BMG Foods entra com pedido de recuperação judicial após acumular R$ 3,5 bilhões em dívidas

Empresa BMG Foods, controlada pelo grupo paraguaio Concepción, que já esteve entre as cinco maiores produtoras de carne bovina do Brasil, busca proteção judicial no Paraná. Crise financeira também afeta fornecedores, pecuaristas e operações do grupo no Paraguai.

A BMG Foods, uma das empresas que já figurou entre as maiores produtoras de carne bovina do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná após acumular cerca de R$ 3,5 bilhões em dívidas. A informação foi divulgada pelo The AgriBiz e marca um novo capítulo da crise financeira enfrentada pelo grupo, que nos últimos meses vinha reduzindo operações e devolvendo frigoríficos arrendados.

Segundo as informações, a companhia controlada pelo grupo paraguaio Concepción, pertencente ao empresário brasileiro Jair Lima, recorreu ao processo de recuperação judicial para obter proteção contra seus credores enquanto tenta reorganizar sua estrutura financeira.

Crescimento acelerado terminou em forte endividamento

De acordo com as informações publicadas pelo site brasileiro, a crise tem origem no modelo de expansão adotado pela empresa nos últimos anos.

A estratégia envolveu uma série de aquisições e arrendamentos de frigoríficos financiados com capital de terceiros, permitindo que a BMG Foods crescesse rapidamente no mercado brasileiro. Entretanto, o aumento do custo do capital e a dificuldade para administrar o elevado nível de endividamento acabaram comprometendo a saúde financeira da companhia.

Durante seu auge, a empresa chegou a integrar o grupo das cinco maiores produtoras de carne bovina do país, mas recentemente iniciou um movimento de devolução de unidades frigoríficas que operava por meio de contratos de arrendamento.

Crise ultrapassa o Brasil

A situação financeira também atingiu a controladora paraguaia.

Segundo comunicado pela CNN Brasil, o grupo Concepción, considerado o segundo maior player da carne bovina no Paraguai, entrou em processo de reestruturação e deixou de honrar compromissos financeiros internacionais, incluindo o atraso no pagamento de juros referentes a títulos de dívida (bonds).

Esse cenário demonstra que as dificuldades não se restringem às operações brasileiras, mas envolvem toda a estrutura empresarial do grupo.

Fornecedores e pecuaristas foram impactados

A reportagem informa ainda que a crise provocou reflexos diretos sobre diversos parceiros comerciais da companhia.

Entre os credores estão:

  • transportadoras responsáveis pela logística da operação de carne suína no Paraná;
  • fornecedores de diversos segmentos;
  • pecuaristas que entregaram animais aos frigoríficos da empresa e aguardavam pagamento.

Os executivos da empresa chegaram a informar, em abril, que os pagamentos em atraso seriam regularizados gradualmente. No entanto, no mês seguinte, a situação evoluiu para um processo formal de reestruturação financeira.

Recuperação judicial substitui medida cautelar

Antes do pedido de recuperação judicial, a empresa estava protegida por uma medida cautelar que suspendia temporariamente execuções de dívidas.

Agora, a BMG Foods passa oficialmente a conduzir sua reestruturação por meio da recuperação judicial, assessorada pelo escritório Guedes & Manocchio, conforme informado pelo The AgriBiz.

Maior credor concentra R$ 1,5 bilhão

Entre os principais credores listados no processo está o Bank of New York Mellon, responsável por representar os detentores dos títulos internacionais emitidos pelo grupo.

Segundo a publicação, somente essa instituição concentra aproximadamente R$ 1,5 bilhão em créditos relacionados ao processo de recuperação judicial.

O que o caso representa para o setor

Embora a recuperação judicial seja um instrumento previsto na legislação brasileira para permitir a reorganização financeira das empresas, o caso da BMG Foods chama atenção pelo porte da companhia e pelo volume das obrigações financeiras envolvidas.

O episódio também evidencia os desafios enfrentados por empresas que expandiram suas operações com elevado grau de alavancagem financeira em um cenário de juros elevados e aumento do custo do crédito. Além disso, reforça os impactos que crises corporativas podem gerar ao longo da cadeia da proteína animal, atingindo fornecedores, transportadores, instituições financeiras e produtores rurais.

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