Boiada caminha para o gancho com chegada do frio

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Foto Divulgação.

Pecuaristas estão começando a ofertar as boiadas com receio do pasto secando e de que os compradores retraiam ainda mais as ofertas pelo boi!

Daqui para a frente, com a aproximação do período seco, será cada vez mais difícil lançar mão da estratégia de manter os animais já prontos nos pastos, pois a estiagem está jogando o bafo frio do inverno em boa parte do Brasil Central. Quem faz esse comentário é a médica veterinária e pecuarista Lygia Pimental, diretora executiva da consultoria Agrifatto, que divulgou um artigo com previsões para o setor em meio à pandemia do Covid-19.

Em algumas importantes regiões pecuárias, como nos Estados do Mato Grosso e  Mato Grosso do Sul, a recomendação feita por Lygia parece que já está sendo colocada em prática. Pelo menos é o que mostrou o levantamento desta quarta-feira da Informa Economics FNP, que detectou ajustes negativos nos valores do boi gordo em ambos os Estados. “No MT e MS, alguns pecuaristas já começam a liquidar o gado terminado, com receio de que a fraca atuação dos compradores se prolongue e, no curto prazo, os preços se fragilizem ainda mais”, relatou a FNP.

No app da Agrobrazil, pecuaristas começaram a informar um número maior de animais negociados, os preços seguem com uma flutuação grande, principalmente na praça de São Paulo. Pecuaristas do MS e MT, devem ficar atentos ao pasto e o frio no lombo dos animais.

Em Dracena/SP, o preço é de R$ 200/@ a vista e abate para o dia 24 de abril. Em Água Clara/MS, o valor foi de R$ 185/@ a prazo com 30 dias e abate para o dia 25 de abril. Já em Crixás/GO, foi de R$ 185/@ à prazo com 30 dias e abate para o dia 23 de abril.

O Boi a Termo, em Irapuâ/SP, o valor foi de R$ 212/@ à vista e abate para o dia 16 de abril. Em Marília/SP, o pecuarista recebeu R$ 203 a prazo com 2 dias para pagamento e abate para o dia 23 de abril, maior valor para a semana até o momento.

A média na praça de São Paulo, segundo o app da Agrobrazil, tivemos uma alta de 3,43%, fechando o dia em R$ 200,23/@. Os preços no estado de São Paulo, teve uma variação de R$ 196/@ até R$ 203/@, levando em conta os animais com Padrão China, esses chegam a receber um ágio de até R$ 15/@ a mais que os animais do Mercado Interno.

Ainda em relação ao Centro-Oeste brasileiro, o o relatório do Imea (Instituto de Economia Agrícola Mato-Grossense), divulgado nesta semana, mostrou que, na região de Mato Grosso, o número de negociações de boi gordo tem melhorado, principalmente do dito “Boi china”, cujo valor pode chegar a R$ 195/@.

No entanto, ainda há regiões pecuárias que registram baixíssimo volume de negócios, devido á grande escassez de oferta de boiada terminada – há pecuaristas que ainda preferem apostar na retenção dos animais prontos no pasto, pelo menos enquanto houver capim verde na fazenda.

Esse quadro de baixa oferta de bois, combinada com a forte demanda dos frigoríficos que exportam para a China, ainda pressiona para cima os preços da arroba em algumas praças pecuárias. Foi o caso do mercado de São Paulo, que registrou leve aumento de R$ 1/@ no preço do boi gordo nesta terça-feira, que voltou a valer R$ 200/@ (a prazo), de acordo com dados da FNP.

Segundo essa mesma consultoria, a competitividade da carne brasileira no mercado externo, num momento de grande receio acerca de uma possível crise de abastecimento, tem favorecido as exportações brasileiras. “Além do volume embarcado, as indústrias habilitadas são beneficiadas pela desvalorização cambial da moeda nacional, aumentando suas margens de lucro”, destaca a consultoria. Já no mercado doméstico, as vendas de carne bovina se mostraram acima do esperado para a chegada da segunda quinzena do mês, e os preços dos principais cortes bovinos registraram ajustes positivos nesta terça-feira.

Na avaliação de Lygia Pimental, depois das quedas nas últimas semanas, o valor do boi gordo está “se ajustando  à nova realidade, oscilando atualmente entre R$ 190 a 195/@ em São Paulo”. “Com o ajuste produtivo e o enxugamento do mercado de carne, os preços pecuários logo encontraram um piso, que é exatamente onde nos encontramos no momento”, avalia Lygia.

Dados do Cepea 

Segundo análise divulgada nesta quinta-feira pelo Cepea/Esalq, diante do atual cenário de incertezas por conta da pandemia de coronavírus, muitos operadores ficam ativos no mercado apenas quando há maior necessidade, seja de compra e/ou de venda.

“Com isso, os preços da arroba oscilaram com certa força na primeira quinzena de abril. Em São Paulo, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 fechou a R$ 198,50/@ nessa quarta-feira, 15, o que representou queda de 2,29% no acumulado parcial do mês. Nestes primeiros 15 dias, a mínima do Indicador, de R$ 195,40/@, foi observada no dia 2, ao passo que a máxima, de R$ 203/@, no dia 1º, uma diferença de R$ 7,6 por arroba.

Scot Consultoria

O escoamento da carne bovina no mercado interno está sem força e, apesar do feriado da próxima semana (21/4 – Tiradentes) não se espera melhoria de desempenho. Os compradores estão apalpando o mercado e ofertando preços abaixo da referência vigente ontem. Com essa estratégia, o volume de compras caiu, resultando em encurtamento das escalas. 

A referência de preço da arroba do boi gordo na praça paulista ficou estável e está em R$195,00, considerando o preço bruto, à vista, R$194,50, com desconto do Senar, e R$192,00 com desconto do Funrural e Senar.

Boi casado em queda

No decorrer de abril, a cotação do boi casado de animais castrados caiu 2% e está cotado em R$13,06/kg. Apesar dessa queda, na comparação ano a ano, a cotação está 25,1% maior este ano.

Compre Rural com informações do Agrobrazil, Portal DBO e Scot Consultoria

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