Boi gordo inicia setembro com oferta ajustada e mercado vê espaço para reação da arroba

Após um agosto de pressão e estabilidade no fechamento, consultorias apontam menor oferta de animais, resistência dos pecuaristas e demanda típica de início de mês como fatores capazes de sustentar a arroba; em São Paulo, negócios pontuais chegaram a R$ 350/@.

O mercado do boi gordo entra em setembro com uma combinação que volta a colocar o pecuarista em posição de atenção: oferta mais ajustada de animais terminados, resistência dos vendedores e expectativa de melhora do consumo interno. Depois de um agosto marcado por perda de força em algumas praças, o último dia do mês trouxe estabilidade e sinais de que a pressão baixista pode estar encontrando limites. Em São Paulo, as referências ficaram entre R$ 342 e R$ 345 por arroba, dependendo da consultoria e do padrão negociado, enquanto operações pontuais alcançaram R$ 348 a R$ 350/@.

O cenário, porém, ainda está longe de representar uma arrancada generalizada das cotações. Segundo a Safras & Mercado, o fechamento de agosto teve baixo fluxo de negócios, com diversas indústrias fora das compras enquanto avaliavam suas estratégias de aquisição. A expectativa da consultoria é de melhora do consumo durante a primeira quinzena de setembro, favorecendo os preços da carne bovina, embora sem indicar, por enquanto, espaço para altas muito fortes.

São Paulo chega a registrar negócios de R$ 350/@

A diferença entre os indicadores mostra justamente como o mercado começa setembro bastante regionalizado. Dados da Agrifatto apontaram o macho terminado, com ou sem padrão China, em R$ 345/@ a prazo em São Paulo. Já a Scot Consultoria indicou o boi destinado ao mercado doméstico em R$ 342/@, enquanto o chamado boi-China estava em R$ 344/@, também considerando valores brutos e a prazo.

Mais interessante para o pecuarista é o comportamento observado fora das referências principais. A Agrifatto identificou negócios pontuais entre R$ 348 e R$ 350/@, especialmente envolvendo frigoríficos menores direcionados ao mercado doméstico. O volume, entretanto, ainda foi insuficiente para transformar esses preços em referência consolidada.

Pela Safras & Mercado, as médias no encerramento de agosto ficaram em R$ 343,92/@ em São Paulo, R$ 333,57/@ em Goiás, R$ 333,59/@ em Minas Gerais, R$ 337,16/@ em Mato Grosso do Sul e R$ 326,69/@ em Mato Grosso.

Por que setembro pode mudar o jogo da arroba?

A expectativa de recuperação não está baseada em apenas um fator. Na avaliação apresentada pela Scot Consultoria, quatro elementos podem contribuir para um mercado mais firme entre setembro e o fim do ano.

Um deles é a tendência de frigoríficos aumentarem a procura por bovinos jovens, especialmente durante a segunda metade do mês, mirando a formação de estoques para atender posteriormente às exportações. Outro ponto é sazonal: entre setembro e dezembro, a participação de fêmeas nos abates tende a diminuir em relação a períodos anteriores, reduzindo parte da disponibilidade de animais.

A própria dinâmica das escalas será decisiva. A Agrifatto avalia que oferta ajustada e resistência dos vendedores podem sustentar as cotações nos próximos dias. Do outro lado, o conforto relativo das escalas de abate de algumas indústrias ainda funciona como freio para movimentos mais agressivos de alta.

Consumo pode dar o primeiro teste de setembro

No mercado interno, os primeiros dias do mês serão importantes. A entrada dos salários tradicionalmente melhora a capacidade de consumo das famílias e pode favorecer o escoamento da carne bovina.

A Safras & Mercado considera a primeira quinzena de setembro determinante para uma possível reação das cotações. O problema é que a carne bovina continua enfrentando concorrência importante das demais proteínas. A elevada disponibilidade de carne suína, frango e ovos mantém alternativas mais baratas ao consumidor e limita o espaço para reajustes fortes da carne bovina no atacado.

No fechamento de agosto, o quarto traseiro bovino estava em R$ 26/kg, o dianteiro em R$ 20/kg e a ponta de agulha em R$ 18,80/kg, segundo os dados apresentados pela Safras & Mercado.

Estados Unidos entram no radar, mas efeito ainda não chegou ao físico

Outro componente que ganhou peso nas expectativas para a arroba é o mercado norte-americano. A possibilidade de uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina provocou reação positiva principalmente no mercado futuro, mas as consultorias destacam que o reflexo imediato sobre as negociações físicas ainda é limitado.

Segundo a Safras & Mercado, as indústrias ainda estudam a viabilidade econômica das operações destinadas aos Estados Unidos. A Agrifatto também relata que a perspectiva repercutiu nos contratos futuros, enquanto os frigoríficos analisam se vale a pena ampliar os embarques ao mercado norte-americano.

Esse ponto será importante porque uma demanda externa adicional poderia aumentar a competição pela matéria-prima justamente em um momento de oferta potencialmente mais restrita.

Setembro começa com disputa entre dois lados do mercado

Para o pecuarista, portanto, o início de setembro apresenta fundamentos melhores do que aqueles observados durante parte de agosto, mas ainda não confirma uma disparada da arroba. De um lado estão oferta ajustada, resistência às vendas, possível redução sazonal da disponibilidade de animais e melhora esperada do consumo. Do outro, frigoríficos ainda relativamente confortáveis nas escalas, concorrência das proteínas mais baratas e dúvidas sobre a velocidade com que novas oportunidades de exportação chegarão ao mercado físico.

A combinação torna as próximas semanas especialmente relevantes. Se as escalas encurtarem e os frigoríficos precisarem elevar as compras enquanto o produtor continuar segurando animais, os negócios pontuais próximos de R$ 350/@ em São Paulo poderão deixar de ser exceção e começar a testar novas referências. Por enquanto, porém, esse movimento ainda precisa ganhar volume para confirmar uma nova trajetória de alta.

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