Nova lista inclui milho, trigo, carnes e derivados de soja; o grão americano segue sujeito a uma tarifa adicional de 10%, fator relevante para a disputa com o Brasil pelo mercado chinês
A China anunciou nesta segunda-feira (28) uma lista de 1.619 produtos americanos elegíveis à redução de tarifas, mas deixou de fora a soja em grão destinada ao esmagamento. O produto continua sujeito a uma tarifa adicional de 10% para entrar no país, segundo a Reuters.
A distinção interessa diretamente ao Brasil. A China é o principal destino da soja brasileira, e Brasil e Estados Unidos disputam suas compras conforme preço, frete e disponibilidade. Com custos de entrega próximos antes dos tributos, a manutenção da tarifa pesa na competitividade do grão americano, sobretudo para as esmagadoras privadas chinesas.
O que entrou na lista
A redução tarifária abrange milho, trigo, sorgo, carnes, lácteos, óleo e farelo de soja, entre outros produtos. A soja destinada a sementes também aparece na relação, mas não o grão comprado em larga escala para processamento. Ainda não foi informada a data em que as reduções entrarão em vigor.
Para o milho, a medida pode abrir espaço aos exportadores americanos na China, mercado em que também competem com o Brasil. O efeito dependerá das tarifas finais, dos preços e da demanda chinesa.
O que muda para a soja brasileira
A barreira de 10% mantém uma condição comercial favorável ao Brasil, mas não garante alta de preços ao produtor. Cotações em Chicago, câmbio, prêmios nos portos, safras e ritmo das compras chinesas continuam determinantes.
A exclusão também não impede a China de comprar soja dos EUA. Segundo a Reuters, as estatais Sinograin e COFCO já adquiriram mais de 12 milhões de toneladas do produto americano. A tarifa, porém, dificulta sua competição nas compras feitas por empresas privadas.
A trégua comercial entre Pequim e Washington foi prorrogada até 10 de janeiro de 2027. Assim, a soja pode voltar à mesa de negociação. Por ora, o dado central para o agro brasileiro é claro: a China abriu espaço para vários produtos agrícolas dos EUA, mas preservou a tarifa adicional sobre a soja em grão.
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