China deve barrar transferência de cota de carne bovina do Uruguai ao Brasil e frustrar expectativa de Lula

Análise divulgada pela Safras & Mercado aponta que a redistribuição das cotas de carne bovina entre países enfrenta obstáculos nas regras chinesas; eventual aproveitamento do volume uruguaio dependeria de uma decisão oficial de Pequim.

A possibilidade de o Brasil aproveitar parte da cota de exportação de carne bovina destinada ao Uruguai ganhou um novo capítulo. Uma avaliação publicada pela plataforma chinesa de comércio de proteínas Purejoy International considera baixa a probabilidade de transferência dos volumes entre países, contrariando as expectativas de uma eventual redistribuição que poderia beneficiar os frigoríficos brasileiros.

O assunto foi abordado em um alerta de mercado divulgado nesta quarta-feira (23) pela Safras & Mercado. Segundo a consultoria, a análise chinesa indica que as cotas estabelecidas pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM) são fixas e não podem ser modificadas automaticamente, mesmo que determinado país não utilize integralmente o volume autorizado.

A discussão interessa diretamente à pecuária brasileira, uma vez que o Brasil possui uma cota de 1,128 milhão de toneladas para 2027, enquanto o Uruguai avalia alternativas para ampliar o aproveitamento de seu acesso ao mercado chinês.

China vê baixa possibilidade de transferir cota uruguaia ao Brasil

A avaliação da Purejoy International foi publicada em 23 de setembro, em meio às discussões sobre a possibilidade de o Uruguai ceder ao Brasil parte de sua cota de carne bovina.

Segundo a plataforma chinesa, as quantidades definidas pelo MOFCOM seguem critérios previamente estabelecidos, o que torna improvável uma alteração sem manifestação formal das autoridades de Pequim.

O argumento central é que o comércio de carne bovina não funciona como um sistema de compensação automática entre países exportadores. Mesmo que o Uruguai deixe de utilizar parte de sua cota, o volume não seria necessariamente transferido para outro fornecedor.

A publicação também menciona declarações recentes do governo uruguaio sobre a intenção de solicitar à China a autorização para que o Brasil e a Austrália possam utilizar parte da cota uruguaia que não deverá ser aproveitada em 2026.

Entretanto, até o momento da análise, não havia confirmação de uma decisão chinesa autorizando essa transferência.

Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, acompanha os desdobramentos

O alerta divulgado pelo analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, reforça que o eventual aproveitamento da cota uruguaia pelo Brasil depende de uma decisão oficial das autoridades chinesas.

A avaliação apresentada pela Purejoy se apoia nas regras de administração das importações estabelecidas pelo MOFCOM, que determinam os volumes disponíveis para cada país.

Em nota técnica divulgada em 20 de setembro, a plataforma chinesa já havia destacado que os dados de importação publicados pela alfândega chinesa, a GACC, e aqueles considerados pelo Ministério do Comércio seguem critérios estatísticos distintos.

Por isso, o acompanhamento do volume efetivamente utilizado por cada país depende das informações oficiais de execução das cotas.

A existência de um saldo não utilizado pelo Uruguai, portanto, não representa uma autorização para que o Brasil amplie suas exportações dentro desse mesmo limite.

A Safras & Mercado ressalta que o conteúdo publicado pela Purejoy representa uma avaliação de mercado, e não um posicionamento oficial do governo chinês. A consultoria segue acompanhando eventuais manifestações do MOFCOM, da GACC e da China International Trade Single Window.

Cota brasileira de 2027 amplia importância da negociação

A discussão ocorre em um momento em que a indústria frigorífica brasileira acompanha os efeitos das restrições chinesas sobre o comércio internacional de carne bovina.

Com uma cota de 1,128 milhão de toneladas prevista para 2027, o Brasil tem interesse em preservar sua participação no mercado chinês e encontrar alternativas para ampliar o volume comercializado.

Uma eventual autorização para utilizar parte da cota uruguaia poderia representar uma oportunidade adicional para os exportadores brasileiros. Entretanto, essa possibilidade permanece condicionada à decisão de Pequim.

Para os frigoríficos, a indefinição dificulta o planejamento de embarques e a negociação de contratos de fornecimento. Para o pecuarista, os efeitos dependerão da capacidade da indústria de manter o ritmo de compras e dos preços obtidos pela carne brasileira no exterior.

O que pode acontecer agora?

O próximo passo depende das negociações diplomáticas e comerciais envolvendo Brasil, Uruguai e China.

A eventual solicitação uruguaia não significa que os volumes serão redistribuídos. Para que isso aconteça, seria necessária uma autorização chinesa que esclarecesse as condições de utilização da cota por outros fornecedores.

Enquanto não houver uma manifestação oficial, o mercado deverá continuar trabalhando com os limites estabelecidos para cada país.

Para a pecuária brasileira, a cota uruguaia permanece como uma possibilidade comercial, mas não como um volume adicional garantido para as exportações. A definição de Pequim será determinante para saber se a negociação poderá efetivamente abrir espaço para a carne brasileira.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM