Boi de papel: Saiba como investir em pecuária na bolsa de valores

Boi de papel: Saiba como investir em pecuária na bolsa de valores

PARTILHAR
Boi de papel- Saiba como investir em pecuária na B3
Foto: Divulgação

Entenda como funciona o investimento em boi na Bolsa de Valores; veja o perfil de investimento e como funciona a dinâmica da Faria Lima

Leandro Girotto* – A base de raciocínio que envolve a negociação dos contratos futuros de boi gordo é a definição do preço da arroba líquida do animal em data futura. O contrato faz referência à carcaça do animal bovino macho, castrado e bem-acabado (carcaça convexa), criado em pasto ou em confinamento, com 16 arrobas líquidas – ou mais – de carcaça e no máximo 42 meses de idade.​

Cada contrato equivale à negociação de 330 arrobas líquidas – sendo que cada arroba líquida equivale a 15 quilos – oriundas do animal que tem essas características. Ou seja, cada contrato negocia o equivalente a 4.950 quilos desse ativo-objeto.

E, aproveitando para esclarecer uma das primeiras dúvidas levantadas no início desse artigo, a liquidação desse contrato é exclusivamente financeira. Logo, como você já sabe, não existe a entrega física da mercadoria, tampouco a necessidade de transportar, distribuir ou entregar o ativo-objeto – o boi – negociado como ativo financeiro por meio do mercado futuro.

Os preços do futuro de boi gordo variam de acordo com as oscilações do mercado físico e também de acordo com a proximidade do vencimento do contrato, que ocorre mensalmente. O principal índice de referência do preço disponível por arroba dessa commodity, é o indicador agropecuário Boi Gordo Esalq BM&FBovespa.

gráfico boi gordo futuro
Boi gordo futuro / Fonte: Investing.com

Quando vencem os contratos de boi gordo futuro

Embora haja um período específico para a engorda do boi, os contratos têm vencimento para todo o ano. Ao longo dos 12 meses, é possível liquidar os valores, respeitados os prazos acordados. Na prática, é uma forma de ter mais versatilidade e até liquidez para o investimento. A negociação acontece até o último dia útil do mês, das 9h às 16h e das 17h às 18h. O ativo futuro de boi gordo na Bolsa de Valores é o BGI, mas existem outros elementos que compõem a sua identificação.

Logo depois dessa sigla, é necessário inserir a letra que representa o mês de vencimento do contrato a ser negociado. O BGI tem vencimento todos os meses, sempre na última sessão de negociação do mês. Assim, cada mês de vencimento tem as respectivas siglas:

  • ​Janeiro: F;
  • Fevereiro: G;
  • Março: H;
  • Abril: J;
  • Maio: K;
  • Junho: M;
  • Julho: N;
  • Agosto: Q;
  • Setembro: U;
  • Outubro: V;
  • Novembro: X;
  • Dezembro: Z.

Dica de leitura:

Variação mínima 

O tamanho do contrato é de 330 arrobas líquidas. No entanto, apesar de a cotação dá-se em reais por arroba líquida e o valor por cada ponto ser de R$ 330, a variação mínima de apregoação (tick size) do contrato é de R$ 0,05.

Lote padrão

O lote padrão é a quantidade múltipla negociável de determinado contrato. Em alguns casos, como no dólar futuro, essa quantidade é de cinco contratos por lote, ou seus múltiplos: dez, 15, 20 e assim por diante. No caso do futuro de boi gordo, é possível negociar a partir de um único contrato.

Custos e taxas

Operar contratos futuros de boi gordo, assim como qualquer outro do mercado futuro, requer o pagamento de algumas taxas. A primeira delas é a de corretagem, cujo valor depende muito da corretora ou do banco de investimentos com que você mantém relacionamento. Além disso, também são cobradas as taxas operacionais da B3, como as taxas de registro e de emolumentos.

Foto: Divulgação

Esse mercado possui alavancagem elevada

O mercado de futuro boi gordo é considerado o que mais proporciona alavancagem para o investidor. Isso significa que é possível movimentar grandes volumes financeiros sem ter todo o financeiro depositado em conta.

Para negociar esse contrato é necessário depositar na instituição por meio da qual você opera, um valor que servirá como margem de garantia da operação, requisitada pela B3. Esse valor costuma ser de aproximadamente 8% o valor total do contrato negociado, e você pode utilizar saldo em conta corrente, títulos inteiros do Tesouro Direto, ou até mesmo ações como garantia.

Imposto de renda (IR) sobre operações

Sobre o lucro líquido, ou seja, após auferidos os custos de corretagem e taxas operacionais da B3, há a incidência de imposto de renda com alíquota de 20% para operações day trade. No caso de operações normais, a alíquota é de 15%.

Nesse último caso, o imposto de renda é apurado sobre o resultado positivo da soma dos ajustes diários a partir do primeiro dia útil após a abertura do contrato, até o encerramento da posição ou cessão da operação. Logo, a apuração do imposto não é realizada mensalmente, e sim ao longo da vigência do contrato.

Como no caso de qualquer operação no mercado futuro, o recolhimento do imposto é de responsabilidade do investidor e deve ser realizado até o último dia útil do mês seguinte às operações.

Por que a cotação do boi hoje varia

O valor do boi hoje tem flutuações que dependem do período de vencimento do contrato e do cenário externo. As condições do mercado físico, como a disponibilidade e os acordos comerciais, ajudam a definir qual é a cotação do boi hoje. O indicador é o Boi Esalq e as negociações na B3, na Bolsa de Chicago e na Bolsa de Valores da Austrália são destaques.

Qual a importância na economia​

​O mercado de boi gordo foi criado na B3 (originalmente na Bolsa de Mercadorias e Futuros) a fim de oferecer proteção aos criadores de gado e às empresas que compram essas criações pra abate e industrialização.

Por um lado, o criador garante que terá um valor xis por seu trabalho dali a meses e, por outro, as empresas de abate poderão compra-los por valores previsíveis, independentemente da flutuação natural do mercado.

Principais empresas que negociam

As principais empresas negociando esse derivativo são, como era de se esperar aquelas cujo principal ativo do negócio é a carne bovina. Algumas delas estão, inclusive, listadas na bolsa de valores, tendo suas ações negociadas no mercado:

  • JBS Friboi (JBSS3)
  • Marfrig (MRFG3)
  • Minerva (BEEF3)
  • Brasil Foods (BRFS3)

Para quem esse investimento é indicado 

Obviamente, o principal público desse tipo de investimento são os pecuaristas, que precisam vender os animais, e as empresas que precisam comprá-los. Porém, o preço do contrato futuro varia ao longo do tempo até a data de seu vencimento. Assim, é possível especular, comprando na esperança de vender mais caro dali a um tempo mais ou menos curto ou vendendo na esperança de comprar mais barato.

É notável como um mesmo instrumento serve a um perfil conservador, de proteção (caso dos criadores e empresários), como a um perfil agressivo (caso dos especuladores).

Prós e contras de se investir em boi futuro

Para aqueles que comerciam o boi gordo (produtores e compradores) é uma forma de se garantir contra a variação dos preços e incertezas futuras que podem fazer o preço dessa commodity variar: clima, greves, doenças. Para quem quer especular, trata-se de um derivativo com relativa liquidez: sempre será possível encontrar compradores e vendedores desse papel.

O principal risco do contrato futuro de boi gordo é justamente o de mercado: se comprarmos o papel e ele desvalorizar, teremos um prejuízo. Por outro lado, se vendermos o papel e ele valorizar, também registraremos perdas. Note que isso não influencia a vida de quem está comprando ou vendendo contratos a fim de fazer hedge, afinal, para esses, o ativo objeto (boi gordo) é a principal finalidade; se eu comprei contrato futuro e o preço do boi caiu, o fato é que eu paguei um valor anterior que estava dentro do meu orçamento e eu terei os animais a um preço previsto no fim das contas.

Há liquidez, mas ela não chega a ser tão grande quanto a de contratos futuros do índice Bovespa ou do dólar, então a leitura gráfica é dificultada em tempos mais curtos como as dos gráficos intraday. O contrato de maior liquidez costuma ser o com vencimento em outubro.

O pecuarista investe cada vez mais em tecnologias que promovem o aumento da produtividade por hectare, para aumentar a eficiência e diluir o custo fixo. Apesar do aumento do pacote tecnológico aplicado nas fazendas, poucas são as empresas rurais que utilizam ferramentas de gestão que promovem a redução do risco de preços, ou o hedge.

Leandro Girotto, pecuarista e administrador do site boibrazil.com.br

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com

PARTILHAR
Portal de conteúdo rural, nosso papel sempre será transmitir informação de credibilidade ao produtor rural.