Brasil importa 15.300.000 de t de fertilizante e preços caem

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Foto: Claudio Neves

País volta a renovar os recorde de importação de fertilizantes, segundo os dados, nos primeiros cinco meses, o volume já passa de 15,3 milhões de toneladas. Destaque para o preço da ureia que volta a recuar!

Segundo os dados divulgados, o Brasil segue renovando os recordes de importação de fertilizantes ao longo de 2022. Os volumes seguem crescendo, nos primeiros cinco meses do ano o volume passa de 15,3 milhões de toneladas, contra pouco mais de 13 milhões no mesmo período do ano passado, registrando um incremento de 13,7%.

Mesmo com todas as dificuldades logísticas, intensificadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, e dos preços elevados dos meses anteriores, as importações seguem com bom ritmo. Esse cenário trouxe um cenário de queda nos preços no mercado interno, já que os estoques e menor ímpeto da ponta compradora.

Pois é, mesmo com o preço médio das matérias-primas em 2022, até maio, 139,4% acima dos valores médios observados no mesmo período de 2021, as compras foram recordes. O valor médio entre janeiro e maio de 2022 foi de US$0,63/kg, de longe o maior valor já observado para o período ao longo da série apresenta, de 10 anos.

O fato é que entre janeiro e maio de 2022 o Brasil importou o equivalente a US$9,57 bilhões em adubos e fertilizantes, valor 177,9% maior que o registrado no mesmo período de 2021 (US$3,44 bilhões). O valor foi o mais alto já observado para o período (Tabela).

Ureia lidera queda nos preços

A ureia, o nitrogenado mais popular entre os agricultores brasileiros, caiu 35% de lá para cá. A tonelada do produto, que bateu recordes históricos e chegou a US$ 1 mil no início de abril, já caiu para US$ 648 na semana passada, segundo a consultoria StoneX.

Já no caso do MAP (fosfatado) recuou 20% entre abril e o início deste mês, para US$ 1.078 por tonelada, e o potássio, nutriente do grupo com a oferta mais restrita, cedeu 3%, para US$ 1,1 mil a tonelada. Os preços são referência no porto no Brasil.

Foto: Claudio Neves

“Cabe destacar que na última grande crise no mercado global de adubos, em 2008 [período de altas históricas], os EUA cortaram o uso de fósforo em 30% e o de potássio em 40%”, lembra Carlos Cogo, consultor da Cogo Inteligência em Agronegócio. Os preços do insumo vinham subindo nos últimos dois anos por um desequilíbrio entre oferta disponível e aumento da demanda nos principais países produtores de grãos.

Apesar disso, os agricultores do Brasil, mercado altamente dependente de fertilizantes importados, compraram menos adubo neste ano que em safras anteriores. As commodities que abastecem o caixa das fazendas se valorizaram, mas os preços do insumo subiram mais. Para evitar maior impacto sobre as margens, muitos produtores resolveram adubar menos as lavouras e aproveitar o banco de nutrientes do solo para manter a produtividade.

Volumes de importações em 2022

A Tabela a seguir apresenta os dados de importação de adubos e fertilizantes pelo Brasil, entre janeiro e maio, de 2013 a 2022, segundo dados do MDIC-SECEX.

Importações superam em 13,7% a mais sobre as 13 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado.

O destaque é o cloreto de potássio, com 5,29 milhões de toneladas.
As compras do Egito já cresceram 173% no ano, principalmente de superfosfato simples.

Da Nigéria, as compras de ureia da Nigéria também subiram bastante. Já Marrocos reduziu mais de 21% as vendas para os importadores brasileiros.

Os preços da ureia vem caindo, principalmente por causa do aumento da produção. De abril até agora, os indicativos do fertilizante no país cederam 42%. O dólar em alta também limita os reajustes dos preços em reais por tonelada.

Nos cinco primeiros meses, portos do Paraná têm alta de 14% na descarga de fertilizantes

A movimentação de fertilizantes pelos portos do Paraná registrou alta de 14% entre janeiro e maio de 2022. A importação do produto já mostrava tendência de crescimento desde o ano passado, mas, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o desembarque segue instável, acompanhando o preço e a demanda do campo.

Foto: Claudio Neves

Ao todo, nos cinco primeiros meses do ano, foram descarregadas 4.791.982 toneladas de adubos, contra 4.192.659 toneladas no mesmo período de 2021. O ritmo desse crescimento, entretanto, não foi uniforme.

Em 2022, o pico das importações aconteceu em fevereiro. Com o início do conflito, os portos paranaenses receberam 1.338.633 toneladas de fertilizantes. Quase 48% mais do desembarcado em janeiro.

É a nova supersafra brasileira se formando para 2022 -2023!

Os preços dos nitrogenados devem continuar recuando neste mês. Os dos fosfatados, por sua vez, podem antecipar baixas antes previstas para agosto e setembro, e o potássio deve ter queda mais forte a partir de agosto. Mello, da StoneX, acredita que o recuo a patamares anteriores aos do ciclo de alta se intensificará em 2023, a partir da acomodação da atual crise geopolítica e do retorno da China ao mercado.

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