Brasil envia de avião 600 bovinos de genética leiteira para Botsuana

Com 590 animais Girolando e 10 Gir, operação leva genética brasileira ao país africano, que produz apenas 10% do leite que consome; parceria também avalia laboratório de fertilização in vitro

A genética leiteira brasileira ganhou espaço em um projeto de expansão da produção de leite em Botsuana. O Brasil exportou 600 bovinos para o país africano, em uma operação realizada em três voos fretados, com embarques entre julho e setembro. Os animais saíram de Lins, no interior de São Paulo, com destino a Lobatse, no sudeste do país.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Botsuana produz atualmente apenas 10% do leite que consome. A cooperação busca ampliar essa oferta por meio do melhoramento do rebanho e da transferência de tecnologia, conectando a experiência brasileira em pecuária tropical à necessidade de fortalecer o abastecimento local.

Genética brasileira integra expansão de fazenda leiteira

O lote exportado reúne 590 animais da raça Girolando e 10 da raça Gir. As negociações foram realizadas com a Botswana Development Corporation (BDC), empresa estatal responsável por investimentos no país.

De acordo com o governo de Botsuana, a chegada dos primeiros animais brasileiros, em julho, integrou o programa de expansão da Milk Valley Farm. O projeto prevê a introdução gradual de mil bovinos leiteiros e estabelece uma meta de longo prazo de aproximadamente 3 mil animais no rebanho.

Esses números representam objetivos do empreendimento, enquanto os 600 bovinos informados pelo Mapa correspondem aos embarques já realizados. A estratégia da BDC inclui investimentos em infraestrutura, tecnologia e biossegurança para ampliar a produção doméstica e reduzir a dependência de lácteos importados.

Transporte teve três voos e fiscalização em Viracopos

O primeiro embarque ocorreu em julho, com 189 animais. Os outros dois voos foram realizados em 25 e 28 de setembro, completando a operação.

No Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), a Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) conferiu a documentação e as condições de transporte dos bovinos.

Antes dos últimos embarques, em 23 de setembro, o ministro de Negócios e Empreendedorismo de Botsuana, Tiroeaone Ntsima, e representantes da BDC visitaram Lins para conhecer os animais. A agenda teve acompanhamento da embaixadora de Botsuana no Brasil, Benetia Tumelo Chingapane.

Parceria avalia laboratório de fertilização in vitro

A cooperação também contempla conhecimentos para estruturar programas de melhoramento genético. Entre as possibilidades em avaliação está a instalação de um laboratório de fertilização in vitro (FIV) em Botsuana, informou o Mapa.

O Girolando combina características das raças Gir e Holandesa, reunindo adaptação tropical e potencial leiteiro. Essa combinação ajuda a explicar sua presença no projeto africano.

Para a pecuária brasileira, a operação evidencia uma oportunidade comercial que vai além da venda de animais: o fornecimento de genética pode ser acompanhado por serviços e tecnologias de reprodução. No caso de Botsuana, porém, o laboratório permanece uma possibilidade em estudo, sem anúncio de implantação concluída.

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