Brasil não testará carne, mesmo com exigência da China

Brasil não testará carne, mesmo com exigência da China

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Montagem: Compre Rural

Governo brasileiro diz que não testará carnes contra Covid-19 apesar de exigência da China; MAPA afirma que não há embasamento científico sobre risco de contaminação.

O Ministério da Agricultura descartou fazer qualquer tipo de teste e emitir um certificado que comprove que a carne in natura produzida no Brasil é livre de coronavírus. Essa foi uma das exigências adotadas pela China sobre as empresas que exportam alimentos ao país.

A medida causou preocupação entre os frigoríficos brasileiros por não haver evidências científicas sobre o risco de contaminação. O país asiático é o maior parceiro comercial do Brasil e principal responsável pelo grande salto na venda de carnes no primeiro semestre.

O diretor do Departamento de Temas Técnicos, Sanitários e Fitossanitários do Ministério da Agricultura, Leandro Diamantino Feijó, argumenta que o portaria emitida pelo governo brasileiro traz segurança sobre os protocolos sanitários adotados pelo setor.

“Não tem razão para poder fazer (a testagem na carne) porque as ações de mitigação são tomadas por meio do protocolo, onde as empresas têm feito testes sistemáticos dos seus colaboradores”, afirmou Feijó.

“Uma vez detectado qualquer suspeita ou caso positivo, esses funcionários não entram na fábrica. Então, temos um protocolo estabelecido. Com isso, a gente dá plenas garantias de que os produtos estão sendo processados por meio de funcionários sãos”, completou.

O governo chinês tem insistido para que o Brasil suspenda, de maneira voluntária, a exportação em plantas com grande número de casos de Covid-19, o que é descartado pelo ministério. Das sete plantas suspensas desde junho, duas foram por ação voluntária.

De acordo com o diretor do Ministério da Agricultura, as autoridades brasileiras estão em contato constante com autoridades fitossanitárias da China e de outros países para tranquilizar os parceiros comerciais a respeito do assunto.

“Nós conversamos com o embaixador da China no Brasil e ele colocou que a tendência – e isso foi pedido pela autoridade fitossanitária chinesa em Pequim – é que, com o arrefecimento dos casos de coronavírus, esse problema tende a decantar e, aos poucos, a situação deve voltar ao normal”, destacou Feijó.

Regras em vigor

A portaria emitida pelo governo brasileiro no dia 19 de junho determina que, para o retorno das atividades, além de exame laboratorial, o trabalhador tenha permanecido assintomático nas últimas 72 horas. Funcionários com confirmação da doença, suspeita ou que tiveram contato com pessoas infectadas devem ser afastados por duas semanas.

No entanto, a norma dispensa a indústria de fazer testagem em massa dos trabalhadores antes da reabertura de unidades que venham a ser fechadas por conta da pandemia. 

Procuradas por Globo Rural, a Associação Brasileira de Proteína e Animal (ABPA) e com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmaram que não iriam se manifestar sobre o caso.

Na época da aprovação da portaria, a ABPA disse que o texto dava “segurança alimentar” ao setor. “O elevado nível de exigências da norma reafirma o comprometimento do Brasil com a preservação da saúde dos colaboradores do setor produtivo e a segurança dos alimentos, o que permite ao país seguir em sua missão de apoiar a segurança alimentar das nações importadoras”, declarou a entidade.

Fonte: Globo Rural

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