Brasil abre cinco novos mercados para carnes, milho e produtos do agro

Novas autorizações alcançam proteínas animais, coproduto do etanol de milho, derivados suínos, extrato de carne e fibra de coco em destinos da América, Ásia, África e Caribe

O agronegócio brasileiro ganhou novas possibilidades de comércio exterior em cinco países. Autoridades sanitárias e fitossanitárias de Antígua e Barbuda, Chile, Argélia, China e Paraguai autorizaram a entrada de diferentes produtos nacionais, incluindo carnes, miúdos, derivados de suínos, DDG de milho, extrato de carne de ruminantes e fibra de coco. O anúncio foi feito conjuntamente pelo Mapa e pelo MRE na noite de 29 de setembro.

As liberações atingem cadeias bastante distintas e mostram uma estratégia de diversificação que vai além das grandes commodities agrícolas. Alguns dos acessos podem favorecer o aproveitamento comercial de coprodutos que já fazem parte dos sistemas brasileiros de produção, como o DDG da indústria de etanol de milho e determinadas partes do suíno. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Antígua e Barbuda autoriza carnes de cinco espécies

A abertura mais abrangente anunciada nesta rodada ocorreu em Antígua e Barbuda. O país caribenho passou a autorizar importações brasileiras de carnes, produtos cárneos e miúdos provenientes de aves, bovinos, suínos, caprinos e ovinos.

A medida não está limitada, portanto, a uma única proteína. Ela cria acesso regulatório para diferentes segmentos da pecuária brasileira, desde que os exportadores atendam aos requisitos definidos para cada mercadoria e operação.

Para o setor de carnes, ampliar o número de compradores disponíveis também ajuda a distribuir as vendas entre diferentes mercados. No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura atingiram US$ 3,98 bilhões e 702 mil toneladas, enquanto a carne suína alcançou US$ 846 milhões e 336 mil toneladas, recordes para o período segundo o Mapa.

Argélia abre espaço para DDG produzido a partir do milho

Outro acesso confirmado envolve a Argélia, que autorizou a importação de grãos secos de destilaria, ou DDG, de milho brasileiro.

O produto está diretamente ligado à expansão da indústria de etanol de milho. Depois que o amido do grão é utilizado na fabricação do biocombustível, permanecem frações ricas em nutrientes que podem ser processadas e destinadas principalmente à alimentação animal.

A experiência recente da China mostra como uma abertura pode criar uma nova frente comercial para esse coproduto. O mercado chinês autorizou o DDGS brasileiro em maio de 2025, e as primeiras cargas chegaram ao país asiático em 2026.

Entre fevereiro e junho deste ano, a China já havia comprado 262,1 mil toneladas de DDG brasileiro, tornando-se o principal destino no período, conforme levantamento publicado pelo Compre Rural. O avanço mostra o tamanho que um novo comprador pode adquirir quando existe demanda efetiva pelo produto.

Esse crescimento pode ser aprofundado na reportagem sobre como a China assumiu a liderança nas importações de DDG produzido no Brasil.

China amplia lista de produtos suínos autorizados

Na China, a autorização anunciada pelo Mapa contempla miúdos internos, pele e ossos de suínos brasileiros. O avanço complementa a revisão do protocolo sanitário bilateral formalizada poucos dias antes entre os dois países.

O acordo firmado em setembro ampliou uma relação comercial que anteriormente permitia apenas determinados produtos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína. O novo protocolo inclui itens como fígado, coração, rins, estômago, pele, cartilagem, ossos e outros produtos comestíveis, observados os requisitos sanitários acordados entre Brasil e China.

Segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgada pelo Mapa, mais de 100 mil toneladas por ano de miúdos suínos brasileiros poderão ser direcionadas ao mercado chinês. O governo brasileiro também informa que a China movimenta aproximadamente US$ 2,5 bilhões anuais em importações de miúdos suínos.

A relevância econômica está menos no aumento do número de animais abatidos e mais na possibilidade de encontrar mercados com maior procura por partes específicas da carcaça. Produtos de menor consumo relativo no Brasil podem ter demanda diferente em outros países, permitindo aos frigoríficos distribuir melhor os itens obtidos em cada abate.

O assunto já vinha sendo acompanhado pelo portal na reportagem sobre o protocolo entre Brasil e China para exportação de miúdos suínos e na análise sobre como partes menos valorizadas do suíno podem gerar novas receitas no mercado chinês.

Chile libera extrato de carne de ruminantes

O Chile autorizou a importação de extrato de carne de ruminantes produzido no Brasil para consumo humano. Diferentemente da abertura em Antígua e Barbuda, que abrange uma variedade maior de carnes e espécies, o acesso chileno é específico para esse produto processado.

A autorização adiciona um novo item à pauta de produtos de origem animal aptos a entrar no mercado chileno, desde que atendidas as condições sanitárias e comerciais exigidas pelo país comprador.

Paraguai autoriza fibra de coco para uso como substrato

No Paraguai, a autorização envolve um produto de origem vegetal: fibra de coco destinada ao uso como substrato.

O material possui aplicação conhecida na produção vegetal. Estudos da Embrapa mostram que a fibra obtida da casca do coco pode ser empregada como substrato na produção de mudas e em sistemas de cultivo sem solo, transformando um resíduo da cadeia do coco em insumo agrícola.

A abertura paraguaia cria, assim, uma possibilidade de exportação diferente das grandes cadeias de grãos e proteínas: um insumo associado ao aproveitamento da casca do coco e à produção de substratos agrícolas.

Abertura de mercado não significa venda automática

Apesar do anúncio representar avanço comercial, é necessário separar autorização de acesso de exportação efetivamente realizada.

Uma abertura sanitária ou fitossanitária estabelece as condições para que determinado produto brasileiro possa entrar legalmente no país comprador. No caso dos produtos de origem animal, por exemplo, estabelecimentos interessados também precisam cumprir requisitos de certificação, habilitação e demais regras previstas nos protocolos firmados.

O caso dos miúdos suínos vendidos à China ilustra essa diferença. O protocolo define os produtos autorizados e as exigências sanitárias, mas as empresas habilitadas ainda precisam obedecer às condições estabelecidas pelas autoridades dos dois países antes dos embarques.

Por isso, não é possível transformar as cinco autorizações anunciadas em um valor imediato de receita para o Brasil. O resultado dependerá da demanda, dos preços, da competitividade dos produtos brasileiros, da disponibilidade de exportadores habilitados e da concretização dos contratos comerciais.

Estratégia brasileira já ultrapassa 600 acessos desde 2023

As novas liberações fazem parte de uma sequência de negociações que se intensificou nos últimos anos. Página institucional do Mapa consultada em setembro de 2026 aponta 642 novos mercados em 91 destinos desde o início de 2023.

Os números não devem ser interpretados como 642 países diferentes. Na metodologia utilizada pelo governo, uma abertura pode corresponder à autorização de um produto específico em determinado destino, de modo que um mesmo país pode aparecer em várias negociações.

Dados consolidados de 2025 ajudam a mostrar a dimensão dessa política. Naquele ano, o Mapa contabilizou 225 novos mercados, enquanto as exportações do agronegócio alcançaram US$ 169,2 bilhões.

Um estudo desenvolvido pela ApexBrasil em parceria com o Mapa também estimou que mais de 500 acessos conquistados desde 2023 haviam gerado US$ 3,4 bilhões em exportações adicionais até o final de 2025. Esse número é agregado e não permite atribuir uma parcela específica às autorizações anunciadas agora.

A rodada divulgada em 29 de setembro mostra justamente a diversidade dessa estratégia. Em uma única comunicação oficial aparecem proteínas animais, um coproduto do etanol de milho, derivados suínos, um produto processado de carne e um substrato agrícola.

O impacto econômico de cada acesso será conhecido à medida que contratos e embarques forem realizados. Para produtores e agroindústrias, porém, a ampliação do número de destinos significa mais alternativas de comercialização e possibilidade de direcionar diferentes produtos para mercados onde exista demanda específica.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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