BrasilAgro vende área de fazenda na Bahia por R$ 96,4 milhões, a 425 sacas de soja por hectare

Negócio envolve 2.592,97 hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina, sendo 1.752,66 hectares úteis; companhia prevê ganho de R$ 51,5 milhões antes dos impostos.

A BrasilAgro anunciou uma nova operação envolvendo seu portfólio de terras agrícolas no Oeste da Bahia. A companhia fechou a venda de 2.592,97 hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), por valor nominal de R$ 96,4 milhões, em uma transação que reforça a estratégia da empresa de desenvolver propriedades, capturar sua valorização e posteriormente monetizar parte dos ativos.

Dos hectares negociados, 1.752,66 hectares são considerados área útil. O preço acertado foi equivalente a 425 sacas de soja por hectare útil, o que representa aproximadamente R$ 55 mil por hectare em valor nominal. Considerando o valor presente, a operação alcança R$ 78,8 milhões, ou cerca de R$ 45 mil por hectare útil. 

A diferença entre o preço da negociação e o valor registrado nos livros da companhia chama atenção. A área vendida possui valor contábil de R$ 27,3 milhões, enquanto o valor presente da transação é de R$ 78,8 milhões — aproximadamente 2,9 vezes o valor contábil. 

Venda deve gerar ganho de R$ 51,5 milhões

Segundo fato relevante divulgado pela BrasilAgro, a expectativa é reconhecer ganho de R$ 51,5 milhões antes dos impostos no primeiro trimestre do exercício social 2026/2027.

O valor contábil de R$ 27,3 milhões é composto por R$ 22,6 milhões referentes ao custo de aquisição e R$ 4,7 milhões em investimentos, líquidos de depreciação. A companhia calcula para a operação uma Taxa Interna de Retorno (TIR) esperada de 26,2% em reais e 20,9% em dólares. 

A operação evidencia uma característica importante do modelo de negócios da BrasilAgro: além da geração de receita com a produção agrícola, a companhia trabalha com a transformação e valorização de propriedades rurais, buscando realizar ganhos com a venda dos ativos depois de investimentos produtivos e imobiliários.

Pagamento foi acertado em sacas de soja

Outro ponto relevante está na estrutura da negociação. Em vez de um preço simplesmente fixado em reais, o contrato foi estabelecido tendo como referência 425 sacas de soja por hectare útil.

A BrasilAgro informou que já recebeu a primeira parcela, correspondente a 181.568,50 sacas de soja, aproximadamente 24% do volume total previsto no contrato.

Essa primeira parcela representou R$ 21,1 milhões. O saldo de 563.312 sacas de soja será quitado em quatro parcelas anuais. 

Somadas, as parcelas representam aproximadamente 744,9 mil sacas de soja previstas na transação.

A indexação em soja aproxima o valor econômico do negócio da própria dinâmica do agronegócio. Para uma empresa com atuação na compra, desenvolvimento, exploração e venda de propriedades agrícolas, a commodity funciona como uma referência diretamente relacionada à capacidade produtiva e ao valor econômico das terras negociadas.

BrasilAgro também arrenda outra área da fazenda

A negociação não termina nos hectares efetivamente vendidos.

A companhia também celebrou contrato para o arrendamento de outros 383,44 hectares úteis da Fazenda Rio do Meio, com prazo até junho de 2030.

O contrato concede ao arrendatário uma opção de compra que poderá ser exercida até março de 2028, novamente pelo preço de 425 sacas de soja por hectare útil. 

Essa área não está incluída nos R$ 96,4 milhões anunciados agora. Caso a opção seja exercida e a transação seja efetivamente concluída, haverá uma nova operação de venda, que deverá ser comunicada posteriormente ao mercado.

Fazenda Rio do Meio está no portfólio desde 2020

A história da propriedade dentro da BrasilAgro ajuda a explicar o resultado da negociação.

A companhia adquiriu a Fazenda Rio do Meio em 2020 com o objetivo de desenvolver seu potencial produtivo e imobiliário. Desde então, realizou investimentos na propriedade, obteve resultados com a produção agrícola e promoveu vendas de áreas em diferentes momentos. 

A venda anunciada em 29 de setembro, portanto, integra esse processo de captura da valorização das terras desenvolvidas.

Mais do que o valor absoluto de R$ 96,4 milhões, a relação entre o preço da operação e o valor contábil mostra o efeito desse modelo: uma área registrada por R$ 27,3 milhões está sendo negociada por R$ 78,8 milhões em valor presente, permitindo à companhia projetar R$ 51,5 milhões de ganho antes dos impostos.

Para o mercado de terras agrícolas, a transação também oferece uma referência relevante para uma das principais regiões produtoras do Oeste baiano: cerca de R$ 55 mil por hectare útil em valor nominal, considerando as condições anunciadas pela companhia.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.