Bolsonaro completa 1.000 dias de governo, confira!

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Foto DIvulgação

Jair Bolsonaro completa 1.000 dias de governo, desde que assumiu a Presidência, em 1º de janeiro de 2019. Quais foram as mudanças neste cenário?

Apesar da perda de popularidade, o presidente Jair Bolsonaro pretende marcar a comemoração dos 1.000 dias de governo com uma série de eventos e inaugurações para mostrar que o governo trabalha incansavelmente para superar as dificuldades — percebidas pela população na forma de disparo da inflação, com aumento nos preços dos combustíveis, da luz e do gás de cozinha, além do desemprego e dos juros em rota de subida.

Para turbinar a ideia de se construir um momento virtuoso, o Palácio do Planalto divulgará um compilado de informações com análises positivas da atuação do presidente. Haverá destaque para o avanço da vacinação contra a covid-19, obras de infraestrutura e a promessa de ampliação do Bolsa Família, além de propostas para a retomada econômica e reforço no discurso anticorrupção.

Agronegócio

No cenário da agropecuária, aliás, comemora-se nesses quase três anos de gestão a entrega de mais de 230 mil títulos de propriedade. O documento, lembra balanço divulgado pelo governo nesta segunda-feira, 27, é fundamental para garantir o acesso de assentados e pequenos produtores ao crédito agrícola.

Outro destaque é a contratação de 189 mil apólices de seguro rural em 2020, que teriam beneficiado mais de 104 mil produtores rurais.

Outro ponto destacado refere-se à melhoria da infraestrutura: pelo levantamento do governo, desde 2019, foram transferidos 74 ativos à iniciativa privada, entre concessões, renovações, arrendamentos, investimento cruzado e cessões onerosas, num total de R$ 73 bilhões em investimentos contratados.

A previsão é de que essas ações resultem na geração de um milhão de empregos (diretos, indiretos e emprego-renda ao longo dos contratos), com expectativa de chegar ao final do mandato de Bolsonaro com a concessão de mais de 100 ativos e a contratação de R$ 250 bilhões em infraestrutura.

Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Cenários

Enquanto candidato, Bolsonaro chegou a afirmar no seu plano de governo que uma das estratégias, caso eleito, seria a de “adotar as mesmas ações que funcionam nos países com crescimento, emprego, baixa inflação, renda para os trabalhadores e oportunidades para todos”. Contudo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a realidade é bem diferente: são pelo menos 14,4 milhões de pessoas sem trabalho e, em 12 meses, a inflação bate na casa dos 10%.

Essa alta da inflação é puxada, principalmente, pelos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. Em 12 meses, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol de 40,75%, o diesel de 28,02% e o botijão de 13kg, de 31,7%. Os alimentos também estão mais caros, sobretudo os da cesta básica: entre setembro do ano passado e agosto deste ano, por exemplo, o valor do arroz subiu 32,68%, o da carne, 30,77%, o do café, 22,54% e o do açúcar, 37,74%. Há, ainda, a crise hídrica, que empurrou a conta de luz para as alturas

Segundo parlamentares, no entanto, qualquer discurso do governo não será capaz de alterar o atual cenário. A avaliação no Congresso é de que Bolsonaro não pode virar as costas para a realidade do Brasil e pintar um quadro que não existe.

“O país vive uma inevitável e grave escalada da inflação. A elevação dos preços se reflete diariamente no consumo das famílias brasileiras. Estamos diante de um processo inflacionário, acompanhado de estagnação econômica. O emprego se esvai por completo. Há 17 milhões de pessoas desempregadas (pelos cálculos oficiais são 14,4 milhões) no Brasil. Só há uma saída para isso: desenvolvimento econômico”, cobra o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

Na mesma linha, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) diz que Bolsonaro precisa dar uma resposta urgentemente. “Nós temos um país com os maiores índices de inflação, com a economia estagnada, sem crescimento, com o índice de desemprego nos maiores patamares, com 19 milhões de brasileiros sem segurança alimentar. Além disso, não há investimento público nem privado. O Brasil está se desindustrializando. Portanto, a realidade é a tragédia da carestia. A cesta básica subiu mais de 30%”, comenta.

“Os nossos inimigos são evidentes e claros. É o desemprego, é a fome, é a miséria, é a inflação. Nesse sentido, nós temos que juntar forças para vencê-los e fazer com que o Brasil volte a crescer”, acrescenta o deputado Darci de Matos (PSD-SC).

Melhorias

Na base governista, porém, a visão é bem diferente. O deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO), ex-líder do Palácio do Planalto na Câmara, garante que os primeiros anos da gestão do presidente foram excepcionais e que o governo tem muito a comemorar. Ele cita a reforma da Previdência, o Acordo de Alcântara, a proposta de emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra e o auxílio emergencial como importantes feitos.

“Conseguimos preservar os empregos dos brasileiros e salvar vidas, contratamos milhões de vacinas. Os desafios principais do governo foram plenamente alcançados na relação com o parlamento e no enfrentamento da pandemia nesses mais de dois anos. Avançamos na infraestrutura, leilão de portos e aeroportos, construção de pontes e ferrovias. O governo tem muito do que se orgulhar e vai avançar muito mais com a reforma tributária e administrativa”, observa.

Ele lembra que o presidente é bem recebido nas cidades por onde passa, o que mostra que a popularidade dele não é tão baixa assim como apontam as pesquisas. “Em 2018, falava-se que ele não avançaria, que desidrataria, que não passaria do primeiro turno — e, em todas as situações, venceu. Tenho plena consciência de que o governo vai seguir em frente. O Brasil segue firme para tentar equilibrar as necessidades de desenvolvimento econômico e a necessidade de preservação do meio ambiente”, diz.

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