Arroba firme a R$ 325 e vai bater recorde nesta semana

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O mercado continuará a se confrontar com a lacuna na oferta de animais e a disparada de preços será vista nesta semana, lembrando que arroba já se aproxima do recorde.

Os preços do boi gordo tiveram uma nova onde de valorização nas principais praças pecuárias pelo país na última semana. Os valores voltaram ao patamar de R$ 325,00/@ e as indústrias frigoríficas estão lutando para tentar alongar suas escalas de abate. Confira abaixo os motivos da nova dispara de preços recorde!

Tudo indica que, no curto prazo, o mercado brasileiro do boi gordo continuará mantendo a trajetória de valorização, motivada pela oferta restrita de animais terminados e pelo ritmo aquecido das exportações de carne bovina e a melhora no consumo interno, preveem os analistas do setor pecuário.

Fechamento da semana

O indicador do boi gordo do Cepea teve um dia de alta dos preços e ficou muito próximo de registrar um novo recorde. Atualmente, a máxima histórica da série é de R$ 320 por arroba.

A cotação variou 0,66% em relação ao dia anterior e passou de R$ 317,35 para R$ 319,45 por arroba. Sendo assim, no acumulado do ano, o indicador valorizou 19,58%. Em 12 meses, os preços alcançaram 54,77% de alta.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado chegou a R$ 315,26/@, na sexta-feira (11/06), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 304,31/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 308,13/@.

Segundo a Scot Consultoria, o volume de negócios foi menor nessa sexta-feira (11/06) em São Paulo, e os preços no mercado do boi gordo estão estáveis na comparação feita dia a dia. O boi, vaca e a novilha gordos estão sendo negociados em R$316,00/@, R$294,00/@, e R$309,00/@, nessa ordem, preços brutos e a prazo.

O mercado para os animais que atendem o padrão exportação segue mais valorizado, com um ágio de até R$ 10,00/@ a depender do lote, distância da indústrias e qualidade dos animais. Destaque fica para a variação cambial neste momento.

Escalas de abate ajustadas

O aumento dos preços pago pelo boi gordo contribuíram para o andamento das escalas de abate em quase todo o país. Apesar da valorização dos preços, as indústrias seguem trabalhando abaixo da sua capacidade de de abate, o que complica suas margens:

  • Em São Paulo e Goiás, os frigoríficos encerraram a semana com 10,0 dias úteis já comprometidos, estabelecendo-se bem acima da média dos últimos doze meses.
  • Em Mato Grosso do Sul e Tocantins, os cronogramas estão alinhados para os próximos 7,0 dias úteis.
  • No Mato Grosso, as escalas fecharam a semana com 6,0 dias úteis já compromissados.
  • A industrias mineiras são a que encontram os maiores desafios no momento. Dentre as praças analisadas é o único estado que teve uma regressão em suas escalas de abates, fechando a sexta feira com 5,0 dias úteis, ante os 6,0 dias úteis da sexta-feira passada.

Mercado Futuro

Por outro lado, na B3, os contratos futuros do boi gordo seguem em tendência de queda em contraposição ao movimento do mercado físico. O vencimento para junho passou de R$ 319,75 para R$ 318,25, o para outubro caiu de R$ 331,40 para R$ 329,15, e o para novembro, de R$ 332,00 para R$ 329,75 por arroba.

Complicação para as indústrias

Segundo lembra o zootecnista Douglas Coelho, sócio da Radar Investimentos, geralmente, o primeiro trimestre é marcado como um período de descarte de animais que não emprenharam na última estação de monta.

“O que ocorreu foi o contrário”, ou seja, foi registrado um movimento de retenção forte e histórico, destaca Coelho. No período trimestral, o IBGE apontou um abate de fêmeas de 2,41 milhões de cabeças, o menor número entre os primeiros trimestres dos últimos 18 anos, destaca o sócio da Radar.  Ou seja, há um movimento de retenção de fêmeas também em 2021, assim como em 2020.

Dólar no radar

Porém, observa a IHS, os recentes movimentos de valorização do real frente ao dólar não inibiram o crescimento dos embarques de carne bovina. Ou seja, a moeda menos competitiva não tirou a força do Brasil no comércio internacional de carne vermelha.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume exportado na primeira semana de junho alcançou 24,2 mil de toneladas, com uma média diária de 8,1 mil toneladas/dia, um avanço de 11,95% em relação à média de junho/20 e 34,2% superior à média diária do maio/21.

Disparada dos preços

O mercado segue com uma pressão grande oriunda da oferta de animais para abate. Esse cenário já se concretizou mais uma vez e, com ele, a preocupação das indústrias e pecuaristas se voltam para a capacidade do mercado interno em retomar o nível do consumo histórico.

O ponto positivo é que, na última semana o mercado interno elevou a demanda pela carne bovina, enxugando os estoques. Além disso, a queda do dólar não tirou o interesse do mercado externo pelo produto nacional, fator esse que deve se consolidar ao longo do mês e trazer novas valorizações nos patamares de preços da arroba pelo Brasil.

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