Arroba em 2020: por que o novo preço foi estabelecido?

Oferta enxuta de animais para 2020 e demanda firme na exportação seguem favorecendo preços da arroba, diferencial virá do consumo no mercado interno.

A tendência para o próximo ano é que alguns fundamentos de mercado vão impactar as referências para a arroba do boi gordo em 2020.  Contudo, a demanda externa deve ser um dos fatores que vão continuar impulsionando novos patamares de preços no mercado.

Segundo o Pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, é normal o mercado ter ajustes de preços após valorizações expressivas nos últimos meses. “Os preços têm registrados solavancos que assustam as pessoas, mas é algo normal. O mercado mudou muito em um mês e meio, na qual está buscando um equilíbrio”, comenta.

Do lado da demanda externa, o cenário é muito favorável com uma demanda aquecida asiática e com o câmbio favorável para a exportação. “A China vem demandando pela a nossa carne e a briga com os Estados Unidos nos aproximou o mercado asiático. A expectativa é que essa demanda continue puxando os preços da arroba para o próximo ano”, afirma.

O pesquisador salienta que os preços para a arroba mudaram e que os preços podem ficar em R$ 185,00/@, no entanto, o mercado vai passar por ajustes em médio prazo.

“É o mercado que vai precificar isso, mas não vamos mais ficar nos valores dos R$ 150,00/@”, relata.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, o boi gordo viveu um momento atípico no mês passado. Foto: Governo de Mato Grosso

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O preço da arroba do boi gordo no mercado físico, base São Paulo, caiu 6,44% no acumulado do mês de dezembro, segundo levantamento realizado pela consultoria Agrifatto com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Nesta terça-feira, 17, o valor da arroba, livre de Funrural, fechou o dia a R$ 216,45, queda de R$ 11 em relação ao valor de R$ 227,80 registrado no início do mês de dezembro. Para o analista Gustavo Rezende, a queda é fruto da conjuntura que mudou.

“A conjuntura em dezembro se mostra com ajuste da carne bovina no atacado com uma demanda muito menor. Há informações também que a China está pressionando essas negociações com valores menores para realizar a compra da carne brasileira. Então uma demanda menor do que vimos em novembro, onde as altas conseguiam ser repassadas”, afirma o analista.

Rezende também explica se esse movimento pode ser uma tendência no mercado de preços para 2020. “Parece que o mercado está mais equilibrado. A carne no atacado pode sim continuar passando para ajustes de queda, corrigindo altas que foram bastante precisas. No mercado físico do boi gordo, a arroba aparece mais estável. Temos bastante negociações entre R$ 200 e R$ 210 por arroba, com premiações nos valores mais altos”, explica.

Sustentação de preços

Ainda segundo Rezende, há uma expectativa que o escoamento de carne possa ganhar fôlego ainda em 2019. “Quem sabe depois desse momento de equilíbrio não possa vir correções positivas para o boi gordo. O mercado está passando por um ajuste de baixa, mas a sustentação estrutural de demanda que pode subir no início de 2020 e permanecer ao longo dos próximos meses em um patamar mais alto. E a correção, acreditamos que o mercado apresente preços mais fortes”, enfatiza.

Temos o ciclo de pecuária entrando na fase de alta, com oferta de fêmeas menor ao volume de abate que deve cair, criando uma oferta restrita em comparação ao usual. Além disso, com a demanda interna se fortalecendo  e as exportações continuando muito positiva, mantendo boas proporções, criando uma arroba mais forte em 2020 do que vimos em 2019.

O que pode dar errado? 

Por fim, o analista explica que apesar das boas expectativas, ainda existem motivos para que planos não saim conforme o planejado. “Há uma ameaça agora da China com essa notícia recente do acordo da primeira fase entre  o país asiático e Estados Unidos, já que o Donald Trump está colocando uma pressão para que a China amplie suas compras de produtos agrícolas, como soja e proteínas”, diz.

“Outro fator que também pode impactar é uma baixa recuperação do consumo interno de carne bovina. Além disso, é importante destacar que o pecuarista deve ficar atento aos valores de reposição e do milho”, finaliza.

Compre Rural com informações do Notícias Agrícolas e Canal Rural

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