Negócio à vista em Mococa supera as referências médias do estado; Indicador DATAGRO sobe pela sexta vez seguida, enquanto frigoríficos menores enfrentam dificuldade para completar o abate
O boi gordo começou a última semana de setembro com o mercado físico firme e espaço para o pecuarista negociar. Nesta segunda-feira (28), o Indicador do Boi DATAGRO em São Paulo subiu 0,35%, para R$ 360,25 por arroba, acumulando a sexta alta consecutiva. Todas as demais praças acompanhadas pelo indicador também avançaram, com destaque para a Bahia, onde a cotação subiu 2,27%, para R$ 342,70.
O sinal mais forte veio de uma negociação em Mococa, no interior paulista. Segundo o levantamento da Agrobrazil divulgado por Lorenzo Junqueira, do Balcão do Boi, o melhor negócio reportado no dia foi fechado a R$ 370 por arroba à vista, para um frigorífico com apenas um dia de escala. É um valor pontual, ainda distante de representar todo o mercado paulista, mas que mostra quanto um comprador pode pagar quando precisa completar rapidamente sua programação.
Menos dias de escala aumentam a disputa pelo gado
Na amostra da Agrobrazil, a média das escalas de abate caiu de 5,81 para 5,45 dias úteis. O recuo indica menor cobertura de animais já comprados e ajuda a explicar a firmeza das ofertas dos pecuaristas.
A Safras & Mercado também identifica programações relativamente curtas, concentradas entre seis e sete dias úteis em seu levantamento. O analista Fernando Henrique Iglesias observa que a pressão é maior sobre frigoríficos pequenos e médios, que têm mais dificuldade para completar as necessidades de abate. As grandes indústrias contam com maior apoio de contratos de parceria e confinamentos próprios.
Os levantamentos usam amostras diferentes; por isso, as médias de escala não precisam coincidir. Ambos, porém, apontam a oferta restrita de animais terminados como fator de sustentação do mercado.
R$ 370 é negócio pontual; referências seguem perto de R$ 360
A diferença entre o melhor negócio do dia e as cotações médias exige atenção às condições de cada venda. A Agrifatto manteve a referência do boi gordo paulista em R$ 360 por arroba, a prazo, mas registrou negócios pontuais a R$ 365, ainda sem volume suficiente para consolidar esse preço como referência.
Já a Scot Consultoria apontou, em São Paulo, R$ 355 por arroba para o boi destinado ao consumo doméstico e R$ 360 para o animal com padrão de exportação à China, em valores brutos e a prazo. O negócio de R$ 370 em Mococa, por sua vez, foi informado à vista. Prazo de pagamento, padrão do animal, localização e urgência do comprador fazem diferença na comparação entre esses valores.
Na B3, o contrato de outubro do boi gordo, BGIV26, recuou 0,04% e encerrou a segunda-feira a R$ 378,00 por arroba, em uma sessão com volume de negócios abaixo da média. A leve baixa no futuro não mudou o quadro de firmeza observado no mercado físico.
Virada do mês pode ajudar, mas consumo impõe limite
A chegada de outubro coloca o atacado no centro das atenções. Com o pagamento dos salários, a reposição de carne pelo varejo pode ganhar ritmo e abrir espaço para novos reajustes da arroba, especialmente entre os frigoríficos que estiverem com as escalas mais apertadas.
A alta, contudo, dependerá da capacidade de venda da carne. Iglesias avalia que a proteína bovina segue menos competitiva que concorrentes como o frango, o que pode limitar o tamanho dos avanços. No levantamento da Safras & Mercado, o quarto dianteiro estava em R$ 21,50 por quilo, o traseiro em R$ 28,00 e a ponta de agulha em R$ 20,00 na abertura da semana.
As exportações também seguem no radar. Dados preliminares da Secex, apresentados no fechamento do Balcão do Boi, mostram embarques de 176,3 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada nos primeiros 18 dias úteis de setembro. A média foi de 9,79 mil toneladas por dia útil, 31,5% abaixo da registrada em setembro do ano passado. O resultado mensal ainda depende dos embarques dos últimos dias.
O dólar à vista fechou a segunda-feira em alta de 0,83%, a R$ 5,2264, segundo o levantamento de Junqueira. A cotação foi a maior de fechamento desde 30 de março e é mais uma variável a acompanhar na formação das receitas de exportação.
O que o pecuarista deve observar nesta semana
A abertura da semana é favorável a quem tem gado pronto, sobretudo nas regiões onde compradores precisam recompor escalas. A sexta alta seguida do Indicador DATAGRO em São Paulo, a redução das escalas na Agrobrazil e os negócios acima das referências médias mostram um mercado físico que continua avançando.
O próximo passo será verificar se os preços pontuais de R$ 365 e R$ 370 aparecem em mais negociações ou se permanecerão restritos a compradores com necessidade imediata de abate. A reação do atacado na virada do mês será decisiva para sustentar uma nova rodada de altas.
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