Áreas de soja têm surtos de Helicoverpa no início do plantio

Áreas de soja têm surtos de Helicoverpa no início do plantio

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Foto: Divulgação

Especialistas recomendam monitoramento da praga para que haja êxito nas ações de controle; pesquisador da Fundação Chapadão destaca que se clima dos últimos dias prevalecer, pressão de lagartas poderá aumentar no Estado.

São Paulo (SP) – Ataques da lagarta Helicoverpa armígera observados logo após a semeadura da soja, nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, puseram em alerta produtores e pesquisadores. Segundo fontes do setor, a principal preocupação é com a eventual proliferação da praga, que já trouxe prejuízos bilionários à oleaginosa, bem no ciclo inicial da cultura. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, conforme especialistas, populações de Helicoverpa armígera surgiram em áreas do Chapadão, e no Mato Grosso no entorno de Primavera do Leste.

A recomendação-chave feita por agrônomos ao produtor, neste momento, é realizar corretamente o monitoramento de lavouras e identificar a necessidade de controle da praga pela aplicação de produtos específicos.

Para a pesquisadora da Fundação MT, Lucia Vivan, no estágio em que se encontram as lavouras neste momento, é possível controlar à Helicoverpa com base na aplicação de baculovírus ou defensivos biológicos. “Temos um tempo ainda porque a soja está no início. Mas é importante ao produtor monitorar suas áreas e concluir, adiante, se haverá necessidade de incorporar inseticidas químicos ao manejo com baculovírus”, reforça a entomologista.

O pesquisador da Ceres Consultoria em Primavera do Leste, Guilherme Almeida Ohl, entende que os baculovírus constituem nos dias de hoje “os melhores inseticidas que temos, porque depois de eliminar às lagartas eles espalham vírus na lavoura e assim controlam outras gerações de pragas”. Ohl é outro pesquisador a crer que no atual estágio vegetativo da soja, o controle da Helicoverpa pode ser feito somente pela aplicação de baculovírus.

Ele observa, entretanto, que os baculovírus só não cresceram mais entre as opções de manejo do produtor, até hoje, pela deficiência na logística de distribuição e acesso do mercado aos produtos. Para a australo-americana AgBiTech, maior fabricante de baculovírus do mundo, há quatro anos no Brasil, a solução a esses entraves está bem encaminhada por meio de investimentos na ampliação da oferta e na entrega contínua de alta tecnologia na área.

“Na safra passada nossos baculovírus trataram 500 mil hectares, marca relevante para esses insumos no Brasil”, ressalta Marcelo Giuliano, diretor comercial da AgBiTech. Conforme Giuliano, a expectativa é que na safra 2019-20 os baculovírus da empresa – hoje um total de seis produtos – atinjam à histórica marca de 2 milhões de hectares tratados. “Investimos fortemente para ser o principal player do setor no Brasil”, enfatiza Adriano Vilas Boas, gerente geral da AgBiTech na América Latina.

O pesquisador Germison Tomquelski, da Fundação Chapadão, informa que tem sido comum, na região do Chapadão, a presença da Helicoverpa na fase inicial de plantio. Mesmo assim, assinala ele, o controle da praga é uma medida necessária em face dos prejuízos que ela pode trazer ao produtor.

Os baculovírus têm funcionado muito bem, eliminando inicialmente às lagartas. Foi uma quebra de paradigma a chegada e o posicionamento desses produtos. Eles já se encaixam entre as ferramentas de manejo do produtor brasileiro”, assinala Tomquelski. O pesquisador destaca ainda que diante das atuais condições climáticas do Mato Grosso do Sul, com alguns dias com chuva e outros não, os surtos de lagartas tendem a ser mais intensos no Estado.

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