca por custos competitivos. Em uma operação voltada ao mercado internacional, produtividade, consumo de energia e regularidade operacional pesam sobre a margem do negócio.

Financiamento internacional reforça a dimensão do investimento

Em agosto de 2025, a Arauco anunciou um pacote de financiamento de US$ 2,2 bilhões para o Sucuriú, com participação do BID Invest, da IFC, integrante do Grupo Banco Mundial, e apoio da agência finlandesa Finnvera.

A estrutura reúne um empréstimo de US$ 1,25 bilhão e aproximadamente US$ 970 milhões em financiamento garantido pela agência de crédito à exportação. Esses recursos financiam o empreendimento e não devem ser somados ao orçamento de US$ 4,6 bilhões como se fossem um investimento adicional.

O que muda para o produtor e para os negócios regionais

O avanço do Sucuriú sinaliza uma demanda de longo prazo por produção florestal, serviços e infraestrutura. Para produtores e empresas da região, a oportunidade depende de acesso efetivo à cadeia de fornecedores e das condições comerciais oferecidas.

A presença de uma megafábrica, por si só, não garante rentabilidade no cultivo de eucalipto. Uma decisão de investimento precisa considerar produtividade da área, distância de transporte, prazo de colheita, custo da terra e contratos de comercialização.

Com a construção próxima da reta final, o foco passa a ser transformar a escala anunciada em uma operação integrada: madeira disponível, equipamentos funcionando, profissionais preparados e logística pronta para levar a produção ao mercado.

Com informações da Valor Econômico

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