China assume liderança nas importações de DDG produzido no Brasil

Mercado chinês comprou 262,1 mil toneladas entre fevereiro e junho de 2026 e impulsionou o melhor primeiro semestre da história das exportações brasileiras do coproduto

A China assumiu a liderança nas importações de DDG produzido no Brasil apenas alguns meses depois de iniciar as compras do produto. Entre fevereiro e junho de 2026, o país asiático recebeu 262,1 mil toneladas, superando mercados que já ocupavam posição relevante nas vendas externas brasileiras.

O resultado mostra o efeito da abertura do mercado chinês, oficializada em maio de 2025. As primeiras cargas foram enviadas em fevereiro deste ano e, desde então, a China tornou-se o principal destino do coproduto obtido na fabricação de etanol de milho.

O DDG, sigla para grãos secos de destilaria com solúveis, é utilizado principalmente na formulação de rações para bovinos, aves e suínos. Sua expansão comercial acompanha o crescimento da indústria brasileira de etanol à base de milho.

China ultrapassa a Turquia entre os compradores

A entrada da China modificou a classificação dos maiores importadores do produto brasileiro. A Turquia, que havia liderado as compras em 2025, passou para a segunda posição ao adquirir 192,6 mil toneladas no primeiro semestre de 2026.

Vietnã, Nova Zelândia e Espanha também figuraram entre os destinos mais relevantes no período, ampliando a presença do DDG nacional em diferentes mercados consumidores de ingredientes para nutrição animal.

Essa diversificação reduz a dependência de um único país e cria novas possibilidades comerciais para as usinas brasileiras, especialmente diante do aumento da disponibilidade do produto no mercado interno.

Exportações atingem maior volume para o período

O Brasil embarcou aproximadamente 690 mil toneladas de DDG e DDGS entre janeiro e junho de 2026, estabelecendo o maior resultado já registrado para um primeiro semestre.

O volume corresponde a mais de 80% de tudo o que foi vendido ao exterior durante 2025, quando as exportações chegaram a 853,6 mil toneladas. Com esse desempenho, o setor avança com possibilidade concreta de encerrar o ano em um novo patamar histórico.

A evolução é expressiva quando comparada a 2019, início da série apresentada, quando os embarques totalizaram 53,5 mil toneladas. Em sete anos, o crescimento acumulado ficou próximo de 1.500%.

Avanço acompanha expansão do etanol de milho

O fortalecimento das exportações está ligado ao aumento da produção brasileira de etanol de milho. Durante o processamento do cereal, a indústria obtém coprodutos que conservam parte das proteínas, fibras, gorduras e minerais presentes no grão.

Essas características permitem o aproveitamento do DDG e do DDGS na alimentação animal, agregando valor à matéria-prima e criando uma fonte adicional de receita para as usinas.

A expansão da capacidade industrial também torna necessária a abertura de novos canais de comercialização. Nesse contexto, a demanda chinesa pode contribuir para absorver o crescimento da oferta brasileira e fortalecer a participação do país no comércio mundial de insumos para rações.

Cotações apresentam estabilidade no mercado interno

Apesar do avanço das vendas internacionais, os preços domésticos permaneceram entre estabilidade e pequenas quedas durante junho.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, esse comportamento foi influenciado pela boa oferta de milho, pela existência de contratos fechados antecipadamente e pela demanda característica do período seco.

Com a piora das pastagens, pecuaristas aumentam a suplementação dos rebanhos. O consumo pelas cadeias de aves e suínos também ajuda a sustentar a procura, embora sem provocar valorização generalizada das cotações.

Em Mato Grosso, o DDG de alta proteína foi negociado, em média, a R$ 1.014,12 por tonelada. Em Goiás, o valor chegou a R$ 1.100,83, enquanto Mato Grosso do Sul registrou média de R$ 1.055,44.

Para o WDG, produto comercializado com maior teor de umidade, as médias ficaram em R$ 392,96 por tonelada em Mato Grosso e R$ 434,97 em Goiás.

Mato Grosso do Sul registra recuo pontual

Mato Grosso do Sul apresentou a principal variação mensal entre os estados analisados. O aumento da disponibilidade e o menor ritmo de negócios levaram a uma queda de 2,6% no preço do DDG em junho.

De acordo com a análise da Scot Consultoria, esse movimento foi localizado e não representa uma mudança ampla na tendência do mercado.

A liquidez das negociações imediatas também permanece limitada porque parte das grandes indústrias já vendeu antecipadamente sua produção. Algumas empresas possuem entregas programadas até novembro de 2026, reduzindo o volume disponível no mercado spot.

Perspectiva indica preços sem grandes oscilações

Para o curto prazo, a expectativa é de continuidade do cenário atual. A disponibilidade de milho, o aumento previsto da produção industrial e a demanda sazonal devem manter as cotações entre estabilidade e leves recuos nas principais regiões produtoras.

No comércio exterior, porém, o ritmo é mais acelerado. A entrada da China amplia a capacidade de escoamento da produção brasileira e fortalece a integração entre as cadeias de milho, biocombustíveis e proteína animal.

Caso os embarques permaneçam próximos ao nível registrado no primeiro semestre, o Brasil poderá superar em 2026 o recorde anual alcançado no ano anterior.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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