Brasil sobe ao topo do pódio no Mundial AQHYA 2026 e confirma força do Quarto de Milha

Três jovens brasileiros representaram o país em Oklahoma City e voltaram dos Estados Unidos com títulos mundiais, vice-campeonatos e lugares de destaque; Gabriel Garcia e Otávio Paoliello chegaram ao ponto mais alto do pódio.

O Brasil voltou a mostrar que sua força no Quarto de Milha ultrapassa as fronteiras das pistas nacionais. Entre 31 de julho e 9 de agosto, três jovens competidores brasileiros encararam alguns dos principais nomes da nova geração mundial durante o 2026 AQHYA World Championship, realizado no OKC Fair Park, em Oklahoma City, nos Estados Unidos, e retornaram com uma coleção expressiva de resultados.

Otávio David Paoliello, Alexandre Abucham Candido e Gabriel Godinho Garcia foram os representantes brasileiros habilitados pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), após consulta à American Quarter Horse Association (AQHA). O trio conquistou títulos mundiais, reservados campeonatos e posições entre os principais colocados das provas técnicas de laço.

Mais do que a quantidade de troféus, a campanha chama atenção pela idade dos competidores e por um detalhe relevante para o mercado brasileiro do cavalo: os jovens conseguiram competir de igual para igual dentro dos Estados Unidos, país que reúne algumas das maiores estruturas, plantéis e circuitos do Quarto de Milha no mundo.

Otávio Paoliello conquista título mundial no Laço Cabeça

Um dos grandes resultados brasileiros veio no Laço Cabeça. Montando Dellas Little Pistol, filho de Fiestas Gotta Gun em Bobs Tari Della, Otávio Paoliello conquistou o título mundial do Level 2 e ainda terminou como reservado campeão no Level 3.

A preparação para chegar ao Mundial exigiu uma mudança completa na rotina. Otávio contou à ABQM que concentrou seus esforços nos treinamentos de laço durante os meses anteriores à viagem.

“Eu foquei somente no treinamento e me dediquei muito nos últimos meses exclusivamente ao laço, deixando de lado minhas aulas de tênis e futebol.”

Além dos trabalhos no Brasil, ele treinou durante dois dias no rancho de JD Yates, no Colorado, poucos dias antes do Mundial.

O resultado com Dellas Little Pistol teve ainda um componente emocional. O animal pertencia ao saudoso Dick Yates, e Otávio destacou a responsabilidade de receber a oportunidade de montá-lo.

Para o jovem competidor, estar na arena carregando as cores brasileiras também ampliou a dimensão da conquista.

“Entrar em pista representando o Brasil foi e sempre será uma sensação incrível.”

Segundo Otávio, a convivência com competidores de alto nível e a possibilidade de receber orientações durante o período nos Estados Unidos transformaram o Mundial também em uma experiência de formação esportiva.

Alexandre Candido coloca o Brasil novamente entre os melhores

O desempenho brasileiro não ficou restrito às vitórias.

Alexandre Abucham Candido, de 16 anos, também colocou o país entre os protagonistas nas disputas técnicas de Laço Cabeça e Laço Pé.

Montando Golden Playboy, filho de Tapeppyoka Playboy em A Golden Gem, Alexandre alcançou a terceira colocação, repetindo o bom desempenho de um conjunto que já havia sido reservado campeão do Level 2 em 2025. Com Probably All That, terminou em quarto, enquanto Drag All That garantiu outra quinta colocação.

No Laço Pé Técnico, Golden Playboy voltou ao pódio com Alexandre, garantindo mais uma terceira posição para o brasileiro.

A experiência, segundo ele, também revelou algumas diferenças importantes entre os circuitos dos dois países.

“No Brasil temos muitos cavalos bons, mas nos Estados Unidos a quantidade é bem maior.”

Alexandre explicou que precisou se adaptar até mesmo à boiada utilizada nas competições norte-americanas. Segundo o jovem, as características dos chifres exigiram ajustes técnicos durante as provas — um detalhe aparentemente pequeno, mas que pode mudar completamente a dinâmica de uma passada em uma competição internacional.

É justamente esse tipo de experiência que ajuda a explicar por que competir fora do país tem peso estratégico na formação dos jovens atletas: não se trata apenas de enfrentar novos adversários, mas de lidar com animais, estruturas, sistemas de julgamento e situações de pista diferentes daquelas encontradas normalmente no Brasil.

Gabriel Garcia conquista título mundial e reservado campeonato na mesma prova

Se havia dúvidas sobre a capacidade brasileira de disputar o topo do ranking, Gabriel Godinho Garcia tratou de eliminá-las.

Poucos dias depois de completar 15 anos, o jovem conquistou o título de campeão mundial do Laço Pé Level 3, montando a égua Doc Seas Streak, conhecida como Lean.

O conjunto alcançou 223,5 pontos.

Na mesma categoria, Gabriel ainda terminou como reservado campeão mundial montando Smoke and Glitter, conhecida como Topaz, pertencente a Lisa Stephens, com 220 pontos.

Com o castrado Buffalou, de Rob Foster, também chegou à condição de finalista do Level 3.

A campanha chama atenção porque Gabriel chegou aos Estados Unidos carregando uma responsabilidade adicional: ele era o único brasileiro inscrito na disputa do Laço Pé.

Antes do Mundial, ficou hospedado no Bar F Ranch, em Brock, no Texas, propriedade de Rob e Pam Foster, onde treinou com Johnryon Foster, campeão mundial pela AQHYA. O brasileiro também participou de um horse show chancelado pela AQHA antes da principal competição, alcançando primeiro, terceiro e quarto lugares.

Os treinamentos incluíram simulações das situações que poderiam ocorrer durante as provas, como trabalhar bois na curva e testar diferentes cenários com os cavalos.

Gabriel resumiu o peso de entrar naquela arena defendendo o Brasil:

“Nós conversamos e imaginávamos que seria um sonho nos três brasileiros vencer o Mundial AQHYA.”

Além da pressão esportiva, o jovem precisou lidar até mesmo com a barreira do idioma durante os treinamentos nos Estados Unidos.

Resultado brasileiro revela algo maior que os troféus

A campanha no AQHYA World Championship ajuda a mostrar uma mudança importante que vem ocorrendo dentro do Quarto de Milha brasileiro.

O país já construiu uma indústria forte em modalidades como Laço em Dupla, Laço Pé, Laço Cabeça, Rédeas, Três Tambores, Apartação e Vaquejada, sustentada por criatórios especializados, treinadores profissionais e competições cada vez mais estruturadas.

Mas resultados como os obtidos em Oklahoma têm outro significado: permitem comparar diretamente o nível técnico brasileiro com o principal mercado mundial da raça.

Os próprios competidores destacaram que a diferença entre Brasil e Estados Unidos não está necessariamente na qualidade dos melhores cavalos ou atletas, mas principalmente na escala do mercado norte-americano, que reúne quantidade muito maior de animais, provas e oportunidades competitivas.

Gabriel Garcia fez avaliação semelhante ao apontar equilíbrio técnico entre os jovens competidores dos dois países, embora os norte-americanos tenham acesso a um volume superior de provas técnicas ao longo do ano.

Essa exposição internacional pode produzir efeitos que ultrapassam o esporte.

Um cavalo, treinador ou competidor brasileiro capaz de obter resultados relevantes nos Estados Unidos ganha visibilidade justamente dentro do mercado que funciona como uma das grandes referências internacionais do Quarto de Milha. Para criadores brasileiros, isso também significa maior possibilidade de intercâmbio genético, comercial e técnico.

“Talvez os melhores resultados de brasileiros no Mundial”

Flávio Ribeiro, que acompanhou Gabriel e a família Garcia durante a permanência nos Estados Unidos, dimensionou o resultado alcançado pela delegação.

“Acredito que esse tenha sido os melhores resultados de brasileiros no Mundial da AQHYA.”

Segundo ele, a performance dos três jovens chamou atenção desde as eliminatórias do Laço Cabeça Level 2 até as finais do Level 3.

Não seria, contudo, a primeira vez que brasileiros chegam às posições de destaque nos mundiais promovidos pela AQHA e AQHYA.

A própria ABQM relembra nomes como Marcos Alan Costa, Lincoln Figueiredo, Paulo Saraiva, Rafael Paoliello, Daniel Lopes, Junior Testa, Kenny Cunha e José Guilherme Morita entre os brasileiros que já construíram resultados importantes nessas competições.

Uma nova geração brasileira mira o Mundial de 2027

O aspecto talvez mais importante da participação brasileira em Oklahoma aparece justamente depois dos pódios.

Nenhum dos três competidores considera o trabalho concluído.

Otávio pretende seguir treinando nas provas técnicas no Brasil e avalia disputar novamente competições norte-americanas ainda em 2026, acumulando experiência para o Mundial de 2027.

Alexandre também já estabeleceu seu próximo objetivo: retornar aos Estados Unidos buscando transformar os pódios desta temporada em um título mundial.

“Meu maior objetivo continua sendo conquistar o título de campeão mundial.”

Gabriel Garcia segue caminho semelhante e afirmou que pretende intensificar os treinamentos, disputar o Potro do Futuro no Brasil e voltar aos Estados Unidos no próximo ano.

Os resultados de Oklahoma, portanto, contam uma história que vai além dos troféus conquistados em 2026.

O Brasil colocou uma nova geração de competidores frente a frente com alguns dos melhores jovens do Quarto de Milha norte-americano — e mostrou que seus atletas e cavalos já conseguem chegar às pistas internacionais não apenas para participar, mas para disputar o topo do pódio.

Com informações da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). Texto original da fonte: Abdalla Jorge Abib, Departamento de Comunicação da ABQM. Fotografias da publicação original: Shane Rux Photography.

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