Arroba a R$ 240, no físico e também no mercado futuro

Arroba a R$ 240, no físico e também no mercado futuro

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

No mercado físico, já há negócios pela arroba acima de R$ 235 nas praças paulista e analista projeta novas altas; Contratos futuros na B3 ultrapassam R$ 240; entenda tendência.

Na B3, os contratos futuros do boi gordo estão valendo mais que R$ 230 a arroba até o fim de 2020. No pregão desta quarta-feira, 26, os vencimentos para novembro e dezembro ultrapassaram a marca de R$ 240 pela primeira vez desde que passaram a ser negociados.

No mercado físico, já há negócios pela arroba acima de R$ 230 nas praças paulistas, de acordo com a Scot Consultoria, igualando os recordes registrados em novembro do ano passado. No aplicativo da Agrobrazil, o Boi China já registra negócios pontuais, na casa de R$ 240/@ com pagamento à vista.

O mercado de reposição segue aquecido e tem renovado recordes de preços. No indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o bezerro, em Mato Grosso do Sul, a cotação chegou ao maior valor nominal da história, em R$ 2.156,41 por cabeça.

O mercado do boi gordo segue com preços firmes na maior parte do País, seguindo a tendência de alta dos últimos meses. Além disso, a menor oferta de animais continua sendo o principal ponto de sustentação dos atuais preços, refletindo em maior dificuldade na compra de grandes lotes por parte da indústria.

Os frigoríficos de menor porte, que destinam sua produção ao mercado interno, estão se afastando das compras por conta da alta no valor da arroba, trazendo uma pressão para movimento altista no mercado da carne nos próximos dias.

Diante desses fatores supracitados, o pecuarista tem visto a arroba manter o viés altista em todas as praças brasileiras, não sendo observadas desvalorizações nesta semana. Em São Paulo, no município de São José do Rio Preto, pecuarista tem negociado animais China, com valor de R$ 240/@ com pagamento à vista e abate para o dia 03 de julho.

O termômetro das escalas de abate pelo país, apresenta um novo movimento de redução nos dias, dessa forma, o vermelho vai tomando conta das principais regiões produtoras do país, demonstrando a dificuldade da indústria em originar matéria prima suficiente para atender os contratos.

Tendência

De acordo com o analista Yago Travagini, da Agrifatto Consultoria, o preço da arroba deve chegar a R$ 240 nos próximos dias no mercado físico paulista. Ele explica que, nos primeiros dias de agosto, a arroba ficou estabilizada ao redor de R$ 225 e mostrou bastante resistência para romper esse patamar. Porém, desde o fim da semana passada, o mercado futuro tem reagido com altas como resposta à incerteza em relação à oferta de animais de confinamento. 

Segundo Travagini, o diferencial de base entre o preço em São Paulo e em outros estados diminuiu, a partir das altas em praças como Pará, Mato Grosso e Goiás, e o mercado futuro reage a isso, esperando valorizações nas praças paulistas.

Travagini projeta que o cenário de custos elevados em virtude dos aumentos vistos no milho e no farelo de soja deve perdurar até o fim de 2020, pelo menos. Além disso, o ciclo pecuário com produção de bezerros menor em decorrência do abate de fêmeas nos últimos anos pode durar ainda alguns meses e seguir pressionando o custo de reposição. 

Por fim, a demanda chinesa, pelo menos até novembro deste ano, deve seguir em ritmo forte de compra de proteína animal brasileira. Esses fatores combinados podem garantir a arroba firme até o fim do ano e início de 2021, de acordo o analista. 

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